Uma das “estrelas” da recém-encerrada Copa do Mundo, o árbitro de vídeo (VAR) vai estrear para valer no futebol brasileiro nas quartas de final da Copa do Brasil, a partir do dia 1º de agosto. O recurso tecnológico será adotado pela primeira vez em uma competição nacional no País.
O objetivo não é acabar com o erro no futebol, mas diminuir as injustiças. Espera-se um índice de 96 a 97% de acertos com o VAR, o que representa um aumento de 6 a 7% da média atual, de acordo com números da CBF.
“O VAR tem que ser usado para evitar erros históricos, um gol de mão, impedimento, um toque que não houve. Não é para lances interpretativos”, explica o diretor de árbitro de vídeo da CBF, Sérgio Corrêa.
O investimento para o VAR na Copa do Brasil fica entre R$ 700 mil e R$ 1 milhão em 14 jogos (de R$ 50 mil a R$ 70 mil por partida) e será bancado pela CBF.
O serviço será prestado pela empresa Broadcasting Televisão Ltda, que venceu licitação.
Dessa forma, sem precisar colocar a mão no bolso, oito clubes brasileiros vão testar a tecnologia no mata-mata da Copa do Brasil: Corinthians, Chapecoense, Grêmio, Flamengo, Bahia, Palmeiras, Santos e Cruzeiro.
No fim das contas, as reclamações devem diminuir.
Nesta temporada, o recurso também será usado a partir das quartas de finais da Libertadores.
Além da Copa do Brasil, o Brasileirão também já poderia ter o VAR, mas os clubes recusaram em votação feita em fevereiro.
O alto custo foi a principal justificativa dos dirigentes. Segundo cálculos apresentados pela própria CBF na época da votação, o investimento de cada clube seria de R$ 1 milhão, com custo de R$ 40 mil a R$ 50 mil por partida para a equipe mandante.
Teste
A tecnologia foi testada pela primeira vez no Brasil durante as finais do Campeonato Pernambucano do ano passado, entre Sport e Salgueiro/PE, quando o árbitro de vídeo atuou em dois lances. No primeiro jogo, confirmou pênalti para o Salgueiro, após seis minutos de checagem. Já na decisão, o árbitro Wilton Sampaio anulou um gol do Salgueiro, após consultar o VAR, e o Sport ficou com o título.
Em 2017, a tecnologia também foi testada na final da Copa Sul-Americana entre Flamengo e Independiente/ARG.
Custo alto é o vilão para os clubes
O Flamengo foi um dos sete clubes que votaram a favor da utilização do árbitro de vídeo (VAR) no Brasileirão deste ano. O projeto, entretanto, não foi aprovado, já que 12 clubes votaram contra por causa do alto custo — de R$ 40 mil a R$ 50 mil por partida.
O presidente do Fla, Eduardo Bandeira de Mello, explicou à reportagem de A Tribuna que pediu uma retomada da discussão.
“Entendemos que não resolverá todos os problemas. Mas pensamos como algo essencial que aumentaria muito a justiça dos resultados. Temos total consciência de que o Flamengo já foi beneficiado e prejudicado, assim como todas as equipes, e isso não muda em nada nossa posição. Queremos um futebol justo para todos”, afirma.
Apesar de estar disposto a realizar o investimento, Bandeira acha que a CBF deveria bancar as despesas da tecnologia, assim como será na Copa do Brasil deste ano, a partir das quartas de final.
“Algum time que poderia perder um título, que rende uma premiação em dinheiro, por exemplo, por um erro objetivo do juiz, teria justiça feita. É claro que para muitas equipes pequenas é um investimento alto, mas entendemos que esse poderia, ainda que a médio ou longo prazo, ser um investimento por parte da CBF”.
Com árbitro de vídeo, o Flamengo enfrenta o Grêmio no dia 1º de agosto pela Copa do Brasil. Outro jogo do time com a tecnologia pode acontecer em caso de classificação para as quartas de final da Libertadores. “Esperamos que os resultados sejam justos, sem ninguém se beneficiar com erros”, completou o dirigente.

