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Fenômeno capixaba sobre duas rodas

Um capixaba se tornou o piloto a ser batido no Campeonato Brasileiro de Enduro FIM, classe de velocidade que segue as normas da Federação ...

Bruno Crivilin venceu seis das sete etapas

Última atualização

Um capixaba se tornou o piloto a ser batido no Campeonato Brasileiro de Enduro FIM, classe de velocidade que segue as normas da Federação Internacional de Motociclismo (FIM). Bruno Crivilin foi o vencedor de seis das sete etapas da competição, resultados que deram a ele o título em duas categorias.

No último fim de semana, o piloto de 21 anos, da equipe mineira Orange BH KTM Racing, venceu a etapa de Patos de Minas (MG) e se tornou o campeão nas categorias E1 (para motocicletas até 250 cilindradas) e Enduro GP (categoria geral).

Como o regulamento permite o descarte do pior resultado, Crivilin acredita que coroou a temporada como campeão invicto.

“Vim trabalhando muito para isso. Eu fui vice-campeão da categoria geral (Enduro GP) em 2015 e, de novo, no ano passado. Foi a temporada mais forte para mim. Tive um começo de ano muito bom”, comemorou o piloto, que derrubou um tabu na Enduro GP.

“Desde 2014 um brasileiro não era campeão na geral. Já tinham sido um português e um americano. Este ano acabei sendo o campeão”, completou o capixaba.
Natural de Aracruz, Bruno Crivilin começou a praticar o enduro em 2013 e, no ano seguinte, passou a disputar o Brasileiro.

Conquistar bons resultados não é nenhuma novidade para o capixaba. Em 2015, quando começou a competir pela Orange BH KTM Racing, ele venceu seu primeiro título nacional, na categoria júnior.

No ano seguinte, teve que abandonar a disputa, depois de romper o ligamento do joelho esquerdo quando liderava a categoria geral. Voltou em 2017, conquistando o título na E2 (250 a 450 cilindradas).

As mais recentes conquistas também não vieram à toa. Crivilin disputa pela primeira vez todas as etapas do Mundial, em que já conquistou um quarto lugar — é o oitava colocado na classificação da categoria júnior 1. No próximo dia 12, ele disputa a última etapa, em Woltersdorf, na Alemanha.

“O nível do Mundial é realmente altíssimo, um ‘buraco’ muito maior do que temos aqui. Eu cheguei a fazer quarto e quinto lugares. Vem sendo uma experiência incrível e acredito que, no ano que vem, posso entrar ainda mais forte”.

Já em novembro, em Viña del Mar, no Chile, ele disputa o International Six Days, a Copa do Mundo do Enduro.
“No ano passado, ficamos em oitavo lugar (na Six Days). Foi inédito para o Brasil. Nunca tinha terminado a prova. A gente espera conseguir um excelente resultado”, completou Crivilin.

Bruno Crivilin venceu seis das sete etapas  (Foto: Rogério Leite)

Celular e relógio por moto

“Eu sempre gostei muito de esportes e era louco por bicicleta”. Para Bruno Crivilin, foram essas paixões que fizeram crescer nele o interesse pelo enduro, modalidade que já fez ele ser quatro vezes campeão brasileiro.

Foi vendo as várias motos de trilha cruzarem as ruas de Aracruz, sua cidade natal e um dos principais palcos das provas de regularidade e enduro no Estado, que ele se apaixonou e decidiu ter uma moto. A ideia não caiu no gosto dos pais, Elcemir e Dorgineia, mas Crivilin deu o seu jeito.

Ele começou a trabalhar como auxiliar de mecânico na oficina de um tio, Lucas Ribeiro, aos 12 anos. Foi assim que juntou dinheiro e, um ano depois, investiu junto de um celular e um relógio na troca pela primeira moto.

“Comecei a trabalhar para juntar uma grana. Limpava ferramenta, trocava óleo… Eu era muito novo, meus pais não gostaram muito da ideia”, recorda o hoje campeão brasileiro.

Em 2013, o piloto começou a competir, disputando o campeonato estadual aqui no Espírito Santo. Correu a categoria estreante e foi campeão. No ano seguinte, apoiado por um grupo de amigos, disputou pela primeira vez o Brasileiro e foi vice-campeão na categoria nacional.

Os títulos vieram em seguida, a partir da primeira conquista na categoria júnior, em 2015.

Hoje, Bruno Crivilin vive somente do esporte e mostrou aos pais que a teimosia valeu a pena.

“Meus pais começaram a ver que era o que eu queria e começaram a me apoiar mais. Eles perceberam o meu interesse. Sem eles, isso tudo o que aconteceu comigo não seria possível”, comentou.

Crivilin trabalhou na oficina do tio para juntar dinheiro e comprar moto

Um título e três vices para equipe de Guarapari

Outro capixaba também levou a bandeira do Espírito Santo ao lugar mais alto do pódio no Brasileiro de Enduro FIM. Tiago Wernersbach, de 24 anos, repetiu a conquista do ano passado e faturou o bicampeonato na categoria E4 (até 230 cilindradas).

O piloto de Marechal Floriano teve o melhor resultado da equipe Honda Moto Litoral, de Guarapari. O time capixaba também conquistou três vices, com Felipe Carlette (categoria E3, motos até 230 cilindradas), Diogo Andrade (categoria E35, entre 35 e 40 anos) e Rodrigo Cavalini (categoria E45, acima de 45 anos).

“O ano foi ótimo e muito competitivo. Ser bicampeão da E4 é bom demais e pretendo defender o título no ano que vem”, avisou Tiago.

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