
Com o instrumento, o produtor de funk, que havia levado o pesquisador para conhecer os bailes das favelas e assim ele pudesse desenvolver sua tese de mestrado sobre o ritmo, criou suas primeiras produções, sendo coroado posteriormente como o Rei do Pancadão.
“Gilberto Velho, orientador da tese, que virou o livro ‘O Mundo Funk Carioca’, sabia que Hermano poderia mudar o rumo do gênero ao me dar essa bateria, e foi o que aconteceu”, diz Marlboro ao AT2.
Trinta anos depois do lançamento de “Funk Brasil”, primeiro álbum do DJ Marlboro e considerado o marco zero do funk carioca, o artista tem orgulho de poder presenciar a magnitude que o gênero musical tomou e comemora a data com shows pelo Brasil. “Não podia deixar passar em branco”, afirma.
No próximo sábado, é a vez do Matrix Music Hall, em Cariacica, receber a apresentação, que conta com vários convidados, incluindo o capixaba Jefinho Faraó.
AT2: Quais clássicos do funk não podem faltar nesse show?
DJ Marlboro: “Rap da Felicidade”, de Cidinho e Doca; sucessos do Claudinho e Buchecha; as montagens da Pipos, como “Jack Matador”; e “Melô do Bêbado” e “Feira de Acari”, ambas do MC Batata. A última fez o funk ficar famoso em todo o Brasil ao ser tema da novela “Barriga de Aluguel”.
De novidade, devo tocar “Rap Glamurosa”, parceria com Tati Quebra-Barraco, Tati Zaqui e DJ Polivox. É uma versão em 150 BPM de “Glamurosa”, de MC Marcinho.
AT2: Como se sente ao ver o funk atravessando fronteiras?
DJ Marlboro: Foi um trabalho de equipe. Tati Quebra-Barraco e Deize Tigrona, com “Injeção”, tocaram muito no exterior. “Rap das Armas” foi a música da Copa da África do Sul, em 2010. “A favela venceu”, acho essa frase muito boa!
Sabe por quê? Quando fiz o “Funk Brasil”, tinha certeza de que não iria ver o sucesso que o funk tem hoje. Sabia que ele teria reconhecimento internacional e daria oportunidade para muitos. Mas a mesma certeza que eu tinha de que daria certo, eu também tinha de que não estaria vivo para ver isso acontecer. Isso aconteceu com ícones da capoeira e do samba, muitos morreram sem ver o sucesso.
Acho que a chegada da internet e a globalização aceleraram muito esse processo, mas 30 anos também é muita coisa. Me sinto um capoeirista que foi perseguido e agora é um medalhista.
AT2: Foi uma trajetória difícil?
DJ Marlboro: Já sofri muito preconceito, perseguição. Ainda sofremos. Por isso, acho que o funk pornográfico tem que ser tocado no local e para o público adequado. Não a céu aberto, na rádio, isso é falta de responsabilidade. O funk e o funkeiro têm que ser responsáveis.
AT2: Quais os próximos planos?
DJ Marlboro: Após três anos, voltei com o programa “Big Mix”, em que mostro novos nomes do funk.
No ano que vem, lanço um festival competitivo, ainda sem nome, que vai passar pelo Brasil inteiro e busca revelar novos artistas. Teremos eliminatórias em todos os estados, incluindo no Espírito Santo. Terá um aplicativo para que os participantes enviem suas músicas.
SERVIÇO:
Funk Brasil
O quê: Festa com DJ Marlboro (RJ) e convidados
Quando: Sábado, 21h
Onde: Matrix Music Hall. Rua Waldemar Siepierski, 2, Rio Branco, Cariacica
Ing. (2º lote/meia): Pista a R$ 40,00 e Camarote a R$ 60,00
Venda: Ademar Cunha, Óticas Diniz, Country Ville, Pim Jeans, Espaço Hip Hop e eventbrite.com.br
Clas.: 16 anos
Inf.: 3336-4776