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“Eu Plural” do pianista capixaba Pedro Ferna

O pianista capixaba Pedro Ferna não quer transmitir uma imagem classuda ou erudita. Tanto que “Eu Plural”, seu EP de estreia, não é o que podemos ...

“Em momentos de pandemia, nós não podemos ser o 'eu plural'”, diz Ferna.

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O pianista capixaba Pedro Ferna não quer transmitir uma imagem classuda ou erudita. Tanto que “Eu Plural”, seu EP de estreia, não é o que podemos chamar de um registro de pianista. Para ele, seu lugar sonoro é outro.

Com músicas de apelo pop, o trabalho contém apenas quatro faixas. Mas quatro músicas que buscam sintetizar os diferentes “Eus” do músico. Daí o nome do EP, que remete à pluralidade.

“Essas músicas foram escritas na pandemia, quando estava aquele cenário mais ‘bad’, no ano passado. Fiz essa reflexão da pluralidade das coisas que não estou podendo ser”, introduz ele.

E continua: “O ‘Eu Plural’ aborda quatro temáticas da vida do indivíduo: lazer, trabalho, distração e a saudade. E a chave desse EP é que, em momentos de pandemia, nós não podemos ser o ‘eu plural’. O eu completo. O eu lazer. E o eu trabalho também é diferente e as distrações não são as mesmas”, diz.

“Em momentos de pandemia, nós não podemos ser o 'eu plural'”, diz Ferna. (Foto: Divulgação)

Para reforçar essa narrativa, as músicas ganham como aliado o audiovisual. É que cada faixa recebeu um videoclipe, que já está no canal de YouTube do artista.

Por exemplo, “De Bike, de Caiaque” sintetiza o “eu lazer”, na visão do músico. O clipe foi filmado em Vitória e mostra Ferna pedalando à beira-mar.

Os outros três vídeos seguem na mesma linha, sempre lado a lado com o que a letra transmite.

Em “Do Cais para Casa”, gravado na praia de Regência, em Linhares, no Norte do Espírito Santo, Ferna traz o “pescador do velho mar”, em analogia ao trabalhador da ilha de Vitória.

Nas imagens. ele aparece de terno e gravata. “O pescador está vestido assim porque o terno é o arquétipo de trabalho”, explica.

A distração também tem seu lugar em “Me Distraio” e a saudade dá as caras em “Ensaio Sobre a Saudade”. “Neste último clipe, quando todos os ‘eus’ se encontram com a saudade, eles se completam”, afirma o pianista, que está prestes a lançar novo trabalho.

“Tenho um EP quase finalizado chamado ‘Camerino’, que vai contar a história da minha experiência na Itália e vai ter até uma música cantada em italiano”, anima-se o músico sobre o seu novo EP.


“Para fazer o contraponto”


AT2 Lançou o EP audiovisual “Eu Plural”. O que quis transmitir com as músicas e os clipes?

Pedro Ferna Ele aborda essas quatro temáticas da vida do indivíduo: lazer, trabalho, distração e a saudade. A chave do EP é que, em momentos de pandemia, nós não podemos ser o eu plural. O eu completo. O eu lazer. E o eu trabalho também é diferente, por causa do home office. Além disso, as distrações não são as mesmas.

Por que “Eu Plural”?

Porque são muitos eus. No início, as músicas nasceram como singles. Eu só tive a ideia de juntar as quatro para fazer o EP depois. E ele foi surgindo assim que tive essa concepção de que eu agruparia as canções.

Quando decidi fazê-lo, bati o martelo e a produção das coisas foram caminhando para culminar nesse grupo. Pensei também em separar alguns clichês, como amor e ódio. Queria algo mais sincrético. Lazer e trabalho são coisas com que as pessoas se identificam.

Depois de mais de um ano, você conseguiu se reconectar com alguns dos seus “eus”?

Com o fato da curva apresentar uma certa melhora, eu, enquanto profissional da música, não posso deixar de cumprir meus compromissos. Com a melhora da pandemia, voltam os eventos nos bares. Com essa tolerância, eu volto, mas não volto. Não é algo que se resolveu. Então, não é o eu na completude. São períodos de adaptação.

É pianista, porém seu trabalho é diferente.

É.  Venho surgir na cena autoral para fazer o contraponto do pianista classudo, erudito. O piano é a ferramenta. Tenho a roupagem do pianista popular moderno. É o contraponto do erudito. 

Musicalmente, ouço muita coisa do folk e do jazz. Faço licenciatura na Fames e sou do Centro de Formação Musical (CFM) Piano Popular. Com isso, a relação com ouvir música mudou um pouco por conta de aprender o universo do jazz e da bossa nova. Quando eu não tinha acesso a esse conteúdo, as opções eram mais finitas. Depois, o nível do arranjo e da composição deu uma polida. 

Disso tudo, tento fazer esse som do piano. Trazendo o frontman pianista de volta à tona. Uma referência é o Tom Jobim, no jeito de tocar piano e cantar.

E suas letras? O que quer transmitir com o que escreve?

Escrevo a minha visão de mundo sobre as relações humanas. É uma visão minha sobre as relações humanas, a troca, a experiência, o aprendizado. Esse EP diz um pouco sobre mim, mas é só o início da mensagem.

Nos vídeos, tudo é leve e colorido. Bem diferente do que estamos vivendo na pandemia. Isso foi algo proposital?

Tentei não associar à pandemia, para que esse seja um trabalho atemporal. A arte é uma reflexão de um momento, e eu quero propor uma fuga dessa parada. Não uma fuga como irresponsabilidade.

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Disse que vai lançar um novo EP chamado “Camerino”. Pode falar mais sobre ele?

O nome vem de uma comuna italiana onde morei durante um tempo, quando era estudante de Arquitetura. A história dele é a minha: onde começo achando tudo irado e, depois, percebo que moro num lugar a que não pertenço, e é hora de voltar para casa.

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