A musicalidade está no DNA de João Neto e Frederico. Filhos do senhor Gil Nunes, a quem chamam de professor da vida e de música, eles chegaram a se formar, respectivamente, em veterinária e agronomia.
Mas os irmãos sabem que cantar é o que realmente os movem e ter de enfrentar um câncer na tireoide fez João Neto lembrar bem disso. Afinal, após passar por cirurgia para tratar a doença, em fevereiro, o sertanejo ficou com medo de não poder mais interpretar sucessos que marcaram os 30 anos da dupla, como “Te Amo e Nada Mais”.
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“A gente vive da música de maneira tão intensa que não pensa em outra coisa, nunca pensa num plano B. Mas claro que, se acontecesse algo, a gente tinha que ‘rebolar’ para viver. Acho que teria que voltar a ser médico veterinário”, brinca o goiano de 42 anos, em conversa com A Tribuna.
De volta aos palcos desde o início de março, ele comemorou junto aos fãs nas redes sociais o fato de não precisar passar por quimioterapia. O artista foi diagnosticado com a doença no final de 2021.
“A descoberta foi bem no início, quando o câncer apareceu. Ele estava com um pouco mais de um centímetro só de um lado da glândula. Não tirei a tireoide toda, só metade da glândula, e não foi preciso fazer quimioterapia. Geralmente, esse tipo de câncer não precisa dela e nem de fazer aquele tratamento com iodo. Graças a Deus, foi só a retirada do tumor”, explica João Neto.
A dupla acaba de lançar a segunda parte do projeto “Na Intimidade”. O álbum contou com a participação do pai dos sertajenos.
“Feliz em receber tanta vibração positiva”
A Tribuna: Como foi o momento da descoberta do câncer na tireoide?
João Neto: Quando a gente descobriu, foi um baque muito grande. A gente recebeu o diagnóstico quando estava a caminho da fazenda e, na última cidade antes de chegar lá, falei para a Lorena, minha mulher: “vê se saiu o resultado, amor”.
Ficamos sabendo chegando em casa, dia 23 de dezembro, para o Natal. Tentamos esconder da minha mãe e do meu pai, mas não teve jeito. Tivemos que contar. Mas fiquei apreensivo, com medo. Custei a acreditar no primeiro momento. Mas, graças a Deus, os médicos foram nos tranquilizando e a situação ficou melhor.
Em algum momento, você ficou com medo da doença afetar a sua voz, sua principal ferramenta de trabalho, e, consequentemente, sua carreira?
Foi o que mais me deixou com medo, a possibilidade de afetar os nervos das cordas vocais. Mas, graças a Deus, saí de lá conversando. Logo depois da cirurgia, o médico falou brincando comigo: “já fiz 3 mil cirurgias iguais a essa, mas, na noite anterior a sua, eu não dormi de preocupação”.
Ele foi descoberto durante um exame de rotina?
No final do ano, a gente faz aquele check-up geral. Mas o lance do ultrassom da tireoide foi algo bem inesperado. A médica perguntou se eu já tinha feito alguma vez e disse que não. Nunca senti nada, nunca tive nada, os exames laboratoriais estavam normais, então foi um achado mesmo. Por isso, temos que fazer esses exames sempre.
Recebeu muitas mensagens de apoio. Os fãs, a família e seu parceiro musical foram seu alicerce nesse momento?
Essas manifestações de carinho, amor, segurança que a família passa, e até as crianças passam, de maneira inocente, são o que move a gente. Fiquei feliz de receber tanta vibração positiva e isso deixa a gente muito grato, de saber que tem tanta gente que tem um carinho especial por nós. Fiquei muito feliz por essa manifestação toda. Foi algo que me surpreendeu muito.
Podemos dizer que venceu essa batalha?
Estou praticamente 100%. Mas tem que fazer o acompanhamento durante cinco anos. É preciso acompanhar de seis em seis meses, depois de ano em ano. O médico só vai me dar alta mesmo depois de cinco anos. É um protocolo que eles têm. Mas estou super bem. Vou ter que repor pouca coisa de hormônio, mas estou muito feliz, só gratidão!