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Nova jornada musical de Izar

Músico dá início à divulgação do disco “Fantástica Realidade” com a canção “Fake”, de combate à falsa informação

Cantor diz que intensificou a crítica política em seu novo trabalho.

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Como unir o ‘jogo’ frenético de lançamentos no mercado da música a um projeto de disco conceitual e cuidadoso em sua produção?”. Esta foi a pergunta que moveu o cantor e compositor Izar  ao pensar na estratégia de divulgação de seu novo disco, “Fantástica Realidade”. Em sua nova jornada, com duração de sete meses, uma música será lançada a cada mês.

“O algoritmo das plataformas – bem como a lógica atual do ambiente virtual – privilegia a novidade, a velocidade. Ao mesmo tempo,  principalmente pelo nicho musical que faço parte, não gostaria de produzir correndo, de qualquer forma, sem privilegiar também o resultado sonoro”, explica o mineiro, que há 10 anos mora no Espírito Santo.

No sucessor de “O Amor, A Escuridão e A Esperança” (2018), o músico expõe a mistura de momentos fantásticos projetados pela mente com a dura realidade. São tratados desejos, angústias e sonhos do ser humano e ainda há espaço para temas políticos e sociais.

 “Toda vez que estamos dentro de um processo real no nosso dia a dia, nós também criamos projeções dentro da mente, travamos um diálogo com o próprio pensamento.  Sempre achei interessante o que desenhamos dentro do pensamento, para o bem ou para o mal, e o confronto dessa expectativa com a realidade”, conta sobre o conceito do álbum.

O primeiro lançamento do projeto já está disponível nas plataformas digitais. É “Fake”, canção com influência do pop da música mineira e que busca combater a desinformação. 

“Como músico e jornalista, me sinto na responsabilidade de trazer o assunto à tona. As fake news levam a consequências danosas, como tirar a liberdade das pessoas, tirar vidas e eleger ditadores. Nós precisamos enfrentar esse contexto com arte, com o jornalismo profissional, em conversas com a família e os amigos”.

O álbum conta com a produção do multi-instrumentista Thiago Arruda, que é guitarrista de Ed Motta. “Comecei a minha carreira solo em 2017 e todas as produções até o momento foram desenvolvidas com ele. É como se ele fosse da banda como produtor, e não apenas como instrumentista. Acredito muito nessa relação, na construção de um entrosamento”.

“Nunca perdi o fascínio pela metade”, diz cantor 

A Tribuna –   Em qual contexto nasceram as músicas do álbum? 

Izar – Comecei a compor logo após o lançamento do meu 1º disco. O conceito de ‘Fantástica Realidade’ surgiu a partir das composições, com o tempo. A exceção é a faixa-título, que foi composta especialmente para o conceito. 

Questões políticas e sociais estão ainda mais evidentes?

De fato, intensifiquei a crítica política nos últimos anos. Um dos singles lançados antes deste projeto, “Não Solte A Mão de Ninguém”, já é uma posição bem dura contra a ditadura e a onda autoritária dos últimos anos. 

Em “Fantástica Realidade”, já começamos com “Fake”, grito contra as notícias falsas, e as letras, no geral, trazem passagens com tom político. 

Destaco ainda, nesse campo,  a canção “Mulheres de Preto”. Uma das histórias mais impressionantes que já estudei, a música aborda um artigo de Tova Benski sobre as chamadas “vigílias” das Women In Black, ou Mulheres de Preto, movimento feminista pela paz em Israel (e que se espalhou pelo mundo) no contexto da eterna guerra entre israelenses e palestinos. 

É mineiro. De que forma suas origens aparecem no projeto? 

De todas as formas: na forte influência do Clube da Esquina, nos acordes que lembram a música mineira, nas melodias, nas letras… Nas letras, quando estas, por exemplo, se posicionam politicamente, abordam a projeção – mental ou real – da estrada como fuga ou como perspectiva de alcançar algo melhor, no fascínio pelo mar… 

Um amigo escutou “Maior Que o Chão”, que lanço no próximo dia 14. Ele disse que sai até um pão de queijo da canção. (Risos) A música mineira, o Clube da Esquina, a MPB, o rock dos Beatles… Está tudo ligado. E essas são as minhas principais influências para compor.  

A música “O Homem das Metades” é sobre você, que se divide entre arte e jornalismo?

De fato, “O Homem das Metades”, a quarta música a ser lançada, é como se  estivesse sentado no divã. Meu avô  sempre me deu lições de moral por metáforas. Tenho, por exemplo, a mania de beliscar e comer metade de alguma coisa. Um dia, na cozinha, ele soltou: “Olha o homem das metades aí”.  Após esse dia, toda vez que inicio uma tarefa,  tenho a necessidade de terminá-la, o que me ajudou profissionalmente. 

Mas a verdade é que nunca perdi o fascínio pela metade. Por muitos anos, fiquei pensando nisso e tenho a sensação de que chegar ao fim é muito ruim. As coisas acontecem no meio: o sonho, a expectativa de um ótimo final, o desejo e o sentimento de esperança de que ainda nos restam passos a serem dados. 

“Tempos de Paz”, outra canção do projeto, é anunciada em meio a uma guerra. É um pedido por paz? 

Sim. É como uma carta a grandes ídolos, como John Lennon, que sempre escreveram melodias contra as guerras. E, com a força espiritual deles, conclamo na música palavras simples, mas com pedidos de mudança, um basta sobre a eterna demonstração de poder entre as nações.

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