Nascido em Caicó, no Rio Grande do Norte, Paulo Wanderley Teixeira adotou Vitória como seu lar ainda aos 5 anos de idade. Foi nessa época que nasceu sua paixão pelo judô.
Paulo se formou em Educação Física, fundou o Centro Capixaba de Judô (Cecaj) e foi técnico da seleção brasileira da modalidade entre 1979 e 1993, participando da conquista do segundo ouro em Olimpíadas, com o judoca Rogério Sampaio, em Barcelona, em 1992.
Entre 2001 e 2016 foi presidente da Confederação Brasileira de Judô.
Hoje, aos 68 anos, ele vive o desafio de arrumar a casa no Comitê Olímpico do Brasil (COB), após o escândalo de compra de votos para que o Rio de Janeiro fosse escolhido a sede das Olimpíadas de 2016. O esquema resultou na prisão do ex-presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, em outubro do ano passado.
Na tarde desta terça-feira (2), o presidente do COB esteve na Ufes, onde deu palestra durante o Fórum de Estudos Olímpicos. Após o evento, ele conversou com exclusividade com a reportagem de A Tribuna.
Paulo Wanderley Teixeira
É o atual presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Foi técnico da seleção brasileira de judô entre 1979 e 1993, presidiu a Confederação Brasileira de Judô entre 2001 e 2016 e comandou a Federação capixaba de Judô, na década de 1990.
Legado da Rio-2016
“Você visita o Rio de Janeiro e vê a mobilidade urbana, que é uma realidade. O Rio hoje é uma outra cidade. É uma coisa que tem que ser enaltecida e reconhecida como legado olímpico. Também ficam a experiência e o conhecimento para os profissionais. E a visibilidade que o Brasil teve no mundo não tem dinheiro que pague isso”.
Reestruturação
“A área de esporte não sofreu impacto (do escândalo no COB). Continua preservando seus programas de competição e treinamentos. Na área administrativa, fizemos o que tinha que ser feito. Redução de funcionários, reestruturação de postos de trabalho, alguns cortes e a renegociação de contratos. Isso nos possibilitou sair da maré morta”.
Credibilidade
“A recuperação da credibilidade veio com a nossa aproximação do governo federal, das entidades organizadas de atletas e da comunidade. Hoje, o Comitê Olímpico é mais aberto, transparente, mostra tudo o que faz. Está tudo no nosso site. Temos os conselhos de administração e ética que antes não existiam. Demos uma sacudida e estamos arrumando a casa”.
COI
“Tivemos sanções, mas foram todas superadas em fevereiro deste ano, nos Jogos Olímpicos de Inverno, em PyeongChang, na Coreia do Sul. Tivemos nossa reunião com o COI (Comitê Olímpico Internacional) e, naquele momento, já havia sido tomada a decisão de suspensão das penalidades existentes contra o Brasil. Hoje, estamos em total conformidade com o COI”.
Menos recursos
“Tomamos as cautelas devidas. Estamos otimizando recursos, cortando gastos, um enxugamento da estrutura do COB que é muito grande. Tivemos uma atuação conservadora em gastos e estamos mais concentrados em investimentos”.
Tóquio-2020
“Os nossos mais fortes parâmetros acontecerão em 2019, com o Pan-Americano de Lima, no Peru. Na sequência temos os campeonatos mundiais das modalidades, onde teremos condições de avaliar a possibilidade de medalhas”.
Mundial de Judô
“Nossa equipe não foi bem (o Brasil só conquistou uma medalha, de bronze, com Érika Miranda). Mas, nessa competição, revelamos, pelo menos, três atletas com potencial para 2020. Daniel Gargnin, Jéssica Pereira e Beatriz Souza não medalharam, mas foram bem”.
Esporte capixaba
“O Espírito Santo já teve grandes valores no judô, vôlei de praia e agora no atletismo. O esporte é uma engrenagem. Para ter desempenho, tem que ser um elo dessa corrente e não pode quebrar. O Espírito Santo faz parte desse elo”.
