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“Os homens precisam tirar as máscaras”

Não é todo dia que se pode conversar com “Deus, o Todo-Poderoso”. Ou com o “Diabo”. Rafael Infante já foi ambos, em esquetes de humor do Porta dos ...

"Eu vejo todo mundo meio deprimido, ansioso, infeliz, com dificuldade de confiar em si mesmo. Isso é comum hoje em dia. E nós temos que caminhar juntos, nos ajudar” - Rafael Infante

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"Eu vejo todo mundo meio deprimido, ansioso, infeliz, com dificuldade de confiar em si mesmo. Isso é comum hoje em dia. E nós temos que caminhar juntos, nos ajudar” - Rafael Infante (Foto:  Oseias Barbosa/Divulgação)Não é todo dia que se pode conversar com “Deus, o Todo-Poderoso”. Ou com o “Diabo”. Rafael Infante já foi ambos, em esquetes de humor do Porta dos Fundos e solta uma gargalhada.

“As pessoas ainda comentam sobre esses vídeos. A esquete de Deus mudou a minha vida”, diz, pelo telefone, ao AT2.

A conversa divertida e veloz – Rafael fala extremamente rápido – assume um tom mais sério e confortável quando chega no que, para ele, é o que realmente importa: falar sobre sentimentos.

“É preciso conversar sobre isso, os homens precisam tirar as máscaras. Essa foi uma tentativa”, explica ele sobre um vídeo recente em suas redes sociais. Nele, o carioca de 33 anos, convida os homens a falar sobre sentimentos e a curar juntos os medos e ansiedades. “Vamos falar sobre isso?”, diz ele, ao final.

“Fiz o vídeo porque homem não fala sobre sentimentos. A mulher tem muito mais facilidade de falar sobre isso. Eu vejo todo mundo meio deprimido, ansioso, infeliz, com dificuldade de confiar em si mesmo. Isso é comum hoje em dia. E nós temos que caminhar juntos, nos ajudar”, acredita ele, que interpreta o Pablo na novela “Bom Sucesso”.

“Ele mostra o que é viver aprisionado. É muito triste” – Rafael Infante, ator

AT2: Já tem experiência como ator, mas é a sua primeira novela. É diferente?
Rafael Infante: É muito diferente. E é isso que dá um tesão, né? Eu adoro projetos diferentes, adoro estudar, evoluir. Então, tudo isso dá um frisson bom.

AT2: Começa vivendo um galã e esse rótulo não é novidade para você. Você se importa?
Rafael Infante: Nem um pouco. Eu acho o máximo. Eu passei pelo humor, então acaba que a gente pode construir e desconstruir tudo isso, brincar um pouco.

Mas eu não sou uma pessoa apegada a rótulos. Não mesmo. Não acredito na exaltação, nem na depreciação.

Não é que eu desdenhe dessa coisa de galã. Mas não sou de supervalorizar um rótulo, isso não me seduz. Mas, claro, se Deus quiser, ainda quero poder construir galãs, vilões e tudo mais que vier pela frente. Eu quero bons projetos. É isso!

Rafael Infante entre os colegas de “Bom Sucesso” Romulo Estrela, Fabíula Nascimento, Armando Babaioff, Sheron Menezzes e Ingrid Guimarães (Foto: Reprodução Instagram)AT2: Pablo, de “Bom Sucesso” , levanta a discussão do que é ser verdadeiro. Em tempos de redes sociais, é difícil saber quem é quem?
Rafael Infante: Sim, exatamente. Todo mundo quer ser feliz, bem-sucedido e, muitas vezes, mostrar uma mentira. Ele não só é um cara que mostra uma mentira, como é um cara que mostra a prisão de ser algo que não é. Ele mostra o que é viver aprisionado. Isso é muito triste.

E é muito real também, infelizmente, porque estamos em uma era em que todo mundo está deprimido. Todos presos à ideia de se mostrar perfeito. Todos presos a uma imagem que não corresponde à sua verdade interna.

AT2: Como lida com essa vida virtual? Isso te interessa?
Rafael Infante: Por causa do meu trabalho, eu tenho que estar presente. Mas me observo. Se acho que estou girando para um estado de ansiedade, é hora de parar. Me policio.

AT2: O apego à imagem é geral ou é mais exacerbado na TV?
Rafael Infante: Acho que não está restrito ao mundo do entretenimento. Nós é que construímos uma sociedade de tal maneira que permitiu que a imagem seja mais importante do que todo o resto, do que o que a gente realmente é.

AT2: Prefere encontrar a turma a conversar pelas redes?
Rafael Infante: Ah, eu costumo preferir encontrar as pessoas. Hoje em dia, está todo mundo tão apressado… Mas eu sou mais o contato pessoal. Eu sou do olho no olho.

AT2: Há notícias de vai rolar beijo gay na novela.
Rafael Infante: Por ser uma novela das sete, todas as questões são levantadas de forma mais divertida. Mas todos que estão ali são muito reais, todas as questões que estão sendo tratadas são reais e possíveis.

Ninguém fala sobre beijos héteros. A questão do beijo, falar sobre ele, é uma bobagem, é muito cafona fazer isso. Isso não é nada, não quer dizer nada. Isso só é importante em uma sociedade retrógrada como a nossa.

Rafael Infante (Foto: Divulgação)AT2: Seu núcleo também mostra o vale-tudo pela fama. Vale?
Rafael Infante: Isso é algo tão distante para mim… Acho esse negócio de tentar ser famoso bem cafona, para te falar a verdade. Eu admiro os artistas pelo que eles fazem, pela sua obra. E não pelo que eles comeram no sábado.

De qualquer forma, é legal falar sobre isso e de forma bem-humorada. O riso tem isso. O riso é uma ferramenta poderosa para fazer pensar.

AT2: Já era bem-sucedido no humor. Há uma pressão para continuar na crista da onda?
Rafael Infante: Claro que há uma pressão para fazer as coisas darem certo. Cada trabalho em que eu me envolvo é como se fosse a primeira vez. Então, eu quero que dê certo. Não é algo aritmético, mas, sim, dá vontade de acertar sempre.

AT2: Como é ser pai? Há divisão de tarefas na sua casa?
Rafael Infante: Ser pai é maravilhoso. A minha vida é dividida entre o meu período pré-pai e pós-pai. Quando você é pai, você vê tudo diferente, você está sempre bem, tem um objetivo muito claro, um propósito firme de estar ali o tempo todo para aquela pessoa.

Aqui em casa a gente é bem unido. Nós dividimos as tarefas todas. Somos uma equipe que funciona muito bem.

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