Pedro Rocha nasceu em Vitória, passou parte da infância morando na Serra, mas foi criado no bairro Inhanguetá, na capital. De família humilde, morava próximo ao mangue e deu seus primeiros passos em campos de várzea.

Hoje aos 22 anos, o capixaba é o terceiro jogador na lista das maiores vendas da história do Grêmio: R$ 44,5 milhões (na cotação atual) pagos pelo Spartak Moscou.

Vestindo a camisa 99, chegou para integrar o elenco que está no grupo E da Liga dos Campeões da Europa, que tem ainda as equipes do Sevilla, Maribor, da Eslovênia, e o gigante Liverpool.
“Passa um filme na cabeça. Tudo aquilo que assistia pela TV e videogame só, agora estou vivendo. Não tem preço que pague esse momento”, afirmou o atacante do Spartak Moscou. Pela copa dos Campeões, o time estreou com empate em 1 a 1 fora de casa diante do Maribor.

No elenco, o time russo tem Luiz Adriano, aquele que jogou com Alexandre Pato na decisão do Mundial de Clubes em 2006, pelo Inter, e Fernando, também ex-Grêmio.
Assim, fica menos complicado se adaptar. “Estão me dando apoio fundamental. A adaptação tem sido boa, já estou acostumado com quase tudo. Os primeiros dias foram difíceis por causa do fuso horário, o cara fica perdido no tempo, mas depois acostuma (risos)”, revelou o jogador.

Titular
Na manhã deste domingo, Pedro Rocha foi titular pela primeira vez com a camisa do Spartak Moscou. Pelo Campeonato Russo, o atacante brilhou com duas assistências e uma bola na trave, no confronto contra o Tocho, fora de casa.
A partida estava 2 a 0 para o time do capixaba quando ele foi substituído aos 31 minutos do segundo tempo. Após a saída de Pedro Rocha, o adversário aproveitou para ir com tudo e acabou empatando.
“Cheguei ontem (16) ao Brasil. Em breve estarei em Vitória, depois volto para Porto Alegre. Só vamos mudar para Moscou lá para abril ou março”, contou Jessé Neves, pai do Pedro Rocha, famoso pelo caderninho onde anota todos os gols do filho: “Agora tenho o caderninho europeu (risos)”.

Pedro Copa
Pelo Grêmio, Pedro Rocha jogou desde 2014, ainda no sub-20. Em dezembro daquele ano, foi promovido ao profissional pelo técnico Felipão e ganhou destaque em A Tribuna pelo feito.
Com a camisa profissional do tricolor gaúcho, foram 126 partidas, 32 gols e o título da Copa do Brasil, em que decidiu no jogo de ida, no Mineirão, em Belo Horizonte (MG), contra o Atlético/MG. Marcou dois gols e se tornou herói do tetracampeonato e recebeu os apelidos de “Pedro Copa” e “Rei do Mineirão”.
Este ano, Pedro Rocha teve seu melhor desempenho pelo Grêmio com 11 gols e 11 assistências, considerado insubstituível enquanto esteve na equipe, pelo técnico Renato Gaúcho.
A TRIBUNA – Você chegou, estreou e sentiu o clima do futebol europeu em todos os sentidos. Já ensaiou a comemoração do primeiro gol?
PEDRO ROCHA – Meu sonho sempre foi fazer um gol na Europa e comemorar deslizando de joelhos (risos). Espero comemorar logo, dessa forma, o mais rápido possível.
Ansioso para enfrentar o Liverpool pela Liga dos Campeões?
Sempre bom jogar com grandes times, esse sem dúvidas será um grande jogo. Vou me preparar o máximo para esse confronto.

Sim, tem sido um pouco difícil. O treinador é italiano (Massimo Carrera) e tem um tradutor que traduz em russo e outro em inglês. Consigo entender mais o italiano mesmo, que tem algumas palavras-chave. Mas tenho certeza que com o tempo vou aprendendo a me comunicar mais facilmente.
Sua valorização financeira é algo natural na trajetória de um jogador de futebol. Te surpreende pelo pouco tempo como profissional?
Surpreende um pouco, mas eu sempre trabalhei e acreditei no meu potencial. Sabia que uma hora isso aconteceria.
O frio na barriga da estreia já passou realmente? Qual foi o sentimento?
Foi tranquilo, o frio na barriga é normal. Se não tiver, é porque tem algo errado (risos). Foi uma emoção e tanto, momento único na minha carreira.
No primeiro treino você fez até uma “dancinha”. O que foi aquilo?
A dancinha foi um trote mesmo, que sempre tem quando o jogador chega no clube (risos). Já estou bastante enturmado com os caras, principalmente os brasileiros, até pela língua, que facilita a comunicação. Meu objetivo é me adaptar o mais rápido possível ao estilo de jogo do time e das competições. Quero ajudar o Spartak com muitos gols.
Reportagem de Acácio Rodrigues
