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“Foi no Estrela do Norte que me interessei pelo futebol”: Conheça a história do Geladeira

Gustavo Silva Conceição, de 31 anos, nasceu em Cachoeiro de Itapemirim apenas por questão de maternidade. Criado em Atílio Vivácqua, cidade vizinha ...

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Gustavo Silva Conceição, de 31 anos, nasceu em Cachoeiro de Itapemirim apenas por questão de maternidade. Criado em Atílio Vivácqua, cidade vizinha da terra de Roberto Carlos e que possui menos de 10 mil habitantes, o “Geladeira”, como ficou conhecido no Flamengo, se apaixonou pelo futebol com a camisa do time sub-15 do Estrela do Norte, entre 2000 e 2001.

Neste domingo (18), o zagueiro será titular do Boavista na decisão da Taça Guanabara contra o Flamengo, no estádio Kleber Andrade, em Cariacica.

Gustavo Geladeira é titular do Boavista. Foto: Gabriel Andrezo/FutRio

“Vem o pessoal de Atílio Vivácqua, pessoal mais próximo. Não é só porque o jogo vai ser aqui, eles já queriam ir ao Rio de Janeiro. Estou muito feliz por isso, por estarem me acompanhando. Vai ser uma alegria muito grande jogar uma decisão aqui no Estado. Seria prazeroso demais dar a volta olímpica aqui, ao lado de familiares e amigos. Joguei no Kleber Andrade antes e depois da reforma. O estádio é muito bonito. Quando anunciaram que ia ser aqui, todos ficaram felizes no grupo”, disse o defensor do Boavista à reportagem do Tribuna Online.

Na carreira, além de Flamengo e Boavista, Gustavo passou por Tigres do Brasil/RJ, Potiguar/RN, CRB, Duque de Caxias/RJ, Ipatinga, Ceará, Atlético/GO, Vila Nova/GO, Orlando City, Mohun Bagan/IND e Londrina.

Você nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, mas foi criado em outra cidade. Como foi sua infância e os primeiros passos no futebol?

Fui criado em Atílio Vivácqua, cidade vizinha de Cachoeiro. O primeiro passo foi em Atílio Vivácqua, em uma escolinha. Depois, comecei a jogar em um projeto chamado Basiléia. Daí fui para o Estrela do Norte, onde joguei no sub-15. O Basiléia fez uma parceria com o Estrela, que não tinha categoria de base. Depois disso, fui para o Rio de Janeiro e comecei a rodar um pouco. Cheguei a disputar o Capixabão sub-15, foi bacana, uma experiência legal. A gente conseguiu fazer uma boa campanha. Foi no Estrela do Norte que me interessei pelo futebol, em me tornar profissional. Sempre fazíamos a preliminar dos jogos, e vi a torcida gritando e cantando. A partir daquele momento, vi que era o que queria na minha vida.

Zagueiro é natural de Atílio Vivácqua. Foto: Vitor Costa/FutRioE você sempre jogou de zagueiro?

Não (risos). Jogava de volante, cara. E também, às vezes, fazia a função de lateral-direito. Tive um técnico, chamado Rodney Gonçalves, que me incentivou a ser zagueiro. Atualmente ele é técnico de um time B do Vasco. Meu primeiro teste foi em jogo-treino no Rio de Janeiro, em um projeto do Brescia, um time da Itália. No primeiro tempo, comecei de volante, mas não estava muito bem. Ele me disse que testaria na zaga no segundo tempo. No segundo tempo fui bem, e fui aprovado como zagueiro.

Como foi o início no Rio de Janeiro?

No começo foi com muita dificuldade. Largar tudo, deixar família e amigos… Eu tinha 16 anos, mas nunca tinha saído de casa, de Atílio Vivácqua, lugar pequeno. Você chega no Rio e toma aquele susto, cidade gigante. Tentar a sorte assim, em outro local… Mas, era aquilo que eu queria para mim e sabia que teria que pagar um preço, da saudade de casa. Valeu a pena.

No Flamengo, David Braz (hoje no Santos) te deu o apelido de Geladeira. Como foi essa transição para um clube tão grande?

Na verdade, cara… Foi um momento único na minha carreira. Apesar de ter chegado no Flamengo com 25 anos, não tinha vivido grandes experiências no futebol. Tinha disputado uma Série B pelo Duque de Caxias, mas, nada se compara a chegar a um grande clube como é o Flamengo. Quando cheguei lá, foi meio complicado para mim. É o clube que vi meus pais torcerem, que eu sempre torci e foi realização de um sonho. Realmente consegui cumprir o objetivo que era chegar a um grande clube.

Geladeira e Ronaldinho Gaúcho no Flamengo, em 2011. Foto: DivulgaçãoVocê tinha Ronaldinho Gaúcho como companheiro…

Aprendi muito. Desde que cheguei lá, fui bem recebido por todos os funcionários e atletas, de uma maneira incrível. Era bastante querido no grupo pela minha simplicidade, humildade e vontade de vencer. Sempre trabalhei muito, era um dos primeiros a chegar e um dos últimos a sair. Sabia que era minha grande oportunidade, né? Então, me tornei querido no grupo por causa disso. As pessoas me davam conselhos, falavam no que eu poderia melhorar e foi um aprendizado muito grande.

Zagueiro marcou um gol na Copa Sul-Americana pelo Dragão. Foto: Divulgação/Atlético/GODepois você foi para o Atlético/GO e até marcou um gol na Sul-Americana. Como foi essa experiência em um torneio internacional, podendo balançar a rede?

Ali foi bacana. Depois que eu saí do Flamengo, tive outra visão, outra maneira de pensar. Estava mais maduro, mais experiente. Tudo que me faltava quando cheguei no Flamengo, quando saí, eu vi que ganhei em termos de aprendizado, experiência, amadurecimento. E é aquele ditado: quando o cara consegue passar pelo Flamengo, amadurece muito rápido. Você fica acostumado com a pressão. Cheguei ao Atlético/GO, que é um clube organizado, de estrutura boa e consegui fazer bons jogos. Fizemos uma boa campanha, avançamos para as oitavas de final, que não era esperado pelo clube. Ultrapassa o objetivo inicial. Foi uma experiência bacana.

Você venceu a Taça Rio pelo Boavista em 2014, um clube que passou antes e depois do Flamengo, e que agora vai decidir a Taça Guanabara contra o time que considera tê-lo amadurecido no futebol. Como é sua relação com o Boavista?

Realmente me sinto em casa aqui. Sou muito grato a todos do clube, pelo carinho que têm por mim e sabem que é recíproco. Nada mais justo do que ir para essa final, junto com meus companheiros, poder coroar todo esse trabalho, pelas pessoas especiais que abriram as portas para mim.
 

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