Após o sucesso da debochada Valéria Bandida e da musa fitness Carol Paixão, é a vez da batalhadora Dona Graça arrancar boas risadas do público! Dona de casa, catadora de latinhas e pedinte, ela mora numa favela do Rio de Janeiro e sustenta os 13 filhos e Moacir, o ex-marido desempregado.
Essa mulher tão comum, e ao mesmo tempo invisível à sociedade, é mais uma personagem de Rodrigo Sant’Anna, 38, a dar certo nas telinhas. Protagonista do humorístico “Tô de Graça” (Multishow), que estreia sua 3ª temporada na próxima segunda, a personagem invadiu os teatros com o espetáculo “Tô de Graça – Da TV para o Palco”.

“Pegar um pouco das minhas experiências de vida e contar de maneira bem-humorada é uma das ideias do programa. Acho que o maior mérito das classes menos favorecidas é conseguir lidar, de maneira bem-humorada, com as dificuldades. Mas quero que entendam que não são só flores. Tem tiro na hora que você vai subir e já passei por isso”, conta Rodrigo ao AT2.
Na versão para os palcos, a favela onde Graça vive será o cenário para a gravação do clipe de um artista famoso, prometendo causar um alvoroço na família da catadora, que considera um absurdo a imposição de eventos assim às comunidades carentes.
“Mulheres são minhas referências” – Rodrigo Sant’Anna, ator e humorista

Rodrigo Sant’Anna: Sempre me dei muito bem em levar personagem do teatro para a TV, e vice-versa. Desde Valéria, foi assim. Ela era um personagem do teatro que foi para a televisão. Minha preocupação é que o personagem seja verdadeiro, tenha uma história, que as pessoas se identifiquem.
AT2: Quando decidiram que Dona Graça invadiria os palcos?
Rodrigo Sant’Anna: Não sei dizer o momento exato, mas foi o fato do programa estar indo bem e de as pessoas começarem a falar: “Faz uma peça!”. Agora, o público pede filme e, se Deus quiser, faremos.
AT2: Qual a inspiração para a história da peça?
Rodrigo Sant’Anna: A gravação do clipe vem de uma experiência minha como ator, porque achava meio abusiva a maneira como a gente se colocava nas locações.
A gente vai fazer uma gravação e acaba mudando a rotina daquelas pessoas que vivem ali. E consegui, com a Graça, fazer essa crítica.
Hoje, muitos artistas sobem a comunidade para gravar seus clipes, seus trabalhos. Isso virou algo comum. Digo que conheci o Michael Jackson, pai do Maico, meu filho, na gravação do clipe de “They Don’t Care About Us” no Pelourinho.
AT2: Então, tem um tom crítico?
Rodrigo Sant’Anna: Lembro de Madonna também. Falo: “Engraçado, que vem pra cá, põe a roupa do Exército, igual a Madonna, posta foto no Instagram, depois vai embora e continua tudo uma merda, esgoto a céu aberto, as crianças catarrentas”.
Essa romantização da comunidade existe, mas o problema continua porque as pessoas passam por ali sem deixar grandes feitos.
É preciso trazer uma lente de aumento para a favela. Mas entender que não é isso que vai fazer com que as coisas ali mudem.
AT2: Como é viver essa mulher sofrida e invisível à sociedade?
Rodrigo Sant’Anna: É um presente me comunicar com minha galera, com as Graças existentes, com as pessoas que se identificam com ela.
Hoje, infelizmente, a gente vê uma Graça em cada esquina.
AT2: Graça é mãe de 13 filhos. Daria conta?
Rodrigo Sant’Anna: Sonho em ser pai, mas não gostaria de ter 13, pelo amor de Jesus! (Risos) Hoje, não tenho a vida que a Graça possui, então eu teria um pouco mais de conforto e consciência para criar meus filhos.
AT2: Dona Graça é mais uma personagem feminina sua. Como é dar vida a tantas mulheres?
Rodrigo Sant’Anna: São minhas referências mais fortes, sabe? As mulheres com quem convivi são pessoas mais firmes, fortes, potentes. Coincidentemente, faço o Seu Batista, que é um homem frágil.

Rodrigo Sant’Anna: Sim. É nosso trabalho tocar em questões tratadas de maneira velada ainda hoje na nossa sociedade.
AT2: No início do ano, fez uma declaração ao seu marido. Como foi assumir essa relação?
Rodrigo Sant’Anna: Sempre são relevantes os comentários. Não sei se tenho a maturidade de anular tudo que chega até mim. Mas o principal é o que sinto internamente.
Foi um momento em que eu estava feliz e queria falar disso, porque, se fosse numa situação hétero, eu faria. Não estava me importando com o resultado. O que importava era o que eu estava sentindo.
SERVIÇO:
Tô de Graça – Da TV para o Palco”
O quê: Comédia com Rodrigo Sant’Anna, Isabelle Marques, Andy Gercker e Evelyn Castro. Na 10ª Edição do Circuito Banestes de Teatro
Quando: Sábado, às 20h, e domingo, às 18h
Onde: Teatro da Ufes, em Goiabeiras
Ingressos (meia): Térreo a R$ 45,00 e Mezanino a R$ 25,00
Venda: Na bilheteria do Teatro da Ufes e no site tudus.com.br
Clas.: 12 anos

