Uns gostam. Outros, nem tanto. Mas o consenso entre todos é que o árbitro de vídeo (VAR) veio para ficar no futebol. Implantada na Copa do Mundo da Rússia em 2018, mesmo ano em que chegou ao futebol brasileiro no ano passado, a tecnologia tem lugar certo nas principais competições do País em 2020.
E quatro capixabas estão no grupo que será responsável por comandar o VAR em jogos do Brasileirão e a partir das quartas de final da Copa do Brasil quando a bola voltar a rolar no País.
Aos todo, 30 observadores e cerca de 130 árbitros de todo o Brasil foram convidados pela CBF para o curso de capacitação da tecnologia do árbitro de vídeo.
O observador capixaba Marcos André Gomes integrou a turma que completou o curso no início do mês de março.
Já os árbitros Dyorgines Padovani e Fabiano Ramires, que já realizaram o curso no ano passado, foram selecionados para as aulas de aperfeiçoamento. Fecha o quarteto Vanderson Zanotti, que está inscrito para o curso de nível de habilitação.
Marcos André Gomes, de 45 anos, foi árbitro por 20 anos e, desde 2018, atua como observador. Ele, que recebeu o diploma das mãos do presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Leonardo Gaciba, explica que o curso tem como base as regras do futebol e o protocolo do VAR para a temporada de 2020.
“O aprimoramento visa realizar uma atualização e padronização de conceitos para aplicação da ferramenta do VAR, além de uma estrutura fantástica disponibilizada pela CBF”, explica Marcos André.
Erros
Marcos André não foge das polêmicas e reclamações, principalmente de dirigentes e jogadores, sobre a aplicação do VAR.
“Não estamos livres de polêmicas, pois há lances interpretativos e, por trás de uma decisão, há um ser humano. O que buscamos é não deixar passar erros claros e óbvios”, adianta.
O curso de nível observador foi realizado entre os dias 2 e 6 de março, no Rio. O observador de VAR é o responsável pelo alinhamento do trabalho para que tudo corra conforme determina o protocolo do árbitro de vídeo.
“Avançamos muito nos critérios técnicos da linha de intervenção do VAR. Este ano, vamos avançar na comunicação, melhorando a maneira de transmitir a informação ao árbitro no campo”, adianta.
Saiba Mais
Interferência mínima e benefício máximo é o lema do curso de capacitação e aprimoramento do VAR. A ideia é que o árbitro de vídeo entre em ação apenas para corrigir erros claros e óbvios, aqueles que não são vistos pelo árbitro de campo, e participe cada vez menos dos chamados “lances interpretativos”.
O Software utilizado nos equipamentos do VAR implantado no futebol brasileiro, segundo a CBF, passa por constantes atualizações. Assim, o curso serve também para apresentar aos árbitros as novidades que visam facilitar a utilização do sistema durante as partidas.
O curso também serve para a capacitação e futuro uso de equipes específicas do VAR. Hoje, um árbitro pode atuar em campo em uma partida e ser assistente de vídeo em outra. A ideia é de que, em breve, os operadores do VAR atuem especificamente nessa função.
Outra meta pra 2020 é avançar no método de comunicação. O objetivo é melhorar a maneira de transmitir a informação ao árbitro no campo, baseando-se cada vez mais em conceitos técnicos de análise da regra do jogo para que o árbitro possa julgar uma determinada jogada.
