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Do interior gaúcho à Itapemirim: Volante quer encerrar a carreira no Atlético/ES

Gilvane Severo de Matos, de 33 anos, já se considera um cidadão de Itapemirim. Volante do Atlético/ES, Gaúcho é natural de Rosário, cidade do ...

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Gilvane Severo de Matos, de 33 anos, já se considera um cidadão de Itapemirim. Volante do Atlético/ES, Gaúcho é natural de Rosário, cidade do interior de Porto Alegre (RS). Desde 2010, seu envolvimento com o clube do litoral sul capixaba tem sido maior do que o amigo de Rafael Sobis, revelado junto a outros conhecidos do futebol brasileiro, um dia sequer tenha imaginado.

Gaúcho exibe as taças conquistadas pelo Atlético/ES em 2017. Foto: Acácio Rodrigues

“Sou muito grato por Itapemirim ter me acolhido. Como frisei, provavelmente vou encerrar minha carreira aqui, pretendo dar continuidade em alguma coisa extracampo. Já vou me programando, tenho 33 anos”, afirmou.

Campeão capixaba e da Copa Espírito Santo com o Galo da Vila, Gaúcho passou por todo o processo de estruturação do Atlético/ES. Ele faz até uma comparação com a carreira de jogador.

“Muitos desistiram no meio do caminho. Porque não é fácil, né, cara? A gente que joga, sabe disso. Aqui no Atlético/ES, desde o princípio até hoje, tudo veio evoluindo aos poucos. Mas as coisas não são tão simples igual todo mundo acha. Chamam de time de prefeitura, mas não é assim”, disse Gaúcho.

Em entrevista ao Tribuna Online, Gaúcho contou um pouco de sua história.

Volante é braço-direito do presidente Rubéns Pinheiro. Foto: Divulgação/Atlético/ESTRIBUNA ONLINE – Como foi o início da sua carreira?

GAÚCHO – Saí muito novo de Rosário, tinha uns 8 anos, eu acho, e a gente foi morar em Pelotas. Comecei, na época, em um projeto chamado Progresso Futebol Clube, que hoje está num patamar muito avançado. De lá saíram Taison (atacante do Shakhtar Donetsk/UCR), Emerson (ex-volante do Milan e da Seleção Brasileira), Daniel Carvalho (ex-meia-atacante de Inter e CSKA Moscou), Titi (zagueiro do Bursaspor/TUR e ex-Vasco), enfim, do mesmo projeto, esses jogadores conseguiram chegar à Seleção. O próprio Taison foi convocado recentemente.

De lá, você foi para qual equipe?

Minha primeira saída de lá foi para o Botafogo. Eu tinha 16 anos e aí não consegui ficar. Nunca tinha saído, nem ficado longe de casa, e acabei voltando. Fiquei mais um ano nesse projeto (Ordem e Progresso), e dali fui para o Internacional, aos 19 anos. Depois fui para a Ulbra/RS e depois para o Juventude, que ainda estava na Série A (2004), eu já estava com 20, quase 21 anos.

Veja a classificação do Capixabão 2018

Dos companheiros na época que vestiu a camisa do Internacional, quais foram maiores destaques no cenário nacional?

Rafael Sóbis (atacante do Cruzeiro), Nilmar (em tratamento por depressão) e Renan (goleiro do Goiás). Rafael Sóbis e eu éramos do mesmo quarto, da mesma ala. Hoje a gente não se fala com tanta frequência, mas a gente é amigo, assim como o Renan. O Nilmar não tenho muito contato assim, mas esses são caras que deram certo.

Galo da Vila é líder do Capixabão 2018. Foto: Divulgação/Atlético/ESVocê acabou voltando para o estado do Rio de Janeiro…

Surgiram algumas coisas e resolvi vir para o Rio de Janeiro. As coisas acabaram não acontecendo e fui para o Angra dos Reis/RJ, onde joguei quatro anos. Dali, consegui uma oportunidade boa, que foi ir para o América/RJ, onde fiquei três anos: 2006, 2007 e 2008. Em 2006, fomos vice-campeões estaduais, perdemos a final para o Botafogo e o técnico era o Jorginho. De lá, fui para o Quissamã/RJ. Haviam me apresentado um projeto de querer colocar o time no cenário nacional e três anos depois conseguimos colocar o Quissamã na primeira divisão do Rio (jogou ao lado de Cortez que hoje é lateral do Grêmio). E lá, nesse meio tempo, eu conheci o presidente (do Atlético/ES), seu Rubéns (Pinheiro).

Foi o início de uma relação que você jamais imaginaria ter com um time capixaba?

Em 2010, ele queria colocar um time aqui para jogar, mas ainda naquela questão de amador, disputando o Campeonato Sulino, e fez o convite para nosso time jogar a competição. Fomos campeões. Eu tinha dito ao presidente que, se nós fossemos campeões em 2010, eu voltaria em 2011, independente de qualquer situação. Só eu voltei, ninguém mais quis voltar. Eu voltei, não fizemos um campeonato legal na Série B (do Campeonato Capixaba) e depois retornei para o Quissamã. No mesmo ano, fui para o Serra Macaense, entre 2012 e 2013. Em 2014 surgiu a proposta aqui de novo, dessa vez com uma estrutura um pouco melhor. O presidente fez o convite e desde então não saí mais.

Rubéns Pinheiro e Gaúcho. Foto: Acervo pessoalVocê é visto como braço-direito do presidente do Atlético/ES. Como é essa parceria?

Ele abraçou a causa sozinho, sem ajuda de ninguém, em 2011. Em 2014, a prefeitura resolveu ajudar e as coisas começam a melhorar um pouco mais. Hoje, sou muito grato por estar aqui até hoje, provavelmente devo encerrar minha carreira por aqui mesmo. Desde que comecei esse projeto, em 2014, a gente sempre sonhou com isso. Fora de ser o presidente, eu e Rubinho temos uma amizade extracampo e sempre conversamos de que isso um dia iria acontecer. E aconteceu! A gente sabia que poderia demorar alguns anos, mas a gente trabalhou. Nada vem fácil. Hoje, a gente está numa Série D do Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Verde. Nem o mais otimista acreditaria que o Atlético/ES, em três anos, sairia de uma segunda divisão estadual, seria campeão estadual de forma invicta e campeão da Copa Espírito Santo no mesmo ano, algo que não tinha acontecido, e com uma equipe do interior do Estado.

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