Para Léo Lins, quanto mais inflamado estiver o debate, mais nebuloso for o cenário, mais o humorista se deleita. “Humor não tem limite”, diz, ao AT2, o defensor do chamado humor negro. Se a piada for realmente boa para esse carioca, não tem mimimi, cara de ofendido ou até mesmo expulsão de locais que o faça parar.
“Vejo muitos comediantes, principalmente iniciantes, que se utilizam de temas delicados achando que isso é o suficiente para ser engraçado. A piada, por mais pesada que seja, precisa ser engraçada e não apenas chocante. Meu único receio em relação à piada é se ela é engraçada ou não. Meu intuito é sempre fazer rir. Nunca busco polêmica ou ofensas, mas o riso”, justifica.
Aos 36 anos, o ex-nerd da galera faz parte do elenco do “The Noite” (SBT/TV Tribuna) e também está em tunê com o show “Bullying Arte”. Seria sua vez de reagir aos movimentos contrário à sua arte?
“Sim. Ninguém tem o direito de utilizar seu próprio senso de humor como uma régua moral para determinar o que é certo ou errado. Hoje, há alguns grupos se esforçando para impor um limite do que pode ou não ser dito. Do que podemos ou não dar risada. Sou a favor da liberdade de expressão. Logo, contra esses grupos!”, argumenta.
“Perder amigos é mais um benefício”
Você chega ao Estado com duas apresentações do “Bullying Arte”. Está na torcida para que seja bem-vindo?
(Risos) Se não precisar de detector de metal na entrada, já fico feliz. Acho que fui o único show de humor a ter utilizado um! O “Bullying Arte” tem duas partes: na primeira, são piadas sobre a cidade que escrevo baseadas em informações que os moradores me enviam e posto em um vídeo.
Aqueles que não se ofendem com essas piadas são o tipo de pessoa que espero na minha plateia.
Espero que os ingressos não fiquem como a obra na Leitão da Silva e acabem. Mas, independentemente do que acontecer, pelo que conheci da cidade, sei que vou sair daí só o pó.
Como encara a reação de alguns políticos à sua forma de fazer humor? Já mudou local de show por causa de protesto.
Venho sofrendo represálias e censura há quase dois anos, e somente agora este assunto está ganhando destaque. O Brasil tem pouco menos de 6 mil municípios, arrisco dizer que 98% deles estão na mão de uma ou duas famílias e, muitas vezes, elas agem pensando na família e não na cidade.
Quando desagrado algum desses “coronéis”, eles utilizam, de forma arbitrária e até ilegal, de um poder público para cancelar meu show.
Sua pegada é fazer o humor politicamente incorreto. Como saber se entrou nessa seara?
O humor negro lida com temas delicados e considerados tabus pela sociedade. Quanto mais tabus se criam, mais campo para piadas o humor negro possui. Por exemplo, a chamada gordofobia aumentou a reação a piadas de gordo. Antes era apenas uma piada sobre alguém acima do peso, hoje essas piadas ganharam um peso de transgressão e subversão. Eu só tenho a agradecer a quem inventou isso!
A piada perde a graça quando se torna banal, quase nenhum comediante hoje em dia faz piada de português burro, porque se tornou banal. A partir do momento que criarem uma “portuguêsfobia”, garanto que essas piadas vão voltar e provocar muitas risadas.
Recentemente, saiu em defesa do apresentador Danilo Gentili, condenado por injúria. E, nos seus argumentos, alega censura. Isso o levou a repensar sua forma de fazer humor?
Me fez perceber que estou do lado certo. Vi muitos humoristas se posicionarem contra a condenação, porém o público desses humoristas discordava e achava que o Danilo devia sim ser preso, que só é piada quando todos riem. Ficaria muito preocupado ao perceber que as pessoas que cativo e gostam do meu trabalho julgam correto censurar e condenar alguém apenas por emitir sua opinião.
Como é sua interação com o público nos shows?
Há um momento em que convido pessoas da plateia para subir ao palco e faço o que chamamos de “fritada”, que é quando um comediante faz piadas sobre uma pessoa como forma de homenagem.
Ninguém é obrigado a subir ao palco. Todos que o fazem se divertem e levam na esportiva, afinal é apenas piada. Como dizia Millôr (Fernandes), “humor é tiro de festim”.
Veste a camisa do humor negro. Não teme perder amigos?
Perder amigos é mais um benefício do humor negro.
Serviço
“Bullying Arte”
O quê: Dois shows de humor do carioca Léo Lins
Quando: Sexta (26), 19h30, no Teatro Municipal Rubem Braga, em Cachoeiro. No sábado (27), 19h30, no Sesc Glória, no centro de Vitória
Ing.: R$ 33 (2º lote/meia)
Cupom de desconto: A troca dos cupons publicados em A Tribuna poderá ser feita até sexta-feira no Teatro Municipal Rubem Braga (Cachoeiro) e na Ágil Copiadoras (Shopping Praia da Costa). No sábado, a troca só ocorrerá se ainda tiver ingresso e deve ser na bilheteria
Vendas: Jaklayne Joias (shoppings Vitória, Mestre Álvaro, Praia da Costa e Vila Velha), Soft Modas (Guarapari), Acesso VIP (Vitória), X-Ray Lan House (Guarapari), Ágil Copiadoras (Shopping Praia da Costa), bilheterias dos teatros e blueticket.com.br
Clas.: 14 anos. Menor só com os pais ou responsável legal
Inf.: 99289-9970
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