
O dirigente, contudo, demonstrou dificuldades em explicar as provas mais fortes contra ele: e-mails em que era cobrado por pagamentos por Papa Massata Diack, filho do senegalês Lamine Diack, membro do COI e ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo.
Nuzman é acusado de ter participado da compra de voto de Diack por US$ 2 milhões em favor da Rio-16. Também são acusados o ex-governador Sérgio Cabral (MDB), o ex-diretor da Rio-16 Leonardo Gryner e o empresário Arthur Soares, apontado como o financiador da propina.
Uma das provas apresentadas pelo Ministério Público Federal são e-mails de Papa Diack em que afirma não ter recebido parte do valor devido, o que gerou “constrangimento de pessoas que confiaram no nosso comprometimento em Copenhague”.
“Eu recebi sim [esse e-mail], falei com a Maria Celeste [sua assessora]. Disse a ela que desconhecia esse fato. […] Quem tivesse que assumir alguma coisa, que fizesse”, afirmou Nuzman.
O dirigente também não corroborou a versão apresentada por Gryner há duas semanas. O ex-diretor afirmou que as cobranças se referiam a promessas de realização de eventos de atletismo no Brasil, que acabaram não se concretizando.
Nuzman e Gryner afirmaram que, durante a campanha pela Rio-16, Lamine Diack pediu para que o país realizasse uma série de eventos internacionais de atletismo. O pedido ocorreu durante o Mundial da categoria em julho de 2009, em Berlim, quando Papa Diack foi apresentado como responsável pelo marketing da federação.
O ex-presidente do COB, contudo, afirmou que nunca mais soube sobre o andamento da demanda. Já Gryner disse que “enrolou” por alguns meses o senegalês a fim de não criar um mal estar com um membro votante do COI.
Os réus também apresentaram contradições em relação à participação do empresário Arthur Soares, dono de prestadora de serviços para o estado do Rio de Janeiro e também acusado de pagar propina a Cabral.
A Procuradoria identificou os repasses dos US$ 2 milhões de contas de uma empresa de Soares para firmas de Papa Massata Diack, sem justificativa contratual.
Gryner afirmou que o ex-governador o indicou para ser um potencial patrocinador para os eventos solicitados por Diack. Disse, contudo, que o apoio não se concretizou.
Cabral, por sua vez, negou ter indicado o empresário como eventual apoiador ao evento. Nuzman disse não conhecer Soares.
O Ministério Público Federal considera as versões apresentadas pelos réus uma forma de esconder o que considera o real motivo de contato com Lamine Diack: o pagamento de propina para a vitória no COI em outubro de 2009.
O processo agora vai para as últimas manifestações do MPF e das defesas para análise de Bretas. O magistrado terá de avaliar se ficou comprovado a participação de cada réu.