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Dribles de Neymar e Coutinho em Vitória

O dia era 27 de julho de 2008. Em campo, dois atuais craques da Seleção Brasileira apresentavam o seu “futebol moleque” em Vitória, mais precisamente ...

Última atualização

O dia era 27 de julho de 2008. Em campo, dois atuais craques da Seleção Brasileira apresentavam o seu “futebol moleque” em Vitória, mais precisamente no bairro Bento Ferreira.

Os “parças” Neymar e Philippe Coutinho foram adversários na final da Copa Brasil Sub-17, disputada no estádio Salvador Costa, do Vitória Futebol Clube.

Ao 16 anos, já eram os jogadores mais promissores dos seus clubes na época. E amigos das categorias de base da seleção brasileira.O Vasco tinha acabado de vender Philippe Coutinho para a Inter de Milão, da Itália, por R$ 10,2 milhões, valor irrisório em comparação aos R$ 622 milhões pagos pelo Barcelona ao Liverpool em janeiro deste ano, 10 anos depois. O vascaíno, por sinal, era mais badalado do que Neymar.

 (Foto: Antonio Moreira/AT)“A gente se dá muito bem e fica no mesmo quarto nas concentrações da seleção”, contou Neymar, para a reportagem de A Tribuna, pouco antes daquela final.

Responsável pelo registro histórico, o fotógrafo de A Tribuna, Antonio Moreira, lembra que a dupla mostrou descontração após a final.

“Lembro que eles arrebentaram no jogo, foram ‘os caras’. Neymar sempre foi muito moleque e, na hora que fui fazer a foto, ele puxou o cabelo do Coutinho”, recordou.

A decisão teve casa cheia. O Vasco abriu o placar com João Marcos, e Neymar empatou para o Santos, em cobrança de falta.
Porém, com grande atuação de Philippe Coutinho, o time cruz-maltino desempatou com Willen, na etapa final, e venceu por 2 a 1.

O capixaba Edson Espiridião foi o árbitro e lembra que aplicou um cartão amarelo a um jogador do Vasco por falta violenta em cima do então menino Neymar.

“Vou buscar a súmula para guardar na minha história. Neymar era bem raquítico, estava florescendo, Coutinho se destacou mais. Eram diferenciados, muito rápidos”, lembra o árbitro.

Outro que participou de dentro do campo foi Belchior, que este ano defendeu o Castelo na Segundinha Capixaba. Formado no Vasco, até hoje ele mantém contato com Coutinho.

“Jogamos juntos por oito ou nove anos (no Vasco). Temos um grupo de WhatsApp, com a galera dessa época, e sempre rola aquela resenha que ele tem que trazer essa taça da Copa à força”, brinca.

Curiosamente, quem preparou o palco dessa final foi “Felipão”. Funcionário de manutenção do gramado do estádio do Vitória F.C. e sósia do técnico do penta, seu Edvaldo Ferreira Ramos fica feliz ao lembrar da partida. “É uma satisfação muito grande eles terem passado por aqui e estarem hoje na Seleção”.

Missão ingrata de marcar o craque

 (Foto: Peter Falcão/Despotiva)

O técnico Cleiton Marcelino pediu e Paulo Cesar Braga Neto, o Paulinho, teve que marcar Neymar individualmente. O ex-volante garante que se saiu bem, mas fato é que Neymar fez os dois gols do Santos contra a Desportiva nas quartas de final da Copa Brasil Sub-17, no dia 20 de julho de 2008.

“Até hoje me sacaneiam por ter marcado Neymar. Foi um duelo bom, acirrado, e eu consegui fazer minha parte. Quanto mais encurtar a distância era melhor, porque ele tinha muita criatividade, já era diferenciado. Ele acabou fazendo dois gols, mas um foi de falta, então não deu pra fazer muita coisa”, lamenta, Paulinho, que hoje tem 27 anos.

A Locomotiva vinha embalada . Goleou o Fluminense, na estreia, por 3 a 0, liderou o Grupo B, e jogou de igual para igual contra o Santos. Com o empate em 2 a 2, a partida foi resolvida nos pênaltis, com vitória dos santistas, por 4 a 3.

Com bola rolando, Neymar acertou a trave, em um chute forte, logo no início do jogo, Aos 23 minutos, porém, o craque santista abriu o placar, em cobrança de falta pela esquerda, com a bola quicando e traindo o goleiro Keoma. Ainda no primeiro tempo, a Desportiva empatou com Martinelli.

Na etapa final, o atual camisa 10 da Seleção dominou uma bola difícil e finalizou com precisão, para fazer o seu segundo gol. O time capixaba buscou o empate com Pedro Lucas, tocando com categoria, em cima do goleiro.

“Neymar carregava o time do Santos nas costas, apesar dos outros jogadores terem muita qualidade também, mas ele era muito diferenciado. A qualidade técnica dele era absurda. Neymar tinha muito gingado, girava bem dos dois lados, tinha muita facilidade”, lembra o técnico Cleiton Marcelino, que estava começando a sua carreira e lamenta até hoje que o título não veio.

“O time tinha tudo para ser o campeão, mas tinha um Neymar no meio do caminho”, brinca.

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