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atração de domingo (25) do “BKDP Festival”, a carioca Iza promete um
show de dança e representatividade ao som de hits como “Sem
Filtro”, “Gueto” e “Fé”.
Primeira
cantora brasileira negra a cantar no palco principal do Rock in Rio,
ela ainda garante que vai mostrar algo do recém-lançado EP “Três”.
Em conversa com A Tribuna, a estrela pop adiantou um pouco do que o
público verá em sua apresentação em Cariacica, mas também falou sobre
carreira e racismo.
A Tribuna: O
“BKDP Festival” exalta a cultura preta e conta com muitas
mulheres entre as atrações. Qual é a importância de integrar esse
time?
Iza: É
muito grande! Me sinto lisonjeada em participar desse festival. Estou
feliz em poder levar a minha mensagem e a minha música. Sempre digo
que minha música é para mandar minha mensagem, para inspirar outras
meninas negras a acreditarem em seus sonhos, a ser quem elas quiserem
ser, e estar em um festival como esse só reforça esse caminho.
O que os
fãs podem esperar desse show no Espírito Santo?
O público
pode esperar um show com tudo o que apresentamos no Rock in Rio:
muita dança com meus bailarinos, minha banda toda e, claro, todas as
músicas que eles esperam ouvir: “Pesadão”, “Dona de Mim”,
“Gueto”… Estou com muitas saudades do público capixaba.
O trailer
do live-action “A Pequena Sereia” resultou em uma série de
comentários racistas, por conta da protagonista ser interpretada por
Halle Baileya, uma atriz negra. Isso mostra que ainda temos muito a
evoluir?
Não tenha
dúvida! Sempre digo que sei da minha responsabilidade como artista
em falar disso. Embora muitas pessoas queiram acreditar que não, o
Brasil, infelizmente, é um país racista. E não acredito que isso
seja velado. A desigualdade social e econômica é muito grande, é
gritante e está na cara de todos. O que eu enxergo como ponto
positivo nessa discussão toda é que tem se falado muito mais sobre
isso, mas ainda há muito o que fazer.
A minha
existência, como mulher negra, foi exatamente o que me fez entrar na
indústria. Porque eu queria me ver nos lugares. Minha mãe sempre me
ensinou que meu lugar era onde eu quisesse estar, mas, infelizmente,
precisamos de um estímulo visual para entender. Nós negros somos
plurais e as pessoas precisam entender isso.
Não
falamos sobre racismo porque gostamos. Falo porque é necessário e
injusto, porque as pessoas precisam aprender sobre e por que as
pessoas ainda morrem por isso.
É a
primeira cantora brasileira negra a cantar no palco principal do Rock
in Rio. O que isso representa para você?
Seria
hipocrisia da minha parte viver o que vivi, ser a menina que fui
quando criança e não falar sobre isso, não apontar as coisas que
realmente são importantes e usar meu espaço privilegiado para
discutir temas como esse.
Meu
microfone é uma arma e ele precisa ser usado com sabedoria, não só
para realizar meus sonhos, para pagar as minhas contas, mas também
para informar. E não acredito que tenha uma forma mais linda de
educar do que através da música.
Seu primeiro disco foi “Dona de Mim”, de 2018, e, com o lançamento do EP “Três”, os fãs ficaram ainda mais na
expectativa por um segundo álbum. Como
lida com essa cobrança?
Não
sou uma pessoa que está sempre lançando coisas. Ou atendo as
demandas dos outros ou crio uma forma de entregar meu trabalho e me
envolver em cada processo de um jeito que seja bom para o meu
trabalho e bom para minha vida também. Tem que ser digno com o que
eu quero comunicar.
É
muito complicado você comunicar o seu sonho com as expectativas dos
outros. Vivemos em um país que consome redes sociais e algoritmos
como nenhum outro. E não podemos cobrar assim dos
nossos
artistas. Temos que entender a forma saudável de cada um lançar
seus trabalhos e se comunicar.
E a forma
saudável que eu encontrei de participar da composição, pensar no
marketing da música, desenhar o clipe, pensar nos figurinos e fazer
meus shows, uma coletiva de imprensa e uma publicidade é fazer no
meu tempo. Tudo bem reclamarem, mas eu acredito que a gente está
nesse mundo para deixar nossa marca, não para obrigatoriamente
agradar a todos.