O que os sucessos “Amor de Que” (Pabllo Vittar), “Respeita o Nosso Fim” (Gusttavo Lima), “Fica Tudo Bem” (Silva e Anitta) e “O Povo Fala” (Zezé Di Camargo e Luciano) têm em comum? Todos eles têm dedo de capixabas!
Daniel Caon, Arthur Marques, Lucas Silva e Ofillipinho são os nomes que ajudaram a escrever versos que ficaram grudados na cabeça dos brasileiros.
Natural de Linhares, Caon, de 26 anos, se destaca fazendo músicas para sertanejos. Ele começou a carreira fazendo shows em Vitória, e, atualmente, mora em Goiânia, onde atua há dois anos e meio compondo profissionalmente.
Alguns hits que integram seu currículo são “Respeita o Nosso Fim” e “Perrengue” (Gusttavo Lima), “Beijadamente Calculado” (Henrique e Juliano), “Aprende a Terminar” (Safadão e Dilsinho), “Sofrendo Feito um Louco” (Luan Santana e Léo Santana) e “Áudio” (Diego e Victor Hugo).
“A primeira vez que encontrei o Luan Santana, minhas pernas tremiam”, lembra o capixaba.
E ele já adianta: em breve, “Tudo Indica”, novo single de Marcos e Belutti com Jorge e Mateus e que foi escrito por ele, chega às rádios.
AT2 – Quando começou a se interessar por música?
Daniel Caon – Ganhei uma bateria quando tinha 8 anos. Depois disso, peguei um violão que um primo meu tinha, aos 14, e comecei a tocar e escrever algumas letras.
Sempre fui apaixonado por sertanejo, mas gosto muito de pagode e funk, inclusive, estou compondo para artistas nacionais desses ritmos.
Por que mudou para Goiás?

O que te inspira a compor?
É o amor. Toda canção minha fala de um amor que deu certo ou que deu errado, que deixou saudade. Mas elas não são necessariamente sobre situações que estou vivendo. A música que vira sucesso é a que consegue atingir o maior número de corações.
Tem alguma boa história com alguma composição?
Eu e Vinicius sempre viajamos para casa de outros compositores para compor. Uma vez, decidimos viajar para Salvador e, quando chegamos lá, percebemos que tínhamos visto a data errada e o amigo que ia nos receber não estava lá. Ficamos p* da vida e fomos para um barzinho. Quando voltamos, fui tomar banho e, no chuveiro, veio o refrão de “Sofrendo Feito um Louco”. O engraçado é que a música está no DVD do Luan, gravado em Salvador um mês depois.
É possível viver bem no Brasil somente como compositor?
Dá para viver bem, sim, somente como compositor. Eu, particularmente, não tenho o que reclamar.
Já se arrependeu de ter passado uma canção para frente?
Nunca. Quando uma música é feita, ela tem endereço certo.
Colatinense compõe para Ricky Martin
Tem compositor capixaba trabalhando até com gringo! Depois de escrever para estrelas do pop brasileiro, como Anitta, Iza, Luísa Sonza e Ludmilla, o colatinense Arthur Marques, 29, tem trabalhado com nomes como Ricky Martin, Thalía e Charli XCX.
Formado em Cinema pela Ufes, ele, que há três anos vive no Rio, começou a fazer música na adolescência, produzindo em casa, em seu computador. Na época, participou de bandas e conheceu Rodrigo Gorky, empresário de Pabllo Vittar.
“Nossas ideias sempre bateram bastante, e, quando ele começou a trabalhar com a Pabllo, me chamou para fazermos música juntos. A primeira delas foi ‘Sua Cara’, parceria da cantora com Anitta e Major Lazer, e depois comecei a colaborar com outros artistas. Tudo aconteceu de forma natural”, conta.
AT2 – Algum dia imaginou que participaria de um disco internacional?
Arthur Marques – Na verdade, nunca imaginei que teria uma vida de produtor e compositor profissional. Fui aprendendo a fazer fazendo. Até hoje, fazer música é um processo de constante aprendizado.

Qual é o seu maior hit?
Dos últimos lançamentos, foi “Amor de Que”, de Pabllo Vittar. Eu, Zebu e Pablo Bispo, que são pessoas com quem trabalho há muito tempo, escrevemos ela em 20 minutos. A ideia era falar sobre querer estar com alguém, mas sem compromisso.
Qual parceria foi a realização de um sonho?
Trabalhei com muita gente que admiro, como Pabllo Vittar, Iza, Anitta e Thalía. Eu cresci ouvindo a música da Thalía. Para ela, escrevi a nova “Tímida”, com Pabllo.
O que te inspira?
Quem trabalha com criatividade tem que estar sempre com a antena ligada, porque as inspirações podem vir de todos os lugares. Às vezes, estou na rua e vem a ideia de melodia ou letra, aí eu já gravo.
O Espírito Santo me influencia muito! Cresci ouvindo forró e reggae. Tinha o costume de ir para Itaúnas, e tudo isso é uma bagagem que levo até hoje.
Há fórmula para um hit?
Não. Talvez o maior segredo seja ser autêntico. O público sabe quando tem sentimento, quando é de verdade. Então, é tentar trazer algo pessoal e falar de uma forma mais aberta.