
O zagueiro baiano formou uma dupla de zaga inesquecível com Márcio Santos. Os dois fizeram o Brasil terminar aquele Mundial, nos Estados Unidos, com a defesa menos vazada da competição, com apenas três gols sofridos, sendo os pilares para a conquista do tetra.
“Ele era muito bom na bola aérea, era muito forte, tinha muita habilidade também. A gente se completava, uma coisa compensava a outra”, relembra.
A dupla de zaga, porém, por pouco não existiu na Copa do Mundo, apesar da grande fase de Aldair, na Roma, da Itália, onde é conhecido como Pluto, por parecer com o personagem da Disney. O zagueiro ficou de fora da convocação inicial, do técnico Carlos Alberto Parreira, e foi chamado após o corte de Mozer, que apresentou quadro de hapatite.
“Eu estava voando! Achei muito chato não ter sido convocado no início, tive a oportunidade de me preparar bastante bem aí quando você não é convocado, a tua moral vai lá em baixo, mas depois acabei sendo chamado e deu tudo certo”, afirma o zagueiro.
Depois da lesão muscular de Ricardo Rocha, na estreia contra a Rússia, Aldair assumiu a vaga de titular da Seleção em Copas do Mundo. O zagueiro já tinha participado do Mundial de 1990, quando não teve oportunidade de jogar, e foi titular na campanha do vice-campeonato de 1998, diante da França.
Defendendo o Brasil, o zagueiro do tetra também conquistou a Copa das Confederações, em 1997, e duas vezes a Copa América, 1989 e 1997.
Aos 52 anos, Aldair, que também é ídolo do Flamengo e da Roma, conversou com exclusividade com A Tribuna e afirmou que está gostando do desempenho dos zagueiros Miranda e Thiago Silva, nesta Copa do Mundo, e que acredita que o Brasil possa trazer o hexa, da Rússia.
A TRIBUNA: Aldair, como você se sentia tecnicamente para a Copa de 94? Já estava comendo a bola em Roma…
ALDAIR: “Eu estava voando! Achei muito chato não ter sido convocado no início, tive a oportunidade de me preparar bastante bem aí quando você não é convocado, a tua moral vai lá em baixo, mas depois eu acabei sendo chamado”
O que chegou até você, naquela época, sobre o corte do Mozer? Como foi o chamado? Quem te ligou?
Na hora do corte, eu estava em Roma, em um restaurante, aí alguns jornalistas me falaram, mas eu procurei não dar muita importância. Depois me ligou o pessoal da CBF, o Américo Faria, e foi uma surpresa, porque eu já não esperava mais.
Você vinha de uma Copa, em 90, mas que não teve oportunidades de atuar. Por conta disso, estava com mais vontade ainda de jogar a de 94?
Acredito que não. Cada competição é diferente da outra. Na Copa 90, eu fiquei chateado de não jogar, porque estava muito bem, tinha disputado a final da Champions League com o Benfica, depois de muitos anos que o clube não chegava. Mas depois que voltei da final eu não era mais titular, então eu não entendi. Mas são coisas diferentes, até porque as comissões eram diferentes.
Você teve a oportunidade de assumir a posição de titular após a lesão de Ricardo Rocha na estreia. Como foi para você, naquele momento?
Ricardo se machucou no segundo tempo, quase no final do jogo. Entrei no lugar dele e foi tranquilo, o Márcio Santos estava muito bem também.
Você assumiu a posição e deu conta do recado, formando uma dupla de zaga incrível, com Márcio Santos. Como era formar dupla com ele? Vocês se completavam em campo?
Foi o que foi (risos), eu e Márcio Santos, os poucos gols que nós levamos. Ele era muito bom na bola aérea, era muito forte, tinha muita habilidade também. A gente se completava, uma coisa compensava a outra.
Vocês formaram a defesa menos vazada da competição. Imaginavam que teriam um rendimento tão bom? Acredita que não levar muito gols seja um caminho importante para ser campeão na Copa?
A Seleção de hoje se defende muito bem, gosto do posicionamento deles em campo. Quem leva menos gols, ganha a Copa, isso é histórico. Nós tínhamos uma defesa muito boa e um meio campo bem formado também.
