- Vitória, ES 30°C

Vitória 30°C

Anúncio
Famosos

Morre o ator Tarcísio Meira aos 85 anos, vítima da Covid-19

O ator Tarcísio Meira morreu nesta quarta-feira (12), aos 85 anos de idade, vítima do coronavírus. Ele estava internado desde o dia 6 de agosto, no ...

Última atualização

Tarcísio Meira e Glória Menezes (Foto: Lucas Ramos / AgNews)

O ator Tarcísio Meira morreu nesta quarta-feira (12), aos 85 anos de idade, vítima do coronavírus. Ele estava internado desde o dia 6 de agosto, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. A atriz Glória Menezes, sua mulher, também está internada por complicações da covid-19, mas seu quadro era mais leve. Tarcísio Meira chegou a ser intubado e fazia diálise contínua.

Ambos receberam a 2ª dose da vacina contra Covid em março deste ano, na cidade de Porto Feliz, no interior de São Paulo. Por conta disso, muitas pessoas estão aproveitando para questionar a eficácia  das vacinas ou preocupadas com a morte do ator, mesmo estando com o esquema vacinal completo. 

Em seu Instagram, nesta quinta-feira (12), o médico cardiologista Henrique Bonaldi explicou o que acontece nesses casos e pediu que as pessoas não deixem de se vacinar contra a covid-19, uma vez que a proteção é comprovada.

“Quando o cara analisa se a vacina é boa ou ruim, ele testa isso em mil pessoas, duas mil, três mil. E aí, nessas pessoas que ele testou, deu 100% de efetividade. Ninguém morreu e ninguém ficou grave. Só que isso vai escalonando, para 30 mil, 300 mil, 30 milhões… E aí quando você escalona em muita gente vacinada, infelizmente pode ter um 0,001% da população que ainda vai padecer mesmo vacinada, que infelizmente entra para a estatística dos mortos pelo covid”, diz o especialista.

Bonaldi ainda continua: “Isso quer dizer que a vacina não funciona? De jeito nenhum. A gente está vendo o mundo inteiro parar de usar máscara porque estão sendo vacinados e, apesar disso, volta e meia, de vez em quando vai sobrar um infeliz caso de morte pela covid-19, mesmo sendo vacinados”.

Assista à explicação do cardiologista na íntegra:

<blockquote class=”instagram-media” data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink=”

Carreira de Tarcísio

Tarcísio Meira foi um dos maiores atores brasileiros. Em 1961, no começo de sua carreira, o jovem artista, com 26 anos, recebeu seu primeiro prêmio. Foi o ator revelação daquele ano pelas novela Maria Antonieta. Tarcísio venceria outras vezes o troféu Imprensa ao longo de sua carreira.

Foi premiado pela APCA (em 1976 e 2001), em 2005 Glória Menezes e ele receberam o Troféu Oscarito no Festival de Gramado e mais recentemente, em 2016, ganhou todos os prêmios importantes de teatro, incluindo o Shell, por sua interpretação em O Camareiro.

Aos olhos do público, ele é fundamentalmente um ator de televisão, e a lista de especiais e novelas é imensa – ocuparia o espaço desse texto. Mas Tarcísio fez também teatro e cinema. Foi o jovem Dom Pedro de Independência ou Morte, de Carlos Coimbra, e o Cristo militar de Glauber Rocha, em A Idade da Terra.

Foi Quelé do Pageú no Nordeste de Anselmo Duarte e foi Marcelo, o personagem emblemático de Walter Hugo Khouri em Eu.

Tarcísio Meira nasceu no dia 5 de outubro de 1935, em São Paulo. Por parte de pai, há informações de que descendia da aristocracia sul-mineira e investigações genealógicas chegaram até o mítico Mártir da Independência, Tiradentes.

Por parte de mãe, descendia de não menos notáveis troncos paulistas, os Arruda Botelho, os Paes Lemes, os Cerqueira César.

Sua estreia no teatro foi em 1957, com a peça A Hora Marcada. Na televisão, apareceu pela primeira vez num teleteatro – Noites Brancas, na TV Tupi, quatro anos depois. Também em 1961, contracenou com a também jovem Glória Menezes em outro teleteatro, Uma Pires Camargo. Casaram-se, e viraram um dos casais mais conhecidos da arte da representação no Brasil.

Com Glória, protagonizou, em 1963, a primeira novela diária da TV brasileira, 2-5499, Ocupado, na Excelsior. O resto é história. Foram para a Globo, fizeram um monte de novelas, juntos e separados. Fizeram cinema, juntos (A Máscara da Traição, Independência ou Morte) e separados.

Na Globo, estrearam com Sangue e Areia, em 1968. Entre os sucessos dele estão Irmãos Coragem, Cavalo de Aço, O Semideus, Escalada (o primeiro APCA), Saramandaia, Espelho Mágico, Guerra dos Sexos, Roque Santeiro, Senhora do Destino, etc. E os especiais – O Tempo e o Vento, Grande Sertão – Veredas, Hilda Furacão, A Muralha (segundo APCA).

No cinema, não lhe faltaram papéis desafiadores, incluindo o policial violento e corrupto – Mateus – de República dos Assassinos, que Miguel Faria Jr. adaptou, em 1979, do livro de Aguinaldo Silva sobre os esquadrões da morte.

Com Khouri, fez também o Dr. Osmar de Amor, Estranho Amor e o filme de 1982 deu origem, mais tarde, a uma complicada disputa de direitos autorais, quando Xuxa Meneghel, convertida em rainha dos baixinhos, brigou na Justiça por sua interdição.

Foi o Boca de Ouro na insatisfatória versão da peça de Nelson Rodrigues por Walter Avancini (com Claudia Raia e Luma de Oliveira) e interpretou-se a si mesmo no experimental Anabazys, de Joel Pizzini e Paloma Rocha.

Chegou a um ponto em que não era só um ator. Virou uma instituição brasileira – uma persona no imaginário do público, que olhava para Tarcísio e conseguia ver, por meio dele, toda uma história do audiovisual, cinema e TV, no País.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.