Aos olhos de Xande Mendes, guitarrista do Macucos, o amor é a única arma possível para promover uma mudança. Tanto que o novo álbum da banda, que completa neste ano duas décadas de carreira artística, ganhou o nome de “Revolução do Amor”.
“Se a gente se amar mais, pode ter um mundo diferente”, introduz ele, ao AT2, a filosofia que passeia pelas nove canções – todas elas inéditas – que integram o quinto trabalho autoral do grupo.
E é justamente esse sentimento que reforça a união do Macucos enquanto uma das bandas mais importantes do cenário capixaba.
“Dentro do Macucos, nós temos muitas divergências, inclusive políticas. Talvez seja esse o motivo de falar de revolução do amor. O que nos une é o amor: o amor um pelo outro e pela música”, diz Xande.
Mas, neste álbum novo, o Macucos explora também outras temáticas. “Em nossos álbuns, além do amor, falamos sempre sobre natureza. Nesse trabalho, procuramos falar também sobre liberdade, empoderamento feminino e outros temas”, detalha o guitarrista.
O grupo buscou também explorar novas roupagens musicais em “Revolução do Amor”. Produzido por Rodolfo Simor, que já trabalhou com nomes como Silva e Tiago Iorc, o álbum traz a modernidade de novas influências musicais.
“Quando vamos compor, produzimos o que estamos ouvindo no momento. Tudo o que recebemos de informação musical ou contexto da sua vida, transferimos para a música”, explica Xande sobre elementos novos que aparecem no álbum, como música eletrônica, rimas de rap e até reggaetown.
Essa junção da identidade musical consolidada do Macucos com novos elementos musicais pode ser percebida em faixas como “Só Mais Um Rolê”, que tem a participação do músico Diego Lyra.
Outra canção que essa junção está perceptível é “Pra Te Fazer Sorrir”. A música conta com a participação de Zeider Pires, vocalista da banda de reggae Planta e Raiz.
Para Xande, essa união não existe apenas para modernizar o som do Macucos. Mas também para buscar ampliar o alcance da banda entre o público mais jovem.
“Temos 20 anos de carreira e conseguimos identificar uma renovação do público. A minha filha mais velha, a Anna Julia, tem 19 anos, e os amigos dela curtem o nosso som”, diz o artista de 41 anos.
Entrevista – Xande Mendes, guitarrista: “Hoje, há mais maturidade”
AT2 – Depois de tanto tempo de banda e vários discos lançados, pensar e gravar um novo álbum fica mais fácil ou é sempre um processo trabalhoso?

Nunca conseguimos produzir uma coisa que a gente não buscasse o máximo de qualidade. Neste novo álbum, tivemos produção do Rodolfo Simor, que produziu o Silva. Também tivemos composições de parceiros de fora para agregar e isso deu um ar novo.
Qual foi a contribuição do Rodolfo nesse novo disco?
Foi a primeira vez que trabalhamos com ele. O Rodolfo é um cara que conseguiu simplificar o que a gente estava achando complexo. A nossa relação pessoal é muito amistosa. Nós já conhecíamos o talento dele e, para nós, o trabalho superou as expectativas.
Esse foi um álbum gravado em 2019, mas lançado só há pouco tempo. O que houve?
A ideia era que ele fosse lançado neste ano, quando a gente completa 20 anos de carreira. Seria algo legal: 20 anos de banda em 2020. Mas veio a pandemia e foi uma incógnita. Ao longo do ano, lançamos outros singles do álbum, como “Coração Fértil”, e soltamos o álbum na última semana.
Apesar de já termos lançado alguns singles, a emoção mesmo foi quando liberamos o disco todo. A sensação de ver o fã ansioso para ouvir o nosso trabalho é o que nos traz um gás novo. A gente acreditava muito no disco, mas só teríamos a resposta mesmo sobre ele quando fosse disponibilizado.
O amor é um tema que está sempre presente no reggae e em outros estilos musicais. Mesmo assim, ele nunca deixa de abastecer os compositores. Acha que, para vocês, compor uma “Love Song” aos 20 anos é diferente de compor aos 40?
Para mim, total. Posso te falar até de questão pessoal. Vivi um monte de histórias na minha vida e tenho três filhos. Encontrei a mulher da minha vida depois dos 38 anos. A partir daí, escrevi um monte de parada diferente. Acho que você escreve muito de acordo com seu amadurecimento.
A maturidade mudou sua maneira de encarar o amor?
Total! Maturidade de você realmente abraçar a causa e ser mais verdadeiro. Eu vi uma frase de um cara chamado (padre) Fábio de Melo que é assim: “Nunca se condene a morrer com seus defeitos e não use a expressão não vou mudar”. Ela diz muito para mim, na questão de estar evoluindo sempre. Eu não sou um cara turrão. Se isso não acontecesse, não estaríamos juntos com a banda há 20 anos. Existe muito conflito de ideias, mas hoje há também mais maturidade.
A banda tem se encontrado para compor novas músicas nessa pandemia?
Sim, nos encontramos toda semana. Estamos envolvidos em uma websérie sobre questões ambientais em nossa cidade, Vila Velha. O primeiro episódio deve sair no próximo mês.
Depois de lançar um álbum, fica aquela ansiedade de levar as músicas para o palco?
Demais! Vem, vacina, pelo amor de Deus!
