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“Hoje, homem de palavra é um herói”, disse Montagner em entrevista ao AT2

Domingos Montagner como Santo, em novela. Foto: Reprodução / Internet. Em poucos minutos de conversa, ele se interrompe ao perceber que usou uma ...

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Domingos Montagner como Santo, em novela. Foto: Reprodução / Internet. Domingos Montagner como Santo, em novela. Foto: Reprodução / Internet.

Em poucos minutos de conversa, ele se interrompe ao perceber que usou uma palavra duas vezes. Aos risos, justifica: “Quando a gente passa dos 50, começa a falar ‘antigamente’, né? Tenho falado muito isso”. São 54 anos na verdade, ele não tem problemas em confessar. Pudera. Hoje, Domingos Montagner arranca suspiros do público e deixa qualquer galã de 20 anos no chinelo. Mas não se envaidece.

Para ele, os suspiros são para um outro homem: Santo, papel que vive na televisão, um verdadeiro herói. “Um homem de verdade é um homem de palavra. Hoje, ser um homem de palavra é ser um herói. E Santo é assim”, acredita.

O conceito de “homem de palavra ” parece mesmo coisa de “antigamente”. Mas não está esquecido para esse paulista que tem as suas raízes no circo. “Não me vejo como um herói, claro. Mas eu compactuo desse espírito de superação. E também desse valor que ele dá à sua palavra. Levo a minha vida de acordo com os meus valores, amo o que faço e sou grato por tudo o que conquistei”, explica o ator.

Nos cinemas do Estado, um outro Domingos, um amante latino, um sedutor. Ele confessa que se divertiu muito como Corvo, um artista de circo que é contratado por Chico (Caco Ciocler) para conquistar a esposa, Nena (Ingrid Guimarães), em “Um Namorado para Minha Mulher”. “Ele acaba conseguindo, encantando a Nena”, conta o ator, antecipando um resultado que parecia previsível.

AT2 Em “Um Namorado para Minha Mulher”, Corvo é um artista de circo, ou seja, é você no papel. O que achou disso?

DOMINGOS MONTAGNER Para mim, foi um presente maravilhoso. O circo precisa de visibilidade. É uma grande referência de arte e de encantamento para as pessoas, mas recebe pouca atenção das políticas públicas. O mundo mudou e manter-se tradicional na linguagem de lona é muito difícil. Foi muito emocionante e importante levar o circo para o cinema.

>No filme, Chico te contrata para seduzir a mulher dele, mas se arrepende. Só que a traição existiu. Dá para superar? Isso é muito individual. Acho que é possível que o amor supere tudo, mas não é obrigatório. Temos que ter liberdade para tomar nossas decisões, optar. Cada um faz seu julgamento. O amor não é obrigado a superar tudo. Superar algo ruim em uma relação é possível, mas não é obrigatório.

> Disse que há muitas regras hoje. Sim. Antigamente, você discordava e pronto, ficava por isso mesmo. Agora, tudo é um problema. Vivemos um momento de patrulhamento constante do comportamento do outro. É importante questionar isso, porque é uma grande bobagem.

> Você é visto como galã. Isso o envaidece?

Não, não altera em nada. É uma armadilha. Não posso me prender a esse tipo de imagem, porque, quando você tem muita visibilidade, as pessoas perdem o controle da sua imagem. Mas eu não posso perder o controle de quem sou de verdade. Não posso acreditar na imagem que fazem de mim, entende?

> Entendo.

Essa imagem que o meu trabalho proporciona é efêmera. Procuro me centrar em coisas mais sólidas, no meu ofício de ator, de palhaço. Sou só um ator. Sou só um palhaço. O êxito em um trabalho é mais importante do que o sucesso. Sou responsável pelo êxito. Não pelo sucesso.

Paula Dell’Isola

Entrevista publicada no AT2 em 3 de setembro

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