O tricampeonato não foi moleza. Para o time da Aest chegar ao título do Campeonato Estadual de Vôlei, encerrado no início da tarde de ontem no ginásio Audifax Barreto, em Vitória, foi necessária muita paciência para construir a vitória por 3 sets a 2 em cima do Ceos Vôlei.

E uma atuação fundamental do ponteiro Muryllo. A Aest havia sido campeã estadual de vôlei em 2014 e em 2015. No ano passado, terminou na terceira colocação. Agora, volta ao lugar mais alto do pódio.
Morador do bairro Santa Tereza, na capital, o formando em Educação Física, de 21 anos, é peça fundamental do técnico Alemão.
“Estou estudando, treinando e trabalhando (risos). Dou aula em uma escola, chamada Universo do Saber, em Morada de Laranjeiras, e Centro Educacional Castelo, em Chácara Parreiral, ambas na Serra”, contou Muryllo Coutinho.
Conciliar tudo isso é uma missão e tanta para o ponteiro da Aest, que chama a atenção pelo alcance no ataque.
“É complicado conciliar tudo. Minha faculdade é à noite. Durante o dia, na parte da manhã, geralmente treino na areia e na academia. E trabalho à tarde.”
O vôlei começou há cinco anos na vida de Muryllo. Antes, ele até se arriscava em outra modalidade.
“Comecei na escola, jogava futsal antes, de ala e fixo (risos). E aí fui descoberto no vôlei e fui tomando gosto pela coisa. Se tornou parte da minha profissão também”.

Até o terceiro título estadual da Aest, conquistado ontem, o campeonato não deu margem para que a decisão fosse fácil.
Na primeira fase, o time foi derrotado pelo Ceos Vôlei por 3 sets a 0. E ontem, depois de abrir 2 sets a 0 (25/16 e 25/15), viu o adversário empatar (25/22 e 29/27)e levar a decisão para o quinto set (17/15).
O oposto Fernandão, irmão do vice-campeão olímpico de vôlei de praia Fábio Luiz, foi preciso nos bloqueios no set decisivo.
“O time deles está de parabéns, demonstrou uma competência muito grande durante todo o campeonato e chegou à final. E final eu costumo dizer que é um jogo totalmente diferente. Nossa equipe está de parabéns”, disse o jogador da Aest.
Emoção até o quinto set da decisão
Os dois primeiros sets da final do Campeonato Estadual de Vôlei foram tão tranquilos que o time da Aest descansou na terceira parcial do jogo. Mas a calma foi tanta, que o time viu o adversário fazer 25 a 22.
Era o início de uma reação que, por pouco, não terminou em pesadelo para a equipe da Serra, que saiu campeã.
No quarto set, os dois times protagonizaram duelo emocionante com várias viradas no placar. Ambos tiveram o ponto do set mais de uma vez, mas o Ceos Vôlei fechou em 29 a 27, depois de quase entregar o ouro no fim.
No quinto set, a reação do Ceos fez valer o rumo que tomou a partida. Com diferença de até quatro pontos, como nos dois sets anteriores, o time chegou ao ponto do título com 14 a 10. Mas parou aí.
A Aest reagiu e empatou a partida. Passou à frente do placar, sofreu empate e tomou a frente de novo. Desta vez, fechou em 17 a 15, para alívio do técnico Édson Guerra, o Alemão.
“A gente começou o jogo muito bem, nos dois primeiros sets deu tudo certo para o nosso time. O saque entrou, o bloqueio deu certo e tivemos uma certa tranquilidade. O time deles reagiu e a gente deu uma caída. Mas buscamos o placar a todo momento. No tie-break a gente chegou a ter uma desvantagem grande, 14 a 10 a favor deles. Viramos para 17 a 15. Mas foi bom, foi um jogo bem disputado”, analisou o treinador.

Vice-campeão faz mais uma final na base da amizade
O Ceos Vôlei deu trabalho na final. Não seria justo se o atual campeão fizesse feio na decisão do Campeonato Estadual.
Sob a direção de uma empresa de marketing digital de Cachoeiro de Itapemirim, que dá nome ao time, a amizade é fundamental para a continuidade da equipe.

Técnico em Informática, formado em Sistemas de Informação e pós-graduado em Gestão de Pessoas, Charles Souza, de 29 anos é dono da empresa Ceos Marketing Digital. E também jogador.
“Ninguém vive de vôlei aqui no time, mas com muitos campeonatos acontecendo no Estado, a gente mantém um engajamento bacana”, explicou.
No time, Vinícius Freitas, jogador de vôlei de praia que já foi campeão brasileiro sub-19 em 2013 e quinto colocado no Mundial sub-21 de 2014, é o principal nome. A montagem do elenco fica por conta da amizade.
“A gente convida os atletas de fora, porém todos são amigos, a gente se conhece há muitos anos e o time se formou há dois anos, mais ou menos a data que a empresa nasceu. Todo mundo é apaixonado por voleibol e a gente trata como hobby”, contou Charles.
Reportagem de Acácio Rodrigues