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Filho de Mussum relata racismo e diz que foi “escoltado feito bandido”

"O que aconteceu ontem foi surreal: eu tentando provar que não roubei minha própria moto", disse Igor Palhano

"O que aconteceu ontem foi surreal: eu tentando provar que não roubei minha própria moto", disse Igor Palhano, filho de Mussum

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O dentista Igor Palhano, de 30 anos, filho do humorista Mussum denunciou que foi vítima de racismo em suas redes sociais ao ser impedido de deixar o estacionamento do Park Shoping Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, com sua moto sob a alegação de que o veículo seria roubado.

O caso aconteceu na noite da quarta-feira (2), após os seguranças do local pedirem para ver os documentos de sua moto e o impedirem de deixar o local. Apesar de achar a situação estranha, ele apresentou os documentos, mas ainda assim, foi cercado por um grupo de seguranças.

Palhano procurou a administração do shopping e o Serviço de Atendimento do Consumidor – que já estava fechado -, para reclamar e, após impasse, conseguiu sair do local.

“Primeira vez na vida que eu sofro racismo na vida porque eu não posso sair do shopping. Estão alegando que a minha moto é roubada. Nunca vi isso na minha vida: shopping pedir documento e habilitação. Mesmo assim, eu dei”, diz ele em um trecho do vídeo.

Igor afirmou que além disso, ele ainda foi escoltado até a saída pelos seguranças. Agora, o dentista afirma que já acionou seu advogado e pretende tomar atitudes legais. “Acho que só por eu ser filho do meu pai isso conseguiu vir à tona, graças a Deus. Porque se fosse com qualquer outra pessoa negra, com certeza não teria voz. Eu vou procurar meus direitos sim, eu quero que eles se responsabilizem por isso sim, por esse crime.”

Antes de conseguir ser liberado, ouviu tentativas de minimizar a situação dos próprios seguranças, de que se tratava de procedimentos do shopping, norma de segurança e que ele “tinha que entender, né?”.

“Eu nunca tinha vivido uma coisa assim na minha vida. Claro que já vi olhares estranhos, situações de chegar em uma clínica onde atendia e a pessoa perguntar se o dentista estava vindo atender, mas sempre fazia como meu pai, tentava brincar e passar por cima. O que aconteceu ontem foi surreal: eu tentando provar que não roubei minha própria moto”, disse .

O dentista contou ainda que a sensação durante e depois do ocorrido era de humilhação.

“Não fiquei magoado, mas me senti humilhado: eu ali, naquela situação, com três, quatro seguranças me cercando, as pessoas passando com aquele olhar de acusação. Nunca tinha passado por isso”, disse Igor, que já morou na Europa, e tem outras motos, além da que da pilotava na última quarta-feira.

“Tudo é tão surreal que, para você ter uma ideia, eu agora estou com medo de ir ao shopping. Não sei se alguém vai me seguir, se marcaram a minha cara”, diz.

 













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Igor contou ainda que foi procurado pela administração do Park Shopping para esclarecer os fatos, mas teria que ir até o local, responder um questionário e explicar porque entrou por um determinado acesso do estabelcimento.

“Eu entrei porque não tinha placa de onde é a entrada de moto, mas até isso agora vão usar de justificativa para explicar o que aconteceu. Surreal”, diz.

Em nota ao G1, o ParkJacarepaguá afirmou que está apurando o caso internamente.

“A administração do shopping informa que está apurando o caso internamente. A empresa esclarece ainda que repudia qualquer tipo de discriminação.”

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