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As conquistas este ano foram muitas, muito mais do que ele pediu a Deus. Com a cara e a coragem, e sua dose exageradamente deliciosa de bom humor, Gil do Vigor foi para a Califórnia fazer seu PhD em Economia. Tudo, ele diz, “na base da raiva”.
“Comecei o ano passado deprimido, eu não conseguia sair da cama. O único dia em que eu fui à faculdade, para o Mestrado, peguei a bendita da covid-19 e mainha pegou também. Aquilo me afetou muito. Eu não conseguia ler duas páginas e pensei: me lasquei”.
Foi então que tudo mudou. “Decidi que ia vigorar. Foi na base da raiva, do ódio, da indignação”, diz. Após o BBB, ele está se dedicando aos estudos nos Estados Unidos. “Eu quero mostrar o poder do estudo. Levar o gosto de ser um acadêmico para as pessoas. E sou o acadêmico da cachorrada, que chora, que ri, e que jamais vai perder seu ‘pernambuquês’. Não vou perder meu ôxente, meu luxo, meu visse”, salienta.
A conversa com o pernambucano de 30 anos é cheia de momentos divertidos e, claro, seu gritinho de “Brasiiiil” que já ficou marcado. Ao lembrar dos perrengues que já viveu e de sua vida no momento, ele diz ainda não acreditar em tudo o que está acontecendo.
“Não parece que é real, amada. Estou em uma coletiva de imprensa. Olhe isso! Eu nunca vou me acostumar. Foram 30 anos tendo o meu estilo de vida. E só alguns meses em algo que parece um milagre de Deus. Parece assim: Deus devolveu a visão ao cego, fez o aleijado andar e fez Gil do Vigor vigorar. É um milagre!”, comenta, às gargalhadas.
A conversa com a imprensa é sobre a série de cinco capítulos “Gil na Califórnia”, que mostra a vida do “rei do atrevimento” na faculdade americana. E, por lá, algum perrengue?
“Claro!”, ele começa. “Quando chega um rapaz latino com câmera pra todo lado, milhões de seguidores, eles falam: ‘Quem é você?’. Fui acolhido pelos meus colegas de quarto, mas não por todos os alunos. Alguns criaram meio que uma repulsa. Isso dificultou que eu me abrisse com todos da minha turma. Teve uma resistência”, lembra.
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“Se quiser ‘tchaki tchá’, aceito, porque meu amor é de quenga”
O que diria para o Gil do ano passado? Sua vida mudou tanto…
Gil do Vigor – Eu diria para Gil de 2020 que só ficasse tranquilo, que vai valer muito a pena, vai dar tudo certo. O Gil de 2020 estava perdendo a esperança, que é o que me move e o que move o Brasil inteiro. Então, eu falaria: “Calma e não tenha medo de ser quem você é, que as pessoas vão te amar”.
Passou perrengue com o idioma nos Estados Unidos?
O empecilho foi a comunicação. Eu gosto de abrir meu coração para todo mundo. E eu chegava e falava “I like so much” para todo mundo. Então, me perguntaram se eu estava apaixonado por todos os machos. Tive que ir de um a um explicar e deixar claro que não tinha a intenção de flertar. Mas, se quiser “tchaki tchá” comigo, eu aceito, porque o meu amor é de quenga. (Risos)
Mas, muitas vezes, pensei: será que vou conseguir viver aqui? Ficar sem o cuscuz? Você acredita que eu chorei porque não tinha cuscuz? (Risos) Eu também tinha medo de me comunicar de forma errada e ofender ou magoar alguém. Mas, no final, estava fazendo “tchaki tchá”, que eu não sou obrigado a nada.
Em algum momento, sentiu que ia tirar o seu pé do chão?
Nunca. Mainha me trouxe para a realidade cedo, e sempre me disse que ninguém é melhor do que ninguém. E, quanto mais coisas eu conquistava, menos importante me sentia. Eu achava que o pessoal do Mestrado era chique, inteligente. Quando olhei… Aquela pompa todinha e é uma fuleragem dessa?! Ai, ai. (Risos) Eu continuo a mesma coisa, a mesma pessoa. Só que agora eu tô chique. Ela faz as compras em dólar. Ai! Isso, eu adoro.
Está famoso, milionário, poderoso…
Amiga, se eu tivesse com essa bola toda, eu teria pelo menos uns vinte pedidos de namoro, e eu não tenho. O povo pede para tirar foto comigo, mas ninguém quer me dar um beijinho. (Gargalhada)
No futuro, aceitaria um convite para ser ator?
Eu quero mais e comecei a criar algumas metas. Sou economista e penso muito no povo, no pobre. Quero contribuir para quem precisa. Mas também estou fazendo um curso de canto online, eu quero ter o meu CDzinho, com minhas musiquinhas eruditas. Também quero fazer uma novela, que é o meu sonho. E eu quero fazer um filme de drama, em que eu morra no final. Ou no meio. Tanto faz. (Risos)