O forró pode ser declarado como patrimônio imaterial do Brasil até meados de 2021. Isso porque o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) iniciou pesquisa nos nove estados do Nordeste, mais o Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo para identificar a forma de expressão que além de gêneros musicais, diz respeito a festas e interações sociais ao som da sanfona, da zabumba, do triângulo, entre outros.
Segundo Elisa Machado, superintendente do Iphan no Espírito Santo, os patrimônios imateriais são práticas de indivíduos ou manifestações culturais consideradas importantes para a sociedade. “Eles são transmitidos de geração em geração e podem ser recriados. Há uma interação com a natureza e com a história, e isso gera um sentimento de identidade”, explica ela.
No Estado, o principal campo da pesquisa será em Itaúnas. É na pacata vila localizada no município de Conceição da Barra, no extremo norte capixaba, que as principais manifestações do gênero no Estado são contempladas. O local, inclusive, é conhecido como a “Capital Nacional do Forró”.
No mês de julho, mais especificamente nos dias 17 e 18, acontece um dos primeiros contatos dos pesquisadores com as particularidades do forró no Estado: a realização de um fórum que acontece ao mesmo tempo do Festival de Forró de Itaúnas (Fenfit).
“É uma oportunidade para que os forrozeiros participem e contribuam com informações para complementar esse dossiê para a pesquisa”, destaca Elisa Machado.
Carlos Sandroni, coordenador da pesquisa que começou em junho de 2019, concorda. Para ele, o fórum será a oportunidade de conhecer e se informar sobre a situação do forró no Espírito Santo. “O elemento mais direto é o festival, que estará acontecendo. A partir dele e do fórum vamos colher o maior número de informações”, explicou.
Ainda de acordo com Sandroni, o possível reconhecimento do forró como patrimônio imaterial pode ser uma oportunidade de sublinhar a relação do Brasil atual com suas cidades do interior. “É uma maneira de pensar a identidade brasileira sem esquecer suas raízes do interior”, diz ele.
E no meio disso tudo entra Itaúnas, a vila que anualmente recebe pessoas de todo o mundo para o Festival Nacional de Forró. “Quando você pensa que Itaúnas congrega pessoas do mundo inteiro, você pode pensar que o futuro pode estar no reconhecimento da cultura da cidade pequena”, opina Carlos Sandroni.
