Do rei do rock à bossa nova, dos rapazes de Liverpool à Tropicália, dos Festivais da Canção à Jovem Guarda. Os anos rebeldes estão de volta em uma festa de arromba. Ou um musical “nível Broadway”, ela diz.
E ela sabe o que fala. É a Ternurinha. Ao lado dos “irmãos de alma” Roberto e Erasmo Carlos, Wanderléa ditou moda, cantou, encantou e foi na contramão de tudo o que o pai pregava na época.
Ainda hoje, aos 71 anos, conversando com o AT2 sobre “60! Década de Arromba”, ela se diz uma rebelde. “Sou uma velhinha ‘prafrentex’. Ainda desfilo com a minha saia curta”, conta, às gargalhadas.
No musical, Wandeca, como é chamada, canta clássicos como “Pare o Casamento”, “Prova de Fogo” e “Nossa Canção”. E tem mais. São 20 cenários, 300 figurinos, 24 atores e 20 músicos para cantar tudo o que marcou os anos 1960. E aí cabem muitos sucessos: Caetano, Gil, Vinicius de Moraes, Beatles, Elvis Presley e muito mais. De fato, uma grande festa!
“Depois dos 60, entreguei para Deus!”
AT2 – Como vão ser essas duas noites em Vila Velha?
Wanderléa Estou tão feliz! Tenho uma sobrinha aí, que é a única pessoa da minha família que ainda não viu o show e vai estar lá. E eu adoro o Espírito Santo!
O espetáculo é tão bonito, uma superprodução, uma aula sobre os anos 60, essa fase tão rica! Tudo é realizado com maestria, nível Broadway, sabe? E a minha filha Jadde está comigo, o meu marido está comigo. Olha que delícia! Isso é maravilhoso para mim, porque, se eles não estivessem junto, eu ficaria abandonada na estrada, né? (Risos)
É mãe de Jadde, de Yasmim e acaba de receber uma neta. Uma família de mulheres.
Mulheres atrevidas! A pequena já é danada! Ela até entrou no palco do musical um dia, foi muito aplaudida. E ficou muito confortável, viu? Nasce uma estrela! (Risos)
Como é perceber que a Jovem Guarda ainda encanta?
É uma emoção enorme! Toda noite, quando eu chego em casa, eu oro e agradeço muito a Deus. Porque é tudo muito lindo. Eu nunca imaginei que o que vivi na minha juventude fosse marcar tanto as vidas das pessoas…
Sempre foi uma mulher moderna. Ainda é assim?
Eu era muito rebelde. Eu tive muitos irmãos e o meu pai, como os pais de muitas famílias daquela época, era muito rigoroso. Era difícil para mim viver daquela forma. Era uma rebeldia em relação àquilo que o meu pai queria.
Eu peitava muito ele. Não era uma rebeldia para o palco. Era para a minha vida. Ele dizia que mulher não podia fumar. Então, eu fumava. Hoje não fumo mais, claro. Ele dizia que mulher não podia dirigir. Então, comprei um carro lindo e dirigia. Ele ficava impressionado com saias curtas? Então, eu usava a mais curta de todas. (Risos)
No palco, músicas de sua juventude. Há nostalgia?
Ah, lógico que todo mundo queria ter 20 aninhos! É muito melhor, né? (Risos) E, quando temos 20 anos, estamos tão preocupados com bobagens! Com os corpos, narizes… Para quê? A juventude é linda! Sempre.
Ao mesmo tempo, o que a gente aprende com a maturidade é maravilhoso. E, se a gente está criando, dentro de casa ou no trabalho, tudo certo. Temos que estar ativos. O tédio é algo horrível, envelhece!
Mas você não. Está ótima!
(Risos) Felizmente, eu fico impressionada comigo. Tem um pouco de genética nisso, claro. Mas acho que eu nunca parei para analisar que tenho 70 anos. Os anos passam rapidamente, a vida passa muito rápido. É muito chato isso. É tão rápido que parei de comemorar aniversário. Agora, eu comemoro de 10 em 10. Então, estou com 7 anos. (Risos)
Nenhuma crise?
Várias. Aos 30, aos 40, aos 50. Passei por todas as crises! E, depois dos 60, entreguei para Deus! (Gargalhadas)
Lê os comentários em suas redes sociais? Falam que você é bem-resolvida, linda, poderosa. Você se identifica com isso?
Não me identifico não. Sou é muito verdadeira na minha vida e nas minhas relações. Não sei projetar uma imagem que não corresponde àquilo que sou. Na minha vida, sou muito verdadeira e muito simples, bem mineirona.
Gosto de roupas folgadas, de comidinha caseira e de relações verdadeiras. Sou de relações mais próximas do que as virtuais.
Serviço
“60! Década de Arromba”
O quê: Musical com Wanderléa que conta os principais fatos da década de 60. Em cena também,
24 atores e dez instrumentistas.
Quando: Sexta e domingo
Horários: Na sexta-feira (25), às 20h30. No domingo (27), às 18h. Abertura dos portões uma hora antes do espetáculo.
Onde: Espaço Patrick Ribeiro, na Área de Eventos do Shopping Vila Velha, Divino Espírito Santo
Quanto (cadeiras/ inteira): setor Diamante a R$ 150,00; Ouro a R$ 120,00; Prata a R$ 80,00 (inteira) e Bronze a R$ 50,00 (inteira).
Vendas: Metal Nobre (Grande Vitória e Linhares), Soft Modas (Guarapari), na bilheteria ou tudus.com.br.
Direção: Frederico Reder
Duração: 180 minutos
Classificação: 16 anos. Menor de 12 anos só com os pais.
Informações: 3533-2221
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