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Musical infantil sobre Milton Nascimento em Vitória

Através de sucessos como “Travessia” e “Canção da América”, o universo do cantor Milton Nascimento, 77, será apresentado para a criançada no musical ...

O espetáculo infantil será apresentado sábado e domingo no Teatro da Ufes

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O espetáculo infantil será apresentado sábado e domingo no Teatro da Ufes (Foto: Junior Mandriola / Divulgação)

Através de sucessos como “Travessia” e “Canção da América”, o universo do cantor Milton Nascimento, 77, será apresentado para a criançada no musical “Bituca – Milton Nascimento Para Crianças”, que chega a Vitória neste fim de semana.

Mas a intenção do espetáculo não é só divertir, encantar e promover o encontro de gerações através da obra do músico carioca. De quebra, ainda são discutidos temas importantes do cotidiano.

“Decidimos fazer esse tributo não só por conta da música de Milton, mas também por todas as questões que a história dele envolve, como racismo e adoção”, conta ao AT2 Pedro Henrique Lopes, autor e ator da atração infantil.

Clique aqui para concorrer a ingressosNo musical, o pequeno Milton fica órfão aos dois anos e é adotado pelos patrões de sua avó. Chegando em Minas, o menino precisa lidar com o preconceito da sociedade por ser negro e ter pais brancos.

“Bituca – Milton Nascimento para Crianças” é o “filho do meio” do projeto “Grandes Músicos para Pequenos”, que faz sua estreia no Estado.

Idealizado por Pedro ao lado de Diego Morais, diretor de todos os espetáculos, o projeto já homenageou nomes como Luiz Gonzaga, Braguinha, Caetano Veloso e Gilberto Gil, e Raul Seixas.

“A resposta deles é sempre maior. A criança vai além”, diz Pedro Henrique Lopes, autor e ator

AT2 “Bituca – Milton Nascimento para Crianças” faz parte do projeto “Grandes Músicos para Pequenos”.
Pedro Henrique Lopes – O projeto é de 2013 e “Bituca – Milton Nascimento para Crianças” é o filho do meio, estreou em 2017. Antes, fizemos “Luiz e Nazinha – Luiz Gonzaga para Crianças” e “O Menino das Marchinhas – Braguinha para Crianças”.
Depois, vieram “Tropicalinha – Caetano e Gil para Crianças” (2018) e “Raulzito Beleza – Raul Seixas para Crianças”, que estreou este ano. Já estamos pensando no próximo musical, mas não podemos falar ainda. (Risos)

Elenco da peça (Foto: Divulgação/Andrea Rocha ZBR)Qual o objetivo do projeto?
Um dos objetivos principais é apresentar a música de outras gerações para as novas. Trazer músicas conhecidas pelos pais e avós faz com que exista uma aproximação de gerações. O fato de trazer um espetáculo de teatro, e não só um show, faz com que o envolvimento das crianças seja maior.
Também temos a preocupação de tratar temas que ajudam a sociedade a evoluir e que contribuam para a cidadania. No “Raulzito Beleza – Raul Seixas para Crianças”, falamos de crianças com traços de traços de hiperatividade e déficit de atenção (TDAH) e para que os pais aceitem os filhos como eles são.

Como foi o processo de produção do espetáculo?
Trabalhamos em cima de uma brecha da biografia. Pegamos um pedaço e criamos a história em cima disso. Existe uma preocupação com a apresentação do universo e da essência do músico, mas não existe uma obrigação biográfica.

Milton acompanhou tudo?
Assim que o projeto fica pronto, mandamos para os artistas avaliarem, para ver se tem algo que ofende ou que eles não queriam ver no palco. No caso do Milton, ele não fez nenhuma objeção.

Ele já viu?
Não conseguimos que ele assistisse ainda por conta das agendas. Mas ele viu vídeos e fotos.

Como escolhe o repertório?
As músicas estão em função da história. É uma estrutura de musical tradicional. Eu escrevo a história e, como conhecia muito bem a obra dele por ser fã, já escrevia sabendo onde ia entrar cada canção.

De que forma tornam a música de Milton mais atrativa para a criançada?
Cantamos ao vivo e os arranjos estão diferentes. Um artifício que usamos é transpor a história e a música para a geração atual. A velocidade de informação da criança está mais rápida e o teatro precisa ir nessa mesma vertente. Mas não deixamos de falar com os pais.

Como autor, qual foi o maior desafio desse espetáculo?
Racismo e adoção são temas muito delicados para trabalhar com criança. Abordar esses assuntos de uma forma que elas entendam, dialoguem e falem sobre isso foi a maior dificuldade.
Não entregamos nada de bandeja. Não falamos a palavra racismo ou o que é certo e o que é errado. Apresentamos as situações porque elas são mais inteligentes que os adultos. Elas fazem associações e entendem o conceito de tudo.

Qual é o retorno delas?
Tem criança que quer brigar com a nossa vilã, dizer que ela é malvada, outras choram porque se identificam com o que está sendo mostrado, existe empatia pelos personagens e alguns querem ser amigos deles. A resposta deles é sempre maior do que a gente oferece. A criança vai além.

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