Considerada a primeira mulher a se tornar uma celebridade das mídias sociais no Paquistão, Qandeel Baloch, de 25 anos, foi morta pelo próprio irmão neste sábado (16). Segundo a polícia, o assassinato pode ter sido um “crime de honra”, já que a jovem contestava os costumes locais em seus vídeos.
A jovem, cujo verdadeiro nome é Fauzia Azeem, foi estrangulada por Muhammed Wasim na casa de seus pais na cidade de Multan, na província oriental de Punjab, afirmou o chefe da polícia local, Azhar Akram.

A família conservadora de Qandeel não apoiava suas produções divulgadas na internet, de acordo com o site “The New York Post”. “Aparentemente, foi um crime de honra, mas outras investigações vão revelar os reais motivos por trás desse assassinato”, informou a porta-voz da polícia local, Nabeela Ghazanfar.

A jovem, cujo nome real é Fauzia Azeem, tinha mais de 700 mil seguidores no Facebook. No entanto, além de elogios e apoio, ela recebia diversas ameaças de morte e xingamentos por conta de seus vídeos, considerados pelos paquistaneses mais ortodoxos como escandalosos.
Nas fotografias e vídeos de poucos segundos que Qandeel publicava, ela aparecia com roupas e poses sensuais.
Tragédia
A presidente da Comissão de Direitos Humanos do Paquistão (RHCP), Zohra Yusuf, confirmou à Efe que o assassinato da jovem “é outro caso de crime de honra”, e revelou que este pôde ser motivado pelas polêmicas fotos bastante comentadas nas redes sociais.
Segundo a HRCP, neste ano 262 mulheres morreram vítimas de crimes de honra, 84 delas por escolher marido sem a permissão da família e 149 por manter “relações ilícitas”.
Os chamados “crimes de honra” são muito frequentes no sul da Ásia e costumam envolver familiares que consideram uma afronta o que transgredir a conservadora moral tradicionalista.

