
O autor e pai de Tunico, Martinho da Vila, participou da gravação no Rio. No clipe que será lançado no final de abril, aparecem diversas personalidades da música, intelectuais, artistas, professores, sambistas, que falam o que querem para as futuras gerações, para eles, para o Brasil e para o mundo. Dentre eles: Pedro Bial, Sabrina Sato, Dudu Nobre, Carlinhos de Jesus, Flávio Migliaccio, Xande de Pilares, Érico Brás, Daniela Sarahyba, dentre outros.
“O samba fala do querer humano, do participar, do grito pelos direitos soberanos unindo samba e rap, duas culturas negras mensageiras. Acabou se tornando um desabafo coletivo, em tempos abafados, para quem aprendeu sobre liberdade como eu. Convidei amigos e amigas rappers, homens e mulheres, para desabafarmos juntos, cada um ao seu modo. Na filosofia africana é assim, todo mundo junto. A música, a poesia cantada, libera energias e forças para um mundo melhor”, disse Tunico.
A canção foi gravada originalmente em 1977 no LP “Presente” na época da ditadura, em plena repressão militar. Em seus versos: “sou errado, sou perfeito, imperfeito sou humano, sou um cidadão direito e meu direito é soberano”. Tunico que serviu o exército como seu pai, que chegou a sargento, disse que a música libertou seu ser.
“Servi como experiência do que não queria ser na vida (risos)… chegando em Vila Isabel do quartel, Mestre Trambique, que dava aulas de percussão para a criançada da escola de samba, me viu de farda e disse ‘o Tunico se liga, sua farda é outra’. Eu senti o recado e fui tocar atabaques, depois ser percussionista e cantar samba que é a minha bandeira e carregar o meu pandeiro, a minha arma”, disse ele.
A ideia de fazer uma releitura de “Quero, Quero”, partiu de Tunico que sentiu que era preciso aguçar os jovens à refletirem sobre o tempo presente: “em tempos de resistir, de falta de afeto, de armamento e sandices é preciso enviar mensagens para quem está vivendo, querendo, lutando, para poderem continuar a sonhar, desejar e amar. Essa é a nossa potência, sem isso não há respiro para a alma. A música cumpre esse papel em qualquer tempo”.