
Nos cinemas a partir da próxima terça-feira (25), Mônica Martelli tenta manter o seu casamento em “Minha Vida em Marte”. “O problema é sempre a rotina, porque ela é muito cruel”, avalia. Mas a atriz e escritora de 50 anos avisa: não vale tudo para tirar um casamento do buraco, não. “A Fernanda, assim como eu, não atura qualquer coisa pelo projeto ‘família feliz’. Ela não empurra o casamento só para manter o sonho de continuar casada”, conta.
A DR – discussão de relacionamento – promete ser superdivertida. Isso porque ao lado da protagonista Fernanda (Martelli) está seu melhor amigo e fiel escudeiro Aníbal (vivido pelo comediante Paulo Gustavo).
Com apoio incondicional do amigo supersincero, ela tenta de tudo para salvar seu casamento: desde fantasia comprada em sex shop a viagem a dois para curtir o friozinho congelante da serra.
Mas as experiências vão mostrar que Fernanda e Tom (Marcos Palmeira) se perderam. Não existe mais amor, e sim a memória do que foi bom um dia.
Enquanto resolve se salva ou acaba de vez com a relação, Fernanda vive muitas confusões na continuação de “Os Homens São de Marte… E É Pra Lá que Eu Vou” (2014), que levou mais de dois milhões de pessoas aos cinemas.
“A felicidade não está só em um tipo de amor”
No primeiro filme, a Fernanda estava à procura de um amor. Agora, ela vive uma crise no relacionamento. O que a Fernanda do segundo filme aprendeu com a Fernanda do primeiro?
Mônica Martelli – Ela aprendeu muitas coisas. A cada relação que passamos, aprendemos mais sobre nós mesmos. E a primeira coisa que ela aprendeu na vida é que não se morre de amor.
Porque, quando o relacionamento acaba, não é só o homem que sai pela porta, são todos aqueles sonhos e futuro que se vão também. Mas o principal aprendizado é que a gente consegue voltar a amar.
Quando sofremos por amor, acabamos ficando mais defendidos, e uma coisa linda da personagem é que ela se joga nos amores. Assim como eu, ela tem uma ingenuidade, uma crença de que é possível. Outra coisa muito importante desse filme é entender que podemos ser muito felizes com nós mesmos.
Como está o casamento da Fernanda?
Numa relação, há sempre o questionamento se é apenas uma crise ou se chegou ao fim. Porque a gente sabe quando é bom, e o casamento são vários ciclos bons e ruins. O problema é quando a fase ruim toma conta desse ciclo.
Para salvar um casamento, a gente viaja para tentar sair da rotina, mas o problema é sempre a rotina, porque ela é muito cruel. Quando realmente está chegando no final, sentimos que, apesar das tentativas de melhora, a coisa não rola, não existe mais aquele encontro. Isso acontece com a Fernanda no segundo filme.
Como a amizade com Aníbal (Paulo Gustavo) ajuda a protagonista?
Toda vez que nos relacionamos, criamos muita expectativa e o outro não tem nem como corresponder a tanta expectativa. A amizade do Aníbal com a Fernanda mostra o quanto ela é feliz quando está com ele.
Gosto de amar, namorar. Gosto de ter um parceiro para compartilhar as coisas, mas é muito importante a gente entender que o poder e a felicidade estão dentro da gente. E isso a Fernanda descobre na amizade com o Aníbal, que a felicidade não está só em um tipo de amor.
Como foi o desenvolvimento do roteiro?
Eu, Paulo Gustavo e minha irmã, a diretora do filme, Susana Garcia, nos reunimos três vezes por semana, por uns seis meses, para escrever o roteiro. Tudo o que vivemos na vida, nossa intimidade, levamos para o filme.
Por que o público se identifica tanto com você?
Tudo que escrevo é inspirado em mim. Acho que essa doação é o que faz as pessoas se identificarem tanto. Porque, a partir do momento que eu escrevo, já não é mais meu, vira arte, é de todo mundo.
Há muito tempo, ganhei o livro “Cartas a um Jovem Poeta” e ali dizia para escrever sobre o que está a sua volta, pois não existe cotidiano pobre, existe o olhar para o cotidiano. Tudo nessa vida já foi escrito e já foi feito. O diferencial é o olhar e a forma de fazer.
Muita gente já falou de casamento, mas esse filme é o meu olhar sobre casamento, e aí está o diferencial.
Como foi a relação com o Marcos Palmeira no set?
O Marquinhos é uma pessoa maravilhosa. Ele é o Tom perfeito porque é um cara legal. Não existe vilão nessa história, estamos todos no mesmo barco, remando juntos. Todo mundo tem que assumir sua parcela de culpa em uma relação. E o Marquinhos entendeu isso desde o primeiro filme.