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Bruno Xavier na história do futebol de areia brasileiro

São 200 gols pela seleção brasileira de futebol de areia. E cada um deles tem um sabor especial para o capixaba Bruno Xavier. O craque, porém, liga ...

Última atualização

O capixaba Bruno Xavier chegou aos 200 gols pela seleção brasileira de areia (Foto: Rodrigo Galvão/CBSB)São 200 gols pela seleção brasileira de futebol de areia. E cada um deles tem um sabor especial para o capixaba Bruno Xavier. O craque, porém, liga menos para marcas e mais para a possibilidade desfrutar de cada momento que a modalidade que ele ama ainda o proporciona.

“Confesso que não ligo muito para marcas e recordes, porque eu amo o que faço. A minha maior alegria é jogar futebol de areia e tentar levar isso para quem joga comigo, quem joga contra e para a torcida também. Marcas, troféu, conquistas… vão passar. O que não passa é o legado de atitudes e os momentos, que eu tento aproveitar ao máximo porque está tudo passando muito rápido”, afirma, aos 34 anos.

Mas o ducentésimo gol de Bruno com a amarelinha rendeu um momento que ficará para sempre na memória dele, que agora está entre os 10 maiores goleadores pela seleção brasileira. O gol saiu no último dia 5, na final contra o Uruguai, com goleada por 10 a 1, e título das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo.

Capitão da seleção brasileira, o capixaba nascido em Vitória e criado na Praia de Carapebus, na Serra, agora tenta conquistar seu bicampeonato mundial com a amarelinha, depois do título de 2017, na última edição do torneio. A Copa do Mundo deste ano acontece em Assunção, no Paraguai.

A Tribuna — Como é para você chegar a essa marca e o que ela significa para você?
Bruno Xavier — É uma marca muito legal pela seleção. Entrei em um seleto grupo de jogadores. Mas confesso que não ligo muito para marcas e recordes, porque eu amo o que faço. A minha maior alegria é jogar futebol de areia e tentar levar isso para quem joga comigo, quem joga contra e para a torcida também. Marcas, troféu, conquistas..vão passar. O que não passa é o legado de atitudes e os momentos, que eu tento aproveitar ao máximo porque está tudo passando muito rápido.

Consegue listar os três gols mais bonitos pela seleção?
Aquele contra a Alemanha, o dos chapéus (ele aplicou três chapéus em dois marcadores e no goleiro). Eu estava para sair e, se eu saio, não teria feito o gol que muitos consideram o mais bonito da história do futebol de areia. O segundo foi contra o Taiti, na estreia da Copa do Mundo de 2017. Vi o goleiro adiantado e fiz por cobertura. E um que às vezes é o mais comum, mas por se tratar de onde foi, é o mais especial. Em Camburi, em 2016, contra o Uruguai. Primeira vez com a seleção no meu Estado e faço um gol de voleio, na veia!

 Bruno Xavier comemora marca pela amarelinha (Foto: Rodrigo Galvão/CBSB)E os mais importantes?
Na minha primeira Copa do Mundo, em 2013. Fiz três gols e o primeiro de voleio, contra Senegal, com um passe longo de Jorginho que eu peguei de primeira. Outro foi o da semifinal, na derrota por 2 a 1, contra a Espanha. Foi importante porque senti como é o tamanho de uma derrota com a seleção. Esse gol me revelou que o verdadeiro campeão primeiro tem que ser perdedor. E em terceiro coloco o meu primeiro gol com a seleção. Foi na partida de despedida do Júnior Negrão, em Camburi, e eu fui chamado para tapar buraco. Eu ainda era o “Bruno Cocada”, porque vendia cocada com meu pai. Entrei no lugar de Roberto Dinamite e fiz o gol.

