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Música e poesia com Léo Norbim

Conhecido na cena musical capixaba por ter feito parte de bandas como Rastaclone e Casaca, o baixista e compositor Léo Norbim hoje integra o Macucos. ...

Léo Norbim atualmente está na banda Macucos, e compôs faixa-título

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Léo Norbim atualmente está na banda Macucos, e compôs faixa-título (Foto: Melina Furlan/Divulgação)

Conhecido na cena musical capixaba por ter feito parte de bandas como Rastaclone e Casaca, o baixista e compositor Léo Norbim hoje integra o Macucos. Inclusive, é dele a faixa-título do novo trabalho e 5º trabalho dos regueiros: “Revolução do Amor”.

Mas não é apenas com seu trabalho ao lado de grandes bandas do Espírito Santo que Léo quer ser lembrado. É que ainda no primeiro semestre deste ano ele pretende lançar o seu primeiro álbum solo.

Batizado de “Inverno”, o trabalho vai abordar em suas músicas temas como senso de identidade, autoaceitação, empatia e outros, de forma poética e discreta. Tudo isso será abordado numa roupagem musical ancorada no folk, na música pop e na MPB.

“O álbum traz uma parada que o inverno, para mim, não é uma estação fria. É como se fosse esse lado meu todo estranho. E a minha relação com isso é tranquila. Quando eu canto inverno, o disco inteiro traz uma explicação sobre isso, em dizer que convivo bem com minhas dificuldades”, explica o artista sobre o conceito do disco.

Por ter essa estética sonora, Léo Norbim admite: a sua música autoral não é feita para festas. “É uma música para apreciação, de repente para ser apresentada num teatro ou ouvida dentro de casa”, explica o músico, que também é um dos fundadores do Som de Fogueira.

Léo continua o raciocínio: “É uma música que traz melancolia. Acredito que, mesmo as pessoas que vão para as arenas e shows, em algum momento elas voltam para casa, tomam um banho, colocam um som para relaxar. E é nesse momento que elas participam da minha vertente. Então, é uma música para todo mundo. Todo mundo passa por dificuldades”, reflete.

Agora, com um ano novo iniciando, o artista capixaba vai tentar, assim que for possível, colher os frutos dos trabalhos que fez ao lado de companheiros de banda e também do seu trabalho solo.

“Estou esperando o resultado nos palcos desse disco do Macucos. Sobre o “Inverno”, é tudo muito difícil. Eu estava preparando uma turnê desse disco para Sudeste e Sul do País. Mas até para fechar shows hoje, por conta da pandemia, é muito complicado. Vou lançar o disco e pretendo fazer a turnê no 2º semestre”, adianta ele sobre os seus próximos passos.  

“O papel da música é social”

 (Foto: Melina Furlan/Divulgação)AT2 – Pretende lançar “Inverno”, seu primeiro álbum, ainda neste semestre. O que pode dizer desse trabalho?

Léo Norbim – Uma peculiaridade do meu campo é que tudo meu é complicado: sou daltônico, canhoto, estabanado. Esse disco traz uma parada que o inverno para mim não é uma estação fria.

É como se fosse esse lado meu todo estranho. E a minha relação com isso é tranquila. O disco inteiro traz uma explicação sobre isso, em dizer que convivo bem com minhas dificuldades. Também trago a rebote que muita gente tem essas dificuldades e a identificação da pessoa vai ser o tapa.

Tem uma carreira ao lado de bandas do Estado. Mas como foi seu início na música?
Comecei a estudar música muito cedo, com 7 anos. Foi com bateria e fiz aula por três ou quatro anos. Como eu vim da igreja, tinha muito contato com a música. Depois, com 10 anos, decidi tocar violão, que é algo que consiguia comprar e carregar.

Você é a prova de que as igrejas revelam grandes instrumentistas. Por que isso acontece?
A grande maioria dos músicos que despontam sempre tem relação com a igreja. Além de ser celeiro, o fator principal para isso acontecer é o contato com a música. Se você é uma criança de 10 anos e paga aula particular, você não vê o professor todos os dias. Na minha época, eu estava na igreja todos dias e em contato com música. Talvez essa seja a explicação. 

E como foi a sua caminhada artística de lá até hoje?
Ainda na igreja, comecei a tocar com alguns nomes de peso. Tive a oportunidade de viajar pelo Brasil inteiro tocando. Logo que saí, em 2010, eu já tinha um contato com a cena musical e fui. Tive a sorte de cair num meio onde era o suprassumo da música capixaba.

A primeira banda que toquei foi o Rastaclone. Isso em 2016. Hoje toco com o Macucos, e em paralelo já toquei no Casaca. 

Qual a importância da música na sua vida?
É grande. Tive essa sorte desde a época da igreja. Sou de São Torquato, em Vila Velha, perdi meu pai quando tinha 3 anos. Quando estava com 19 ou 20 anos, eu estava viajando de avião, ficando em hotel top. Era algo que não tinha ideia… Para mim, o papel da música é social também.

Hoje em dia, você consegue imaginar a sua vida sem ela?
Consigo sim. Sou designer e já trabalhei com comunicação, criação de identidade. Mas tenho frase que costumo dizer em que sou exatamente o que queria ser quando crescesse.

O que é preciso para viver apenas da música, como você?
É um ciclo. Você tem que se capacitar para viver do que quer. Você tem que mostrar um trabalho interessante. Isso tem que render fundo para conseguir continuar se capacitando. O Mano Brown diz que todo mundo quer ser artista, mas nem todo mundo quer ser profissional. Então é isso: acordar todo dia, compor todo dia. Chegar no horário dos compromissos, não falhar. É um trabalho como outro qualquer.

E por que essa sua aproximação com a música folk?
Essa estética sonora do folk, da música branda, minimal, mas requintada, acho que tem a ver com a minha história de vida. Até nas poesias, no enredo que eu trago, reflete muito com minha história de vida. 

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