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Renato Góes conta o que fez para viver Marcelo D2 no filme “Legalize Já”

Os cabelos foram cortados e a barba raspada. Perdeu de oito a dez quilos. Ainda mudou de casa, montou uma banda e virou camelô. Tudo na busca da ...

Última atualização

Os cabelos foram cortados e a barba raspada. Perdeu de oito a dez quilos. Ainda mudou de casa, montou uma banda e virou camelô. Tudo na busca da batida perfeita.

Alçado ao posto de galã da televisão durante a novela “Velho Chico”, Renato Góes não tem vaidades ou limites ao abordar um personagem. E valia tudo para ser Marcelo Peixoto, hoje Marcelo D2, em “Legalize Já – Amizade Nunca Morre”, em cartaz nos cinemas. 

“Meus dentes hoje são de porcelana mesmo, fazer o quê? Raspei os dentes para fazer o filme ‘Por Trás do Céu’. O personagem pedia isso, então raspei. Acabou o papel, coloca porcelana e pronto.

Emagreci para fazer o D2, fiquei oito meses vivendo como ele e fui a uma turnê do Planet Hemp. Se precisar engordar, engordo. Faço o que for preciso por um personagem”, conta o pernambucano de 31 anos em conversa por telefone com o AT2.

O filme de Johnny Araújo e Gustavo Bonafé fala sobre a amizade entre D2 e Skunk, músico que morreu vítima do vírus HIV, justamente quando a banda que ele havia idealizado chegou ao sucesso. 

Renato Góes no papel de D2 e Ícaro Silva como Skunk, que morreu de HIV (Foto: Divulgação)

“Não é só sobre maconha. É uma história de amor. É um grito de liberdade. Um pé na porta. É reconhecer que você tem o seu espaço no mundo”, diz o próprio D2 sobre o filme.

 (Foto: Divulgação)

“Legalize tudo: o amor, o respeito”

Por que contar essa história. O que te seduziu nela?
Renato Góes Entre 14 e 16 anos, eu tive contato com o Planet através de um amigo carioca que apareceu com o disco dos caras no colégio. Era a transgressão total naquele contexto social em que a gente vivia, e absolutamente necessário. E o que impressiona é que continua sendo. Quando eu li o roteiro do filme, vi que seria um presente ainda maior, porque é uma história de encontro, de esperança e de resistência.

Que faz sentido hoje, não?
Totalmente. Vejo que o filme está sendo lançado no melhor momento possível, porque casa muito bem com tudo o que estamos vivendo. Infelizmente, estamos gritando pela mesma coisa. Os avanços que a gente queria não foram feitos e ainda temos aqueles que gostam do retrógrado. Uma parte da massa vai se cegando, de uma forma confortável, e caminha para a alienação. Tem um grito neste filme que ainda é atual.

Legalize já o quê?
Legalize tudo: o amor, os corpos, os direitos, a liberdade, o respeito. O “legalize” aqui é exatamente isso. Esse filme é um grito de liberdade. Olhe para os lados! Há muita discussão, muita briga, até dentro das famílias, muitos absurdos. É importante se expressar, mas junto com uma grande dose de carinho e de afago.

Como viver alguém que estava no set?
(Risos) Eu não queria fazer um sósia do Marcelo, uma imitação. Eu queria entregar o Marcelo de 25 anos atrás. Eu queria encontrar aquele Marcelo sem força, sem atitude e sem esse brilho no olho que a gente vê hoje. Eu queria o Marcelo que não tinha essa voz, tanto no canto quanto no grito.

Como se preparou?
Me envolvi em tudo, vivi um tempo intensamente como ele. Por minha conta, antes de começar, eu criei uma banda, cantei em estúdio as músicas do Planet durante uns 8 meses, intensivão mesmo. Emagreci uns 8 a 10 quilos, morei onde o Marcelo morou, conheci a família dele, a banda, viajei com o Planet. Mergulhei total. E a música me ajudou muito.

É assim com todos os personagens?
O meu processo é esse. Eu não sei trabalhar de outra forma. Agora, por exemplo, eu já sei que eu vou fazer um árabe na novela “Órfãos da Terra”. E eu já estou fazendo aula de árabe, já estou lendo livros, porque eu preciso me dedicar intensamente a um personagem.

À procura da perfeição? Como na batida?
(Risos) É a procura da batida perfeita que interessa e, nisso, eu concordo com eles. Não é a batida. Essa sempre foi a minha parada: a busca, o processo. Não entrei nessa para ser famoso, nunca quis ser. Quantas vezes eu tive um processo de composição de um personagem muito melhor do que o trabalho em si?!

Tem anjos em sua vida?
Com certeza. Tenho pessoas que estão há anos na minha vida, que percebo que são verdadeiros anjos. E também há aqueles que chegaram outro dia, ou que passaram pela minha vida brevemente. Só o tempo necessário para me ajudar em algo, para me dar um levante, para me mostrar um caminho. Anjos existem e eu procuro ouvi-los.

Renato emagreceu de 8 a 10 kg, raspou  barba e cabelos e mudou de casa para “incorporar” o músico (Foto: Divulgação)

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