Muita criatividade e um espetáculo de luzes marcaram o segundo dia do desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Carnaval de Vitória no Sambão do Povo.
Entre a noite de sábado (7) e a madrugada de domingo (8), cinco escolas passaram pela avenida: Rosas de Ouro, Unidos da Piedade, a atual campeã, Independente de Boa Vista, Chegou o que Faltava e Andaraí.
Primeira a desfilar, a Rosas de Ouro levou São Mateus para o Sambão. Apesar de um problema com seu abre-alas – uma barra de ferro que ligava duas partes do carro saiu do lugar – a escola conseguiu terminar dentro do tempo.
Com o enredo “Cricaré das origens – O Brasil que nasce em São Mateus” a escola representou em suas alas povos originários, fé, presença africana, imigrantes, Carnaval de Guriri, petróleo, entre outros elementos local.
Destaque para a interprete Letícia Jesus, a única mulher a ocupar essa posição no Carnaval de Vitória. O último carro alegórico, representando o rio, chamou a atenção por sua beleza.
Um momento de expectativa ocorreu quando uma falha no sistema de som paralisou por cerca de 40 minutos o desfile da Unidos da Piedade. A “Mais querida” já ultrapassava 15 minutos de desfile quando o problema ocorreu. Segundo a organização, uma falha de energia elétrica no bairro afetou a sonorização. O cronômetro já em 24 minutos parou e voltou para 15 minutos. A escola não desanimou e fez um lindo desfile.
Outras cinco escolas do Grupo Especial desfilaram entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado: Pega no Samba, Novo Império, Unidos de Jucutuquara, Mocidade Unida da Glória (MUG) e Imperatriz do Forte. Na quarta-feira, será a apuração das notas, a partir das 16h, no Sambão do Povo.
O Grupo de Acesso que tinha os Grupos A e B foi transformado na Série Ouro, com nove escolas. Os desfiles serão entre os dias 13 e 14, no período do Carnaval oficial.
Destaques
Piedade emociona
Reforçando a importância do samba como manifestação cultural e social, a Unidos da Piedade, escola mais antiga do Carnaval capixaba desfilou com o enredo “O Canto Livre de Papo Furado”, uma homenagem a Edson Papo Furado, figura emblemática ligada à identidade da escola.
O casal de mestre-sala e porta-bandeira foi um dos pontos altos da apresentação.
Nem mesmo a paralisação temporária do desfile, por problemas na energia elétrica do bairro, desanimou os foliões.
Boa Vista faz homenagem ao congo
Em busca do bicampeonato, a Independente de Boa Vista levou para a avenida o enredo “João do Congo – A Voz Que Dança nas Folhas da Resistência”, em homenagem a cultura afro-capixaba e a João Bananeira, símbolo do Congo de Roda d’Água, em Cariacica.
O destaque foi a comissão de frente que trouxe Nossa Senhora da Penha erguida aos céus por um elevador, mas apresentou falha em frente aos jurados.
No abre-alas, o som de uma águia – símbolo da agremiação – ecoava junto ao canto da plateia.
Com uma fantasia representando as cores do congo e João Bananeira, Wanusa Cornachini, rainha da bateria, também brilhou na avenida.
Chegou o que Faltava filosófica
Com as cores azul, rosa e branco, a Chegou o que Faltava apresentou o enredo “Orí – Sua Cabeça é Seu Guia”, inspirado na cultura iorubá.
O desfile mostrou a cabeça humana não apenas como um elemento anatômico, mas como um centro de sentidos, inteligência, memória e imaginação, capaz de conectar passado, presente e futuro por meio da ancestralidade.
A escola uniu estética, filosofia e ancestralidade, com muitas cores e brilhos.
Andaraí fecha desfiles com o dia claro
A Andaraí foi última escola a desfilar no Sambão. Já com o dia de ontem amanhecendo, a agremiação entrou na avenida para contar a própria história, com o enredo “01/12/1946”.
O enredo destacou o território do Mulembá, hoje bairro Santa Martha, exaltando o futebol de várzea, a batucada, a fé popular e o batismo verde e rosa como pilares de sua identidade. O samba buscou fazer uma retrospectiva até os dias atuais.