Mauro Silva e Dunga davam a segurança que você e Márcio Santos precisavam ali na entrada da área. Você vê essa mesma proteção hoje, com Casemiro?
Com Casemiro sim. Paulinho também ajuda bastante na marcação, mas tem mais liberdade, o Casemiro faz mais essa proteção que é muito importante. Os dois estão bem e a defesa do Brasil também.
Na vitória contra a Holanda, por 3 a 2, na Copa de 94, o primeiro gol do Brasil saiu dos seus pés. Você fez um lançamento incrível para o Bebeto, que estava pela esquerda. O que você lembra desse lance?
Esse lance é muito presente na minha cabeça. Estávamos muito preocupados com a bola longa do Koeman (zagueiro e capitão holandês) e acabou que eu que dei esse lançamento para o Bebeto. Na hora que eu dominei, já vi o Bebeto longe e peguei bem na bola. Foram cinco toques até o gol do Romário. Eu dominei e lancei, Bebeto dominou e cruzou para a finalização do Romário.
Qual foi o atacante mais difícil de marcar naquela Copa de 94?
Tivemos dificuldade com bola alta, com o centroavante da Suécia, o (Kennet) Andersson, que fez um gol no primeiro jogo contra a gente, na primeira fase. Era um jogador que jogava mais centralizado e era muito alto, forte, então o Andersson deu muito trabalho para a gente. Depois as seleções que enfrentamos jogavam mais com atacantes caindo para o lado, como a Itália e a Holanda.
O Brasil pode enfrentar a França mais uma vez em uma Copa do Mundo, possivelmente na semifinal. Você estava naquela derrota contra os franceses, na final de 1998.Como você vê o momento da França e que tipos de cuidados o Brasil deve tomar contra os franceses?
Realmente pode acontecer essa semifinal. Acredito que a França e o Brasil passem em primeiro e se encontrem na semifinal. Será uma bela partida. A França tem uma seleção muito jovem, eles vem jogando há muito tempo juntos. Mas o Brasil é mais forte que a França, mas claro que esse jogo tem uma coisa diferente. Acho que o Brasil, quanto mais jogos tiver, vai pegando mais confiança. A atuação do Neymar hoje (contra a Costa Rica) foi importante para ele e para o Brasil. Então, acho que o Brasil tem muito o que melhorar ainda e que tem chances de conquistar o título.

Estou gostando da opção do Tite. Thiago Silva é um dos melhores zagueiros que nós temos e um dos melhores do mundo, no momento, e Miranda também tem jogado bem. Os dois casam bem. No lance contra a Suíça, eles marcaram a zona, foi uma bola muito rápida, e o goleiro tinha que ter saído e atropelado tudo. Foi falta no Miranda, ele foi empurrado, mas acho que daria para ter chegado alguém naquela bola.
Qual sua análise sobre a primeira vitória brasileira nesta Copa? O Brasil melhorou em relação ao primeiro jogo?
O Brasil comandou o tempo todo. Claro que não encontrou o gol logo no início, mas foi uma situação controlada, em geral, principalmente no segundo tempo, com a entrada do Douglas Costa e do Firmino.
Douglas Costa mostrou que merece ser titular?
Mostrou sim, que tem essa capacidade. Jogou contra uma defesa muito fechada da Costa Rica, para defender o empate, e ainda bem que o Brasil conseguiu fazer os gols.
As seleções menores estão apostando muito nessa forte marcação, com uma linha de 5 e uma de 4. O que é preciso para superar esse bloqueio?
É fazer o que Brasil fez hoje (sexta), teve paciência. Acho que precisa colocar só um pouco mais de velocidade, para romper o bloqueio. Não só a Costa Rica contra o Brasil, mas todas as seleções têm se aplicado bem defensivamente.
Apesar de ser baiano, você se apaixonou pelo Espírito Santo. Chegou a jogar aqui, no Rio Branco. Ainda mora aqui?
Sim, quando estou no Brasil, minha base é o Espírito Santo.
