|
Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda:
Alinhar à direita:
Alinhar ao centro:
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Estilo:
A obra do grupo Os Mamíferos, que marcou a contracultura do Espírito Santo nas décadas de 60 e 70, já foi resgatada pelo projeto Aurora Gordon nos álbuns “Lamelombras Birinights” (2011) e “Na Ponte da Passagem” (2015) e era chegada a hora de atravessar as fronteiras do Estado com um show.
Mas, com a pandemia, a banda ficou impossibilitada de encontrar o público e decidiu adaptar a ideia inicial. A saída encontrada foi a gravação de uma apresentação ao vivo, cujos áudios registrados formam o disco “Via Aérea”, já disponível nas plataformas digitais.
“É uma das formas mais acessíveis de atingir públicos hoje em dia”, justifica Murilo Abreu, idealizador do projeto.
No trabalho, foram resgatadas músicas dos dois primeiros álbuns, a exemplo de “Espelunca”, que ganhou registro audiovisual publicado no YouTube. O repertório de 12 faixas ainda conta com as inéditas “O Impossível da Felicidade” e “Corina”, carro-chefe do CD.
“Entre as canções que tínhamos, ‘Corina” era aquela que talvez pudesse ter uma aceitação maior, pois é uma música dançante e fácil de pegar”, conta.
Sem uma formação fixa, a banda Aurora Gordon atualmente é composta pelos músicos André Prando (voz), Edu Szajnbrum (percussão), Gabriela Brown (voz), Gabriel Ruy (bateria), Heviny Moura (voz), Juliano Gauche (voz), Juliano Rabujah (voz e violão), Marcel Vaccari (baixo), Pedro de Alcântara (rhodes), Rodolfo Simor (guitarra) e Roger Rocha (flauta).
“Desde que ela surgiu, em 2005, cada apresentação tem uma formação diferente. Incluo alguns nomes que estão dentro da cena contemporânea de Vitória e do Espírito Santo, com seus trabalhos e carreiras ativas. Uma das intenções do projeto é que esses artistas carreguem esse repertório em seus shows e em sua vida artística”, explica o idealizador do projeto.
Planos
Murilo é filho de Afonso Abreu, um dos integrantes de Os Mamíferos, que ainda tinha Mario Ruy e Marco Antônio Grijó em sua formação. Através do Aurora Gordon, ele deseja colocar a obra do grupo criado em 1966 em diálogo com a contemporaneidade.
Com planos de entrar em estúdio em breve para novas gravações, a banda planeja voltar aos palcos ainda este ano para trabalhar o novo disco.
“A gente procura fazer releituras e trazer frescor”, diz Murilo Abreu
AT2 – Como nasceu o projeto Aurora Gordon e o que busca com ele?
Murilo Abreu – O projeto nasceu em 2005, no evento “Setentas”, que foi realizado na Ufes. Fui convidado para fazer a direção musical de um show que teria neste evento e já tinha essa ideia da banda há muito tempo, para tocar esse repertório, muito por conta da relação histórica familiar, por conta do meu pai (Afonso Abreu) e dos amigos deles. A primeira apresentação da banda foi lá. Começamos a tocar algumas das músicas que vieram a ser gravadas no primeiro álbum, lançado em 2011.
A gente não procura fazer nenhum tipo de reparação histórica, mas fazer releituras e trazer um frescor. Não temos nenhum engajamento histórico.
A gente busca trabalhar as músicas com tudo o que elas são: canções que ficaram presas a um período, a uma questão geográfica na época, presas a Vitória. Não tinha estúdio, grande parte desse repertório é praticamente todo inédito.
Qual a importância do Aurora Gordon para o reconhecimento da música capixaba fora do Espírito Santo? Sentem que, aos poucos, o Estado tem conquistado seu espaço?
Não acho que o Espírito Santo esteja conquistando o seu espaço, pois, quando falamos isso, parece que nunca tivemos nada. Pelo contrário, acho que temos um histórico musical muito forte no Brasil. Podemos não ter mercado de música forte, mas acho que contribuímos para a música brasileira com muita qualidade, coisas sólidas e artistas excelentes. Desde o movimento Bossa Nova, passando pelo samba, temos um leque grande de artistas daqui que conseguem dialogar com o Brasil e mundo afora.
Há muitos artistas jovens envolvidos no projeto. Espera, através dele, formar um novo público para a obra de Os Mamíferos?
Certamente, a formação de um novo público está dentro do escopo de trabalho do Aurora Gordon. A escolha dos artistas que participam ajuda a criar o contato com novos públicos, facilitar o acesso e a divulgação do projeto, que vai muito além da banda. Temos filmes, livros e exposições. Cada ação que desenvolvemos acaba colaborando com a conexão entre novas pessoas.
Cinquenta anos depois, as músicas da banda Os Mamíferos permanecem necessárias para os tempos atuais?
As músicas permanecem mais atuais do que nunca. Vivemos em ciclos e eles se repetem, as letras são necessárias, temos grandes letristas no Aurora Gordon, cada um contribuindo com seu talento e características individuais.
Ao criarem releituras para essas músicas, de que forma buscam torná-las atuais?
O caminho que procuramos, na questão de facilitar, de criar diálogo entre gerações, é criar arranjos de acordo com quem faz a interpretação da canção. A banda se comporta de uma maneira que ela consiga dar sustentação, uma base harmônica e arranjos que valorizem esses convidados. Assim conseguimos conectar essas músicas, que são antigas, com a potencialidade de cada uma dessas pessoas envolvidas atualmente.