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Assustada com a repercussão que tomou o seu caso, a árbitra assistente Marcielly Netto, de 29 anos, agredida com uma cabeçada durante uma partida de futebol em Nova Venécia, pelo Capixabão, no último domingo (10), só tem um pedido a fazer: que a justiça seja feita.
A bandeirinha, que realizou exame de corpo de delito, na tarde de ontem, no Serviço Médico Legal (SML) de Colatina, contou, em entrevista para A Tribuna, que antes de ter sido agredida pelo ex-técnico da Desportiva Ferroviária Rafael Soriano, ainda ouviu palavras de baixo calão.
“Naquele momento, eu vi que ele estava um pouco alterado e falei: ‘Calma, calma, calma’. Ele logo bateu na minha mão. Depois de muitas palavras grosseiras, eu solicitei que o árbitro o expulsasse e, quando o árbitro fez o sinal de que iria expulsá-lo, ele acabou fazendo o que fez”, disse.
Com a voz embargada, a árbitra, que atua na Federação de Futebol do Espírito Santo (FES), desde 2015, e pela CBF, desde 2019, só deseja que o acusado seja punido. “Não desejo mal para ele, só quero que a justiça seja feita e mais nada”, contou.
Sobre a entrevista à TV Educativa, em que o ex-técnico afirmou que não teria encostado na vítima, a árbitra foi objetiva. “Pegou uma câmera de frente, que é a que passou na TV, mas tem as câmeras laterais também. Isso aí, ele tem que olhar”.
A agressão foi noticiada em vários sites do País e até no exterior. A repercussão do caso chamou atenção, inclusive, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, que pediu punição para o ex-técnico e se solidarizou com a árbitra assistente.
“Informamos que enviaremos ofício à Federação Capixaba de Futebol, à Confederação Brasileira de Futebol e ao Tribunal de Justiça Desportiva para solicitar punição exemplar ao agressor”, afirma a nota.
Além do apoio de órgãos e entidades não governamentais que combatem a violência de gênero, Marcielly recebeu apoio de mulheres de todo o Brasil. Ela agradeceu a solidariedade.
“Estou um pouco assustada. Não esperava o que aconteceu ontem (domingo) e o que está acontecendo agora. Na arbitragem, nós somos poucas, mas quando nós somos vistas de fora, muita gente se junta à causa. Fico feliz por isso, só tenho a agradecer”.
“Deveria ter saído preso do campo”
A agressão sofrida pela árbitra assistente capixaba Marcielly Netto, 29 anos, no intervalo da partida entre a Desportiva Ferroviária e o Nova Venécia, no último domingo, repercutiu em todo o País e principalmente em entre quem entende de violência contra a mulher.
A promotora de Justiça do Ministério Público de São Paulo Gabriela Mansur, que já atuou em casos importantes como o da modelo Luiza Brunet, agredida pelo ex-companheiro, repudiou a agressão contra a árbitra. Para ela, o ex-técnico do Desportiva Rafael Soriano deveria ter saído preso de campo.
“Esse fato foi lamentável. Acredito que ele deveria ter saído preso em flagrante delito do campo de futebol, para mostrar que existe punição, que a lei é mais forte do que a violência contra a mulher”, destacou a promotora.
Ela, que é responsável pelo Instituto Justiça de Saia, que já atendeu mais de 10 mil vítimas de violência, disse ainda que vai exigir dos órgãos responsáveis que a justiça seja feita.
“Já estamos providenciando os encaminhamentos necessários para as autoridades competentes, pedindo promoção da Justiça e proteção à vítima. Em contrapartida, também nos colocamos à disposição dela”, disse.
A promotora explicou ainda que, por se tratar de crime de ação penal pública incondicionada, qualquer pessoa pode pedir que os fatos sejam apurados.
“Nós estamos do lado dela e queremos justiça para todas as mulheres”, frisou.