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Capixabas pelo mundo: Sucesso que ultrapassa fronteiras

O Espírito Santo tem muitos atletas consagrados, conhecidos no Brasil e no mundo por seus resultados defendendo as cores do País. Grandes exemplos ...

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O Espírito Santo tem muitos atletas consagrados, conhecidos no Brasil e no mundo por seus resultados defendendo as cores do País.

Grandes exemplos disso são Alison Cerutti, do vôlei de praia, medalha de ouro na Olimpíada do Rio/2016, Anderson Varejão, do basquete, que atuou por 13 temporadas na NBA, e Gabriela Zanotti, meia da seleção feminina de futebol, atualmente na China.

Mas há também quem faça mais sucesso no exterior do que dentro do País.

É o caso, por exemplo, de Júlio Nascimento, 31 anos, natural de Guarapari, jogador de vôlei de praia. Ele defende o Catar há dois anos e representa o país asiático nas principais competições internacionais.

Júlio Nascimento disputa partida de vôlei de praia defendendo o Catar. Foto: Arquivo pessoal

Um dos motivos alegados pelo capixaba para jogar vôlei fora do Brasil é a falta de apoio ao esporte. “No Brasil você precisa mostrar resultado antes de ter apoio, diferente do que tenho no Catar. Eu já morava na Itália há algum tempo quando recebi o convite”, disse.

Júlio já foi campeão da Continental Cup — torneio classificatório para a Olimpíada —, ao lado de Ahmed Tijan e da outra dupla do país, Jefferson (também brasileiro naturalizado) e Cherif, que acabaram ficando com a vaga para a disputa dos Jogos do Rio.

Outro capixaba do vôlei de praia que faz sucesso lá fora é Heder Tonini, 38 anos, de Vitória. Ele mora e treina na capital, mas os principais torneios que disputa com seu parceiro Juliano, que mora em Piúma, são realizados no exterior.

Heder defende o Brasil nos torneios da WVBF (Federação Mundial de Vôlei de Praia), liga paralela ao Circuito Mundial da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), onde só jogam atletas convidados.

O capixaba já venceu 13 torneios da WVBF. E conta que o lado financeiro pesou para buscar projeção longe do País.

Heder (de óculos) e Juliano. Foto: Arquivo pessoal

“Na WVBF a premiação é boa e as despesas são todas pagas, além de pagar em euro. No Brasil, tenho que pagar do meu bolso”, ressaltou Heder, que disputa neste mês dois torneios no México.

Ele ainda conta que o reconhecimento de seu trabalho é bem maior fora do Brasil.

“Não só meu trabalho, mas meu esporte. Lá fora somos tratados como estrelas. Aqui, infelizmente, falta apoio”.

Capixaba treina tênis na Espanha com ex-rival de Guga

O sucesso de Gustavo Kuerten no tênis inspirou muitos garotos a tentarem seguir carreira no esporte. O capixaba Jordan Correia, 20 anos, foi um deles. Mas para se desenvolver na modalidade, ele se mandou para a Espanha e adotou como “ídolo” um ex-adversário de Guga: o espanhol Juan Carlos Ferrero, o “Mosquito”, que chegou a ser o número um do mundo em 2003.

Jordan Correia, jogador de tênis, vive na Espanha. Foto: Arquivo pessoal

Jordan treina na academia de Ferrero, na cidade de Alicante.

“Comecei a jogar tênis aos 10 anos e desde pequeno tive esse sonho de jogar profissionalmente. Ficar no Brasil seria complicado, porque falta estrutura, investimentos, apoio. Então, após a indicação de um amigo, nasceu a ideia de vir para a Espanha, para desenvolver meu jogo num país que é uma referência no esporte”, explicou.

E a relação com Ferrero é bem próxima. “Ele mora aqui na academia. Sempre que pode nos acompanha nos treinamentos ou até mesmo treina com a gente”, comentou.

O capixaba de São Mateus já chegou a ser número dois do Brasil na categoria juvenil, aos 14 anos. Ele disputa campeonatos profissionais, os chamados “futures”, e espera chegar um dia a jogar os torneios da Associação de Tênis Profissional (ATP). E os resultados começam a aparecer.

“No mês de julho fui campeão nas duplas em um ‘future’ na Ucrânia e fui semifinalista duas vezes, sendo uma na própria Ucrânia e a outra no Egito, e esses já foram resultados expressivos”, destacou.

Jordan declarou que em dois anos deve pedir a cidadania espanhola, mas garante que vai continuar defendendo o Brasil no circuito de tênis. “Com certeza vou representar meu País!”, cravou.

Reconhecimento do trabalho lá fora

Alguns capixabas fizeram ou estão fazendo sucesso no futebol fora do Brasil, como o ex-lateral esquerdo Maxwell (com passagens por Ajax, Inter de Milão, Barcelona e PSG), e o atacante Richarlison, ex-Fluminense e atualmente no Watford, da Inglaterra.

Longe dos holofotes das principais ligas do mundo, outros dois capixabas também estão brilhando.

Murilo em ação pelo Rio Ave B, de Portugal. Foto: Arquivo pessoal

O lateral-esquerdo Murilo Henrique e o meia Junior Toretta, ambos de Linhares, já jogaram no time local, mas contam que o reconhecimento do trabalho aconteceu, de fato, em outros países.

Murilo, 21 anos, defende o Rio Ave B, de Portugal. O projeto do clube, que tem a equipe principal na primeira divisão, começou nesta temporada e a segunda equipe disputa a quarta divisão portuguesa.

“Eu já tinha passado pelo Rio Ave, na categoria de base, na temporada 2013/2014. Estava na Espanha e surgiu o convite para voltar e defender o time B”, contou.

Murilo foi campeão da quarta divisão espanhola com o Cultural Areas antes de voltar a Portugal e diz que seu trabalho é mais reconhecido na Europa.

“A estrutura de trabalho que temos não se compara. Vejo que posso crescer mais aqui do que no Brasil”, afirmou.

Junior Toretta (com a bola) durante jogo do Telstar

Já Junior Toretta, 29 anos, está na Holanda, após passar pelo Irã e pela Tailândia. Ele defende o Telstar, da segunda divisão holandesa.
Apesar de ser um clube pequeno, Junior conta que a estrutura é boa. O linharense diz que suas maiores realizações foram fora do País.

“Não sei dar uma explicação exata, mas sem dúvidas me sinto realizado fora do Brasil. Sempre digo que o Espírito Santo tem bons jogadores, mas, em vários quesitos, ainda somos amadores”, declarou.

Reportagem de Eduardo Alencar

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