Dois capixabas conquistaram o mundo no jiu-jítsu no último fim de semana. Matheus de Menezes Ferreira Marely e Yara Soares do Nascimento estão trazendo na bagagem a medalha de ouro no Mundial de Jiu-Jítsu da IBJJF (Federação Internacional de Jiu-Jítsu Brasileiro), disputado anualmente na Califórnia, nos Estados Unidos.

“Foi uma luta bem estratégica! Ele procurava me finalizar a todo momento, mas eu conseguia defender bem e contra-atacar com outros golpes, e acabei finalizando na chave de braço (armlock), faltando 1min30s para acabar a luta”, lembra Matheus, que é natural de Vitória e tem 23 anos.
O atleta, que começou a praticar o jiu-jítsu aos 19 anos, acredita que a conquista terá um impacto direto na sua carreira a partir de agora. Matheus também é bicampeão brasileiro sem kimono pela CBJJ (Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu).
Para conquistar o título mundial, o capixaba se preparou, desde o início de março, na academia Atos Jiu-Jítsu HQ, em San Diego, local onde aconteceu a competição. Para isso, teve que trancar a faculdade de Educação Física.
“Apesar de ter trabalhado muito duro pela conquista, é sempre muito gratificante ganhar um título tão expressivo assim. A ficha ainda não caiu! Conquistei o maior título do jiu-jítsu mundial e isso sem dúvidas abrirá muitas portas no futuro próximo, como patrocínio, troca de visto para de atleta e etc. Precisei trancar a faculdade para fazer a viagem, pois passei muito tempo fora e poderia acabar reprovando por falta! O mundial foi prioridade pois quero seguir carreira no jiu-jítsu. Quero ser campeão mundial na faixa preta”, afirma.
Revanche de ouro
A conquista do primeiro título mundial na faixa marrom de Yara Soares teve um gostinho de revanche. A atleta de 23 anos derrotou na final da categoria adulto classe aberta (absoluto) outra brasileira, Gabrieli Pessanha, sua algoz na semifinal da categoria superpesado (acima de 79,3kg) — também entre atletas de faixa marrom.

“A Gabrieli vem ganhando grandes campeonatos, uma das atletas mais duras que eu já lutei. Já tínhamos lutado na faixa roxa, onde ela se saiu campeã. Eu não deixei essas derrotas me abaterem, pelo contrário, isso só fez eu me sentir capaz”, valorizou.
Praticante de jiu-jítsu há cinco anos e meio, ela disputou o Mundial pela quarta vez — já foi campeã na faixa roxa. Há dois anos, ela optou por se mudar de Guarapari para São Paulo, para se dedicar ainda mais ao esporte. Além da capital paulista, onde treina na Guigo Academia, ela também passa algumas temporadas treinando nos Estados Unidos, em Washington. E hoje, vê que o esforço pelo esporte vem dando resultado.
“Vou confessar que estava com um pouco de medo pois era o meu primeiro campeonato na faixa marrom, e logo de cara eu iria enfrentar atletas de alto nível. Estou muito feliz com esse resultado, consigo ver que todo trabalho duro valeu a pena”, comemorou.
Vice que valeu muito
Outra capixaba subiu ao pódio no Mundial de Jiu-Jítsu. A experiente Fernanda Mazzelli, de 30 anos, já conquistou o título mundial três vezes, em 2012, 2015 e 2016, e buscava o tetracampeonato para a galeria de títulos.

É que a atleta passou por problemas pessoais nos últimos meses, teve um problema de saúde na semana da competição, mas ainda assim foi em busca de mais um pódio em Mundial.
“Eu tive um problema antes de viajar, deu uma celulite pre-septal (um tipo de inflamação) no olho direito. Abri mão de lutar no absoluto e lutei só na minha categoria. Sabia que a semifinal era uma luta dura, fiz o jogo certo e ganhei de 2 a 0. Na final, perdi por finalização para a campeã também do absoluto. Mas só de ter ido e ter conseguido lutar foi uma vitória”, explicou.