Conciliar maternidade com a carreira na televisão às vezes parece algo complicado. “Mas a gente sempre dá um jeito”, afirma, bem-humorada, a atriz Maria Eduarda de Carvalho, 36.
A mãe da Luiza, de 9 anos, fruto do casamento com o cineasta Snir Wine, vê o lado positivo desse desafio diário. “A verdade é que me sinto uma atriz melhor por ser mãe. E acho que sou uma mãe melhor por amar o que faço e por não abrir mão da minha carreira”.
Atualmente na novela “Éramos Seis” como Olga, casada com Zeca (Eduardo Sterblitch) , a atriz diz ter uma rede de apoio para cuidar da filha. “Conto muito com minha mãe e minha avó, além da Nalva, que trabalha para mim e é muito companheira de minha filha”, diz.
E a ruiva já tem planos fora da TV. Trata-se de um roteiro de filme sobre a relação entre uma avó e um neto adolescente. “Em tempo de total intolerância, esta história fala de como é possível crescer através do diálogo com a diferença”, explica ela.
E, quando a novela acabar, a dobradinha com Sterblitch pode rolar novamente, mas no teatro. “Já comecei a escrever o texto!”.
“São 24 anos de vida na arte… Já deu pra ter aprendido algo”
Olga é um personagem de humor. Como é fazer um trabalho com esse tom?
Maria Eduarda de Carvalho – Interpretar Olga é um imenso prazer e também uma grande honra. Assisti à versão de “Éramos Seis” exibida pelo SBT (em 1994). Ri muito com a Olga e o Zeca, de Denise Fraga e Osmar Prado. Também me emocionei intensamente com Irene Ravache e Otton Bastos, como Lola e Julio.
Onde buscou inspiração para viver Olga?
Acho que me inspirei bastante na própria Denise Fraga, que é uma atriz que me inspira na vida. Também lancei mão de meu arsenal de recursos internos como atriz. São 24 anos de vida na arte… Já deu pra ter aprendido algo.
Como tem sido fazer essa parceria em cena com o Eduardo Sterblich, que é um humorista?
Eduardo é um parceiro sensacional. Um ator genial. Tivemos um encontro raro, porque, muitas vezes, nossa comunicação na cena se dá para além do diálogo.
Na novela, Olga é mãe e você também tem uma filha, a Luiza. Como concilia a carreira com a maternidade?
Conto muito com minha mãe e minha avó, são parceiras importantíssimas nessa jornada, além da Nalva, que trabalha para mim e é muito companheira de minha filha. Às vezes, é bem caótico, mas a gente sempre dá um jeito. A verdade é que me sinto uma atriz melhor por ser mãe. E acho que sou uma mãe melhor por amar o que faço e por não abrir mão da minha carreira.
Você escreveu o roteiro de um filme e está em fase de captação de recursos para dirigi-lo. Fala mais sobre esse projeto?
O roteiro trata da relação entre uma avó e um neto adolescente. Dois seres absolutamente diferentes que, por uma circunstância do destino, vão precisar conviver. Em tempo de total intolerância, esta história fala de como é possível crescer através do diálogo com a diferença.
Além do filme, tem outros projetos para o pós-novela?
Tem também o projeto de um espetáculo teatral com o Edu. Já comecei a escrever o texto!
Estamos correndo atrás de patrocínio. Seria lindo conseguir estrear ainda no primeiro semestre deste ano.
O que ela diz
“Gincana”
“É uma gincana constante e ininterrupta conciliar carreira com maternidade. Assim que meus roteiros saem, a primeira coisa que faço é entender como será a logística de vida de Luiza naquela semana, para, só então, organizar meus compromissos”.
Avó noveleira
“Eu me lembro de ver ‘Éramos Seis’ no SBT ao lado de minha avó materna, que não perdia um único capítulo. É curioso, porque as lembranças que tenho da história da trama se confundem com as lembranças da minha própria história, nesta época”.
Diversão
“Todo elenco de ‘Itapetininga’, na novela ‘Éramos Seis’, estabeleceu essa ‘conversa cênica’, que resulta em muita diversão e chega ao público na forma de um elenco bem afinado”.
Visual
“Na realidade, eu dispensei o mega hair da outra novela. Meu cabelo já estava deste tamanho. Sem dúvida, a caracterização contribui muito para a construção de um personagem e o cabelo é parte fundamental nesse processo.
O lado difícil é quando o trabalho termina e você precisa se entender com os restos mortais daquilo que um dia foi o seu cabelo”.
Bem-humorada?
“Talvez seja melhor fazer essa pergunta para a minha filha, ou para a minha mãe… Provavelmente, você terá uma resposta mais fidedigna!
O que me tira o humor? Qualquer declaração do prefeito e do governador (do Rio de Janeiro), Marcelo Crivella e Wilson Witzel, respectivamente, ou do presidente Jair Bolsonaro”.
Importância da arte
“A arte constrói pensamentos críticos, a cultura é a base da nossa identidade. Um povo que desconhece e desvaloriza suas raízes, seus costumes, sua história, desconhece a si mesmo e acaba refém de qualquer discurso manipulador, por mais esdrúxulo que ele seja”.
