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Wanessa Camargo mostra suas garras

Começou dócil. Alvo dos holofotes desde a infância por ser herdeira de Zezé, a cantora Wanessa Camargo iniciou a carreira aos 19 anos cantando o ...

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Wanessa Camargo  (Foto: Foto: Jornal AT)Começou dócil. Alvo dos holofotes desde a infância por ser herdeira de Zezé, a cantora Wanessa Camargo iniciou a carreira aos 19 anos cantando o amor. Mais tarde, rolou sofrência. Mas, aos 35, a gata se liberta, mostra as garras, com ousadia e muita sensualidade, no novo hit “Mulher Gato”.

Trechos como “Me chama, me toca, me cheira/Quero brincar/Me pega na marra, me amarra/Me faz miar/Não dá pra aguentar/Tô louca pra dar um beijo na sua boca/Me joga pra cima que eu caio de quatro/Sou sua mulher-gato” têm dado o que falar. E causado muita polêmica!

Mas, em entrevista ao Jornal A Tribuna, ela defende: “Toda mulher tem o direito de se expressar como quiser. Como mulher-gato, passarinho, águia, tigre… Toda mulher tem direito de se sentir sexy. Gosto de me sentir assim, bonita, sentir que meu marido me deseja. Tem mulher que não precisa disso e está tudo ok”.

Dizendo ser “senhora de seu destino”, cantando e falando o que pensa, Wanessa mostrou seu novo hit em show feito nesse sábado(19) no Festival Open Grill, em Linhares.

“Tem quem ache agressiva, mas eu respeito”

A TRIBUNA Quem é essa nova Wanessa, essa “mulher-gato”?

WANESSA CAMARGO- Essa sensualidade sempre existiu. Não é nada de novo. É a velha Wanessa, só que com mais liberdade. “Mulher Gato” é uma música diferente.

>O que as pessoas mais próximas de você acharam do novo hit, dessa transformação?

Todo mundo gosta do ritmo e da melodia. O que divide opinião é a letra, porque algumas pessoas, quando a ouvem, têm malícia e a imagem choca. Mas há aquelas que acham divertida e super 2018. Pensam: “Que legal uma mulher poder falar disso!”.

Na minha cabeça, estou do lado de quem gosta de tocar nesses assuntos. Acho importante a mulher demonstrar a sexualidade dela. Tem muita gente fazendo música com a nossa sexualidade, objetificando, e acho que é a mulher que tem que tomar conta disso. Se alguém vai falar da minha sexualidade, que seja eu! Essa música representa isso.

Tem quem ache agressiva, mas eu respeito. Mas essa música é para divertir. Se houver pessoas se divertindo, trabalho feito!

>Imaginava que daria tanta polêmica?

Não. Por ser de duplo sentido, achei que estava “ok”. Imaginei que poderia causar algum estranhamento, como minha mãe teve, mas ela foi, abraçou a ideia e está miando! Foi o que aconteceu comigo.

O Marcos também estranhou, mas me surpreendeu, porque está supercurtindo, e meus filhos amando! Meu pai achou um barato! Disse: “Sacada forte. Mas ela tem os dois lados, tem gente que gosta e odeia”. Mas estamos aqui para isso!

Minha família adora, sabe que eu tenho um propósito para fazer as coisas. Entende que, para mim, é importante passar essa mensagem.

Se não cutucarmos algumas feridas, quebrarmos essa redoma de vidro e jogarmos para fora o que sentimos, não andaremos para frente. Temos a missão de deixar o mundo cada vez melhor para as mulheres.

>Também foi criticada por lançar essa canção, extremamente sensual, após a maternidade…Mas a mãe faz bebê como?

Não existe concepção como a de Maria! (Risos) Tem que fazer o negócio! E, quanto mais o tempo passa, você vai ficando melhor e mais sexy.

>E como lida com as críticas?​​​​​​​

Opinião, todos têm todo o direito de dar. Críticas para ofender, passo reto e vou embora. As pessoas que carreguem as negatividades delas!

>Enxerga como uma postura machista?

Não gosto de julgar os outros, porque não sei como eles foram criados. Por muitas vezes, me vi machista, porque aprendi a ser assim: menina tinha que brincar com boneca, mulher não pode ter certos posicionamentos… Existe uma cartilha.

Mas eu, por exemplo, nunca gostei de rosa. Então, me sentia estranha. Isso tudo é parte de uma cultura. Nossa cultura toda – e isso não é culpa de ninguém – é machista.

A gente tem que começar a desconstruir isso. Por isso feminismo é muito importante. Não gosto de julgar, porque tem gente que aprendeu que mulher não fala de certos assuntos. Então, a gente tem que mostrar para essas mulheres que não. Elas podem falar disso. Você não precisa esconder que tem esses desejos. Você pode cantar e soltar sua fera dentro de quatro paredes, ou dentro de quantas paredes quiser.Então, tenho feito muito o exercício de não julgar. Tenho que me desconstruir e aprender também.

>Existem músicas muito mais agressivas, que desrespeitam a mulher?

Sim. São músicas de homem falando para mulher que ela é objeto sexual dele. Isso tira a liberdade da mulher e o nosso poder de decisão. E vai inserindo algo negativo na cabeça das pessoas. Não é à toa que vivemos em uma sociedade onde muitos homens não respeitam as mulheres.

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