Dois jovens vindos de famílias rivais se apaixonam perdidamente. Eles sabem que jamais poderão ficar juntos, então fogem, se casam e, no fim de tudo, se matam. A história trágica de Romeu e Julieta criada por William Shakespeare encanta há mais de 400 anos.
“Eles se conheceram, começaram a se relacionar, se casaram e se mataram em quatro dias. Haja intensidade! Coisa que paixão dá, mas amor é outra história na minha opinião”, chama a atenção a atriz e comediante Júlia Rabelo. “Para Romeu e Julieta, eu receitaria uma boa terapia”, diz ela, aos risos.
No sábado (7), a atriz e apresentadora conta a mesma história por um outro ponto de vista, bem mais engraçado. O de Rosalina. Quem? Rosalina, a jovem que Romeu procurava na festa em que conheceu Julieta. No conto de Shakespeare, ela não tem voz. Mas, em “Romeu & Julieta (e Rosalina)”, ela é a protagonista e cheia de opinião.
No monólogo, Júlia vive a jovem que aproveita os apaixonados desmiolados para refletir sobre relacionamentos, liberdade, independência, solidão e sororidade. “É um diálogo entre um ‘papel feminino’ antigo com um ‘papel feminino’ contemporâneo”, resume ela.
A comédia será transmitida às 20 horas, gratuitamente, pelo YouTube e Facebook da WB Produções. Após a apresentação, Júlia baterá um papo online com o público sobre como funciona a construção de um espetáculo.
“Amor tem que fortalecer, não te enfraquecer”
AT2 O que aconteceu afinal de contas com Rosalina?
Júlia Rabello A Rosalina da peça do Shakespeare, eu não faço ideia se não arrumou outro marido ou deve ter ido passar o resto da existência no convento. Já a nossa Rosalina deve ter lamentado o ocorrido e seguido em frente vivendo a vida dela muito bem.
O que te motivou a contar essa história?
Na verdade, nós subvertemos a possível história da Rosalina para falar um pouco sobre a mulher atual. É um diálogo entre um “papel feminino” antigo com um “papel feminino” contemporâneo
Como define o monólogo?
É um diálogo com uma história que faz parte do nosso imaginário coletivo do que seria uma grande história de amor, mas, quando você se aproxima dela, vê que esse amor não é tão ideal assim.
Há semelhanças entre Júlia e Rosalina?
Muitas semelhanças. Assim como Rosalina, eu acredito no amor que nos faz florescer, e não numa relação que te limita. Mas a Rosalina problematiza bem menos as coisas do que eu. Nesse sentido, queria ser mais Rosalina.
O que é amor para você? E como é uma relação ideal?
Quem sou eu para definir o que é o amor. Existem muitas formas de amar, mas acredito que amor tem que fortalecer, e não te enfraquecer. Não sei o quanto somos senhores do que escolhemos desejar, mas acredito que devemos investir energia em alguém que ajude a construir belos significados na vida.
Como tem sido a apresentação para a plateia virtual?
É incrível a capacidade de reinvenção do ser humano. Acho uma solução maravilhosa a apresentação online. Uma forma que talvez tenha vindo para ficar, como mais uma alternativa. Porém, nada substitui o poder da presença no teatro.
E a ansiedade para entrar no palco é a mesma?
Igualzinha. O mesmo frio na barriga.
É uma workaholic assumida, certo? Sente falta de estar mergulhada no trabalho?
Total! Meu trabalho é a paixão da minha vida, me dá muita alegria. Mas não parei durante a pandemia, encontrei novas formas de trabalhar.
Foi diagnosticada com o novo coronavírus logo no início da pandemia. Como ficou?
Foi tenso, não foi só uma gripezinha, mas não precisei ir para o hospital e me recuperei 100%. Ainda sabemos muito pouco sobre essa doença e cada um reage de uma forma.
Que reflexões o isolamento social trouxe para você?
Que o desejo de viver é algo muito potente. Que a vida passa enquanto tentamos dar conta dela. Que somos seres coletivos e que as relações são o paraíso e o inferno da nossa vida. E que vale muito a pena viver! A vida é bela, apesar de dura.
Acaba de completar 39 anos. Está tudo indo conforme planejado ou tem algo a realizar?
Sempre planejei muito a minha vida e agora, nessa etapa, estou aprendendo a não planejar mais tanto. Aprendendo a aceitar o que a vida oferece.
Não teme envelhecer. Por quê? Quais são seus medos?
Todas as fases da vida têm sua beleza, quero vivê-las todas com plenitude. Quero conseguir envelhecer bem e com serenidade. Viver é ter medo, mas também é ter coragem para ir além desse medo. E acho que, essa força, eu tenho e cultivo todos os dias.
SERVIÇO
“Romeu & Julieta (E Rosalina)”
O quê: Espetáculo de comédia com Júlia Rabello, na 11ª edição do Circuito Banestes de Teatro
Quando: Próximo sábado (7)
Horário: 20 horas
Transmissão: Pelo YouTube e Facebook da WB Produções. A peça será encenada, sem plateia, do Teatro da Ufes, em Goiabeiras.