Completar essa marca com gol na final e título foi ainda mais marcante?
O centésimo também foi de falta… Foi especial, da melhor forma. Eu já estava conformado que não iria fazer o gol, mas feliz pelo título. Aí, faltando um minuto, o Felipe sofreu a falta e pediu para sair. Eu estava no banco e ele falou: “não, cara, você vai fazer seu ducentésimo”. A minha batida é forte, mas o Mão (goleiro) falou: “Bruno, o goleiro está esperando sua pancada, bate no canto direito dele que está aberto”. Teve participação do grupo diretamente. Eles queriam que eu atingisse essa marca. Fiquei três jogos sem fazer gols.

Conte sobre essa época em que você vendia cocada nas praias…
Tenho maior orgulho. É minha raiz. Se um dia eu parar de jogar futebol, a vida der uma reviravolta, eu sei fazer cocada. Meu pai (Dorgival) tinha o sonho de ter um filho jogador de futebol. Eu era goleiro porque meu irmão falava que se não jogasse no gol não iria jogar porque eu era caçula. Quando eles saíam, eu jogava na linha dos meus amigos (risos). Eu ficava até 4h da manhã fazendo doces na fábrica que a minha família tem e meu pai me dava maior força. Eu ia para a Praia da Costa e Jardim da Penha para vender.

O Brasil voltou a vencer a Copa do Mundo em 2017, depois de três edições. A seleção está forte para brigar pelo segundo título consecutivo?
Sim. Essa seleção é diferente. Essa é a melhor seleção que eu já joguei porque ela é muito equilibrada. A gente se encaixa muito. Entram quatro e saem quatro e continua a mesma pegada. A gente é bem unido.

Quais seriam os principais adversários?
Vai ter ainda a Eliminatória Europeia, que tem muitas seleções boas. Mas Rússia e Itália vêm muito fortes. Foi uma surpresa também o Irã não ter classificado.

E o momento do futebol de areia capixaba? Aquela onda boa, com arenas lotadas e ídolos, passou?
Acredito que passou aquele “boom”, mas não só no Estado, no Brasil todo também. Só posso “linkar” isso à crise, a partir de 2014. A gente tinha Estadual muito forte, mas perdemos TV e patrocinadores. Acho que é o melhor momento para quem ama o beach soccer poder ajudar a resgatar, mas não para ganhar dinheiro, mas porque ama o esporte. Eu tenho um projeto chamado Centro de Treinamento Missão, em Anchieta, Meaípe, e Piúma, que atende a cerca de 400 crianças. Nós não paramos de tentar ajudar.

O que fazer para melhorar?
No sábado (hoje) mesmo vamos fazer o Desafio Anchieta x Estrela, às 10 horas, no campo do bairro Amarelo, em Cachoeiro. Acho que o futebol de areia de clubes é um caminho. O beach soccer é barato, os clubes deveriam estar atentos a isso. É um caminho rápido para disputar um Mundial e dar visibilidade para o clube.

Quais as suas melhores lembranças da época de ouro do futebol de areia capixaba?
Os Estaduais com as arenas lotadas, em Cariacica e Vitória. Tinha o sonho de ser campeão brasileiro pelo meu Estado. Em 2010, estava na seleção capixaba, lá em São Paulo. Eu falava “vamos ser campeões” todos os dias. Na final, ganhamos por 3 a 2, um gol de Bruno Malias e dois gols meus. O meu gol do título veio na prorrogação, faltando 20 segundos. Aquele foi o gol que mais representou a minha história e meu sonho. Porque eu via na TV o finado Joia, Pierre, Pablo, Leandrinho, Jô… Essa galera todinha. Tenho saudades só de lembrar. Esses caras foram responsáveis por eu ter esse sonho.

Aos 34 anos, pensa em aposentadoria?
Sou movido pelo amor. Eu amo futebol de areia, não consigo passar uma semana sem botar os pés na areia. Meu biotipo é bom, meu corpo é bom para a prática do beach soccer. Enquanto eu estiver vendo que estou jogando em algo rendimento eu vou jogar. Mas parar de jogar só quando eu morrer.

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