
“Tento observar todas as características que a maternidade apresenta, desde o cansaço ao prazer. Um alimenta o outro. E você vive nessa avalanche”, diz.
Foi justamente em meio a outro turbilhão, o da pandemia, que Priscila, conhecida do público por ter vivido a vilã Sofia em “Totalmente Demais”, decidiu que Rosa, fruto da união com o diretor Vinícius Coimbra, iria estudar em casa.
“Fiz uma creche para ela. No começo, era só Rosa. As atividades aconteciam dentro da varanda do meu apartamento”, conta a atriz, de 33 anos, que vive atleta olímpica no filme “4×100 – Correndo por um Sonho”, dirigido por Tomas Portella, mas que ainda não estreou no Estado e vai entrar em cartaz na programação do canal pago Telecine no dia 24 de julho.
Depois, a família se mudou para uma casa e as aulas, ministradas por professora educadora, passaram a acontecer no jardim. Daí o nome “Creche do Jardim”.
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Com outros dois alunos, Rosa aprende e se diverte. “Já fizemos de tudo: fomos ao Jardim Zoológico, Jardim Botânico, festa junina”, lista a atriz.
“Com todos os profissionais da educação vacinados, isso me motiva a colocar a Rosa na escola. Vou sentir muita saudade, mas tenho certeza que vai ser saudável para ela e para mim. Vou ganhar algumas horas a mais”, salienta a atriz, que ainda vai estrear nos longas “Segundo Tempo” e “O Amante de Júlia”.
“Só tem como bater cartão no início”
AT2 O filme “4×100” ainda não chegou ao Estado, mas estreou em vários cinemas do País. Qual tem sido o retorno?
Priscila Steinman O feedback tem sido gratificante. Tenho muito orgulho de fazer parte desse filme. As críticas têm dado medalha de ouro para ele. E é merecido, pois a história é linda e o filme é potente. Você realmente torce pelas personagens que estão nele.
Apesar de ter sido gravado em 2017, ele estreou agora, próximo às Olimpíadas. Como é lançá-lo em meio à pandemia?
Sim, ele foi gravado numa era pré-pandêmica. Tem cenas no Japão e se passa nas Olimpíadas de Tóquio. A ideia era lançá-lo com as Olimpíadas. Com o adiamento, o filme foi adiado.
Conseguiu ir ao cinema?
Estou desde março de 2020 em isolamento. E entendi que ver o filme no cinema era necessidade profissional minha. Aí, fui assistir com máscara, face shield, álcool.
Mesmo tendo como pano de fundo o atletismo, ele não aborda apenas esporte.
É uma ficção a partir do que aconteceu após as meninas da equipe brasileira derrubarem o bastão. O filme tem como temas principais a redenção e superação. Também fala muito sobre empatia e sororidade. As personagens do filme precisam se unir para vencer. E isso é interessante como mensagem do filme: sozinho, você não é capaz de realizar tudo o que gostaria. Em grupo, você explode, você voa.
Deve ter sido uma mistura de sentimentos viver esse momento.
Foi sim. Meu marido até comentou que é frustrante uma pérola dessas não alcançar as pessoas por causa da pandemia. Ao mesmo tempo, o filme passa um sentimento de esperança muito grande em relação ao Brasil. É possível voltar a amá-lo.
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Uma das personagens do filme tem uma questão de renúncia da maternidade. Você foi mãe após gravá-lo. Como tem sido a maternidade?
Sempre sonhei em ser mãe. Ser mãe é profissão. A maternidade é uma profissão, porque te consome integralmente. Você não tem como bater o cartão de início ou fim. Só tem como bater o cartão no início.
Criou uma creche para a Rosa. Quais valores deseja passar para ela?
A coletividade é um valor muito importante. E a relação com a natureza. Sou uma mulher contemporânea, mas não podemos esquecer que fazemos parte da natureza. Não é algo à parte.
E o que busca em seus projetos?
Sempre busquei projetos relevantes, que transmitam valores em que eu acredito. E que tenham questionamento, provoque. E busco trabalhos que me emocionam.