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“Treino meus filhos para serem bons pais”, diz Kelly Key

Desde sempre empoderada nas suas letras, Kelly Key, 37, diz ter encontrado uma receita para construir a sociedade ideal, onde não há espaço para ...

"Quero que eles saibam se defender desse mundão e que se coloquem de forma correta” Kelly Key

Última atualização

"Quero que eles saibam se defender desse mundão e que se coloquem de forma correta”Kelly Key (Foto: Divulgação)

Desde sempre empoderada nas suas letras, Kelly Key, 37, diz ter encontrado uma receita para construir a sociedade ideal, onde não há espaço para machismo e preconceitos.

Mãe de Artur, de 3 anos, e Jayme, 15, a cantora, que cresceu brincando de casinha com o irmão, revela que usa da mesma diversão para passar bons valores aos seus filhos.

“Digo que treino meus filhos para serem bons pais no futuro, porque ofereço bonecas a eles e a gente brinca com essa questão de eles serem pais também. Falamos muito das mulheres, do empoderamento, mas existe uma outra questão, que é a de construir homens melhores para uma sociedade, assim como pais melhores para seus filhos. É uma criação sempre muito preocupada em torná-los os melhores seres humanos possíveis”, afirma ela, que também é mãe de Suzanna, 19.

A carioca ainda levanta a bandeira da representatividade e destaca a importância de ser um bom exemplo para os menores.

Kelly Key com seus três filhos, Jayme, de 15 anos, Artur, 3, e Suzanna, 19 (Foto: Reprodução / Instagram)“O que eles veem dentro de casa, eles levam para a vida. Pode ser que, em algum momento de descobertas e de novas influências, outras questões se aflorem, mas, com a maturidade, eles conseguem discernir o certo do errado. Quero que eles saibam se defender desse mundão e que se coloquem de forma correta, porque é isso que enche a gente de orgulho, não tem jeito”, diz Kelly Key, que, no início do mês, causou polêmica ao postar fotos tomando banho com o filho menor.

Disco

Os 20 anos de história musical da artista, marcados por letras de empoderamento em meio a batidas pop, são lembrados no recém-lançado disco “Do Jeito Delas” (Warner Music).

O trabalho traz dez regravações dos maiores hits de sua carreira, como “Baba”, “Anjo” e “Adoleta”. Nas novas versões, ela divide os vocais com nomes que contribuem para o movimento pop feminino atual, como Preta Gil, Luísa Sonza, MC Rebecca, Pocah e Gabi Martins. Há ainda as inéditas “Falta que me faz” e “Montanha Russa”.


ENTREVISTA | Kelly Key, cantora
“Eu sempre fiz música para mim”


“Hoje, tenho mais maturidade”, disse a cantora (Foto: Divulgação / Lúcio Luna)AT2 – Celebra 20 anos de carreira com disco focado em releituras. Por que regravar essas músicas?
Kelly Key – Esse CD foi um convite que recebi há cinco anos da minha gravadora e neguei porque não achava que era o momento. Tinha muitas coisas ainda a realizar, de forma pessoal, e outras questões de trabalho que ainda precisava cumprir.

Há dois anos, a gravadora voltou a entrar em contato com o mesmo convite, e aí achei que poderíamos sentar e conversar em novos moldes de trabalho, de como eu estaria disposta a me doar nesse momento para a música. Eles toparam e a gente resolveu lançar esse álbum para celebrar não só os 20 anos de carreira, mas, principalmente, para brindar o momento que o pop vive atualmente.

Tem muito orgulho da trajetória que construiu?
Claro que tenho muito orgulho da minha trajetória, de tudo que eu construí! Acho que era importante pontuar este momento, até porque tive dois hiatos na carreira musical. Precisava dar uma amarrada em toda essa história, fazer alguns resgates e trazer canções inéditas, até para as pessoas conhecerem um pouco de quem eu sou hoje.

E estou achando divertidíssimo fazer tudo isso, sabe? Quando canto todas essas músicas, vêm muitas coisas boas na minha cabeça. E as artistas que participaram trouxeram um ar mais fresco para algumas faixas, que têm até 20 anos de vida. Foi tudo muito incrível!

Como foi a seleção dos sucessos que entrariam no disco?
A gente pediu a participação de muitos fãs, sem eles saberem do que se tratava. É óbvio que, dentro da lista que eles montaram, a gente escolheu algumas, né? Não conseguimos colocar todas, até porque cada música marca uma pessoa de uma forma diferente. Mas foi basicamente assim. Depois, eu também coloquei aquelas que eu achava interessantes.

O empoderamento feminino sempre esteve presente nas suas músicas. O título “Do Jeito Delas” traz esse conceito?

O título faz uma referência ao meu segundo álbum, que se chama “Do Meu Jeito”. E é muito divertido, porque a gente vive um momento muito positivo em todo esse cenário, até mesmo dentro da música. Nós, mulheres, ainda temos tantas coisas a conquistar daqui pra frente… Mas a gente já andou um longo percurso e, quanto mais unidas estivermos em várias questões, maior será a nossa luta e vitória.

Eu sempre fiz música para mim, para o que eu gostava de ouvir e meu discurso atual, e não tinha muita noção de que estava sendo tão empoderada em algumas letras. Esse discurso empoderado vinha de uma forma muito natural.

Hoje, tenho mais maturidade, um pouco mais de consciência daquilo tudo. E, naquela altura, algumas letras vinham num tom meio de revolta.

Atualmente, há uma forma mais consciente de colocar as coisas, mas é muito legal ver o caminho que a gente vem percorrendo, coisas que a gente vem conquistando e perceber que essa união entre mulheres é real.

O QUE ELA DIZ


“Meninas fortes”

Preta Gil, Luísa Sonza, MC Rebecca, Pocah, Clau, Gabi Martins, Cynthia Luz e Gabily são as convidadas do disco “Do Jeito Delas”, o novo trabalho de Kelly Key.

“Chamei meninas com quem me identifico, que acho o trabalho legal. São meninas fortes, de opinião, que juntas fizeram do movimento pop um movimento real. Fico muito feliz pelo tamanho do movimento pop hoje. Tenho 20 anos de carreira e a gente sentia muita dificuldade no início. As meninas que têm uma origem no funk sentiam muito mais, o preconceito era muito maior. Então, é muito bonito ver isso tudo acontecer no mundo da música, do pop e das mulheres”, afirma ela, que, por questões burocráticas, deixou a versão de “Cachorrinho”, com Lexa, de fora.

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