Time sensação do Campeonato Paulista, com a melhor campanha da primeira fase, o Red Bull Brasil sofreu diante do Santos apenas a segunda derrota na competição, no último sábado (23). Mas foi em um momento crucial. O resultado de 2 a 0 deixou a equipe santista em vantagem e podendo perder até por um gol de diferença para avançar à semifinal do Paulistão.
O zagueiro capixaba Rayne tem vivido de perto esse momento do Red Bull. Natural de Vitória, o defensor de 22 anos é reserva na equipe do técnico Antônio Carlos Zago e fez parte da campanha do time de Campinas que somou 27 pontos na primeira fase, conquistando oito vitórias em 12 jogos. Um retrospecto que mantém viva a convicção de que o confronto está aberto.
“Acreditamos que podemos reverter o resultado pelo que fizemos no campeonato. Entramos um pouco desligados contra o Santos, foi a pior partida nossa no campeonato. Isso influenciou muito”, comentou o zagueiro.
No Paulistão, Rayne foi titular no último jogo da primeira fase, na vitória do Red Bull sobre o Guarani por 2 a 1. Foi a única partida do zagueiro até então no Campeonato Paulista. Foi também no estadual que ele fez a sua estreia como profissional, no ano passado, diante do Linense.
Em conversa com a reportagem do Tribuna Online, o zagueiro falou um pouco mais sobre a experiência no time de Campinas e sua história no futebol.
Tribuna Online — O Red Bull teve a melhor campanha da primeira fase do Campeonato Paulista. Qual a “receita” da equipe?
Rayne — Acho que foram as pessoas que estão envolvidas nesse projeto, os jogadores, a comissão técnica do Red Bull. Contrataram pessoas vencedoras e isso influencia dentro de campo. Aqui tem jogadores com passagens pelas Séries A e B do futebol brasileiro, acostumados a ganhar títulos. E pela qualidade, nosso time hoje é tecnicamente um dos melhores do campeonato. Dentro de campo, não tem essa de camisa. Nós já mostramos contra os grandes, apesar de ter perdido contra o Santos, que podemos fazer frente a qualquer um deles.
Essa derrota para o Santos foi apenas a segunda na competição. O resultado abalou a equipe?
Por ser a segunda derrota, abalou um pouco ali na hora. Mas no outro dia já acordamos com o mesmo entusiasmo dos últimos jogos. Acreditamos que podemos reverter o resultado pelo que fizemos no campeonato. Entramos um pouco desligados, a pior partida nossa no campeonato. Isso influenciou muito. Eles entraram a 120% e a gente nem a 100%. Isso não pode acontecer no segundo jogo.
Contra os quatro grandes, o time acaba entrando como azarão. Isso é bom para vocês?
Eles não acreditam que a gente vai bem e no decorrer do jogo a gente mostra que pode fazer diferente. Isso influencia, por questão de ser a equipe de menos expressão, o azarão, e nós mostramos nos três jogos nossa qualidade. Contra o Palmeiras (na 1ª rodada, empate em 1 a 1), conseguimos criar muitas chances de gols. Apesar de ser estreia, a concentração foi maior, nossa equipe ficou ligada o tempo todo (o time ainda venceu o Corinthians, por 2 a 0, e empatou com o São Paulo em 0 a 0).
Você foi titular contra o Guarani, na última rodada da primeira fase (vitória por 2 a 1). Como encarou a oportunidade?
Apesar de ser a minha estreia no campeonato deste ano, eu vim de um ano passado de muitas oportunidades. Então, eu lidei como a oportunidade da vida, para mostrar ao professor que se precisar estou apto a jogar. Ele parabenizou, viu a força do grupo, que pode contar com o elenco todo.
O técnico Antônio Carlos Zago foi um grande zagueiro, com passagem por Seleção Brasileira e Roma/ITA. Como é a relação entre vocês?
É uma honra, né?! Ele foi zagueiro, então procuro conversar bastante e ele tenta passar bastante informação. Eu sou novo, ele conversa muito com os jovens para passar coisas boas e para que a gente possa ter uma carreira parecida.
Ele parece ser um treinador mais fechado. É um cara durão?
Ele tem esse lado durão, fechado sim, mas dentro de campo, na hora de conversar, conversa bastante. É o jeito dele, mas é uma boa pessoa, procura ajudar sempre todo mundo, e passa muitas orientações para que a gente possa vencer na carreira.
Quais são as pretensões do Red Bull?
O clube está com um projeto de manter a mesma base do Campeonato Paulista. O grande objetivo do clube é um dia chegar na Série A, quem está aqui dentro sabe a força que tem, a estrutura que tem no clube, com os profissionais que tem.
O que diferencia o time de outras equipes do futebol brasileiro?
Além de ter uma boa estrutura, aqui os profissionais são muito corretos com os compromissos, procuram pagar os salários em dia, as premiações em dia. O profissionalismo aqui e uma coisa que em muitos clubes não se encontra.
O clube tem filiais em outros países (o Red Bull Leipzig, na Alemanha, e o Red Bull Salzburg, na Áustria). Vocês vivem a expectativa de “dar o salto” para uma dessas equipes?
Costumam ir alguns garotos em idade mais nova, que se destacam aqui no clube, para esses times. Eu mesmo já tive a oportunidade de ficar um mês no Salzburg. Foi uma experiência e tanto. Estrutura boa, não tem nem o que se comparar com os clubes aqui do Brasil. E é outra atmosfera também, o que todo jogador almeja na sua carreira.

Eu tinha 17 anos (em 2014). Tinham outros jogadores daqui também. Ficamos um mês treinando e disputamos um torneio de base com a equipes deles — fomos campeões. Apesar da língua ser diferente, eles procuraram ser educados. Dentro de campo, é só um pouco diferente do brasileiro. Nós já temos a qualidade, essa coisa de driblar bastante. Lá a intensidade é mais alta, velocidade do jogo é diferente. E tem o frio, eu fui numa época que estava calor, mas no final fez um pouco de frio. A gente treinava até no campo fechado, para evitar o tempo ruim.
Você chegou a jogar em Vitória?
Eu comecei aí em Vitória em escolinha mesmo, no Caxias, e passei pelo CTCE Vitória (antiga Escolinha de Futebol Santa Cruz). Com a parceria de uma escolinha de Cariacica, eu disputei um campeonato em São Paulo e tiveram olheiros que gostaram do meu futebol. Aí comecei a rodar por alguns clubes. Eu fiquei um tempo no Fluminense, no Vasco, mas o que fiquei mais tempo foi no Grêmio. Depois passei no Grêmio Prudente antes de vir para cá (Red Bull).
Onde espera chegar no futebol?
Almejo chegar em clube grande, ter uma carreira de sucesso. Seleção Brasileira, Europa, tudo isso eu quero alcançar e creio que tenho capacidade. Nada vence o trabalho. Trabalhando dia após dia, creio que vou atingir os meus objetivos e um dia chegar lá.

