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TENDÊNCIA

Nova geração prefere músicas cada vez mais curtas

Essa característica é reflexo do avanço tecnológico e das novas formas de otimizar o tempo

Agatha Chieppe, de 18 anos, não tem muita paciência para ouvir hits com mais de três minutos.

Última atualização

Se músicas longas que marcaram gerações como “Faroeste Caboclo”, do Legião Urbana, “Anoiteceu em Porto Alegre”, dos Engenheiros do Hawai, e “Bohemian Rhapsody”, do Queen, fossem lançadas hoje, talvez não conquistassem tanto público como aconteceu décadas atrás.

E isso nada tem a ver com a qualidade de suas letras ou melodias. Mas, sim, com o tamanho das canções. 

Segundo uma nova tendência ditada pelos ouvintes de streaming, como Spotify, Deezer e Amazon Music, para que uma música não seja abandonada nos primeiros segundos, ela precisa ter até três minutos de duração.

Para o DJ e produtor musical Tibery, isso é uma característica da nova geração, que prefere versões mais curtas. Ele explica que essa “moda”, que começou no mundo pop, está se expandindo para o rap, funk, axé e até aos novos ritmos. E isso graças à difusão que acontece nas redes sociais, que promovem entretenimento de forma rápida, como o reels, do Instagram, o Tik Tok e o Snapchat.     

“É realmente a valorização da repetição. Hoje é muito mais interessante para o artista fazer músicas de até três minutos, que gera uma sensação de repetição no ouvinte, fazendo com que ele ouça a música várias vezes seguidas, gerando mais views, plays, streamings”, diz. 

Ansiedade

Ao definir os novos parâmetros dos sucessos musicais, a chamada geração da “audição ansiosa” se mostra como sendo mais um reflexo do avanço tecnológico e das novas formas de otimizar o tempo. 

De acordo com a psicóloga Adriana Severine, as pessoas se sentem sobrecarregadas com tanta opção de lazer, e não têm tempo para aproveitar tudo.

“Ouvir mensagens ou ver filmes em velocidade acelerada, e escutar músicas mais curtas se tornou algo comum, pois passa a sensação de fazer mais coisas em menos tempo”, afirma.

A psicóloga Hagata Tortoretto considera essa tendência preocupante. 

“Se nosso mundo fica cada vez mais rápido, se tudo o que fazemos exige um tempo menor, pelo excesso de informação, a ansiedade acaba fazendo parte da cultura do nosso ambiente e é um caminho muito perigoso para as doenças psíquicas e físicas também”, alerta ela.

 













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Sem paciência

A modelo e atriz Agatha Chieppe, 18 anos, salienta que adora escutar músicas, mas não tem muita paciência para ouvir hits com mais de três minutos.

“Quando eles são muito longos, repetem muito. Eu amo escutar músicas, mas não tenho paciência para essas longas e sem conteúdo de hoje em dia, como ‘Caneta Azul’”, explica.

Reduza a ansiedade

  • 1 – Quando for escutar música, reserve um momento só seu.   
  • 2 – Escolha uma música relaxante e de sua preferência. Pode ser longa ou curta. O importante é que seja alguma canção que te promova bem-estar.
  • 3 – Respire profundamente por alguns segundos, simulando o exercício de relaxamento de  cheirar a flor e soprar a vela: experimente inalar o ar pelo nariz, como se estivesse cheirando uma flor. Segure a respiração por dois segundos e solte pela boca, como se estivesse soprando uma vela de aniversário. 
  • 4 – Busque em sua memória um momento de tranquilidade. Caso não haja essa lembrança, crie esse momento. Esse exercício de visualização dá a sensação de prazer e bem-estar e é natural que o nível de ansiedade diminua substancialmente.
  • 5 – Quando quiser, abra os olhos. Depois, volte a ouvir mais músicas sem se preocupar com o tamanho que ela tem. Apenas curta o momento.

Fonte: Life coach e analista comportamental Elizabeth Stein.

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