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Histórias do esporte: de muleta, jovem de 16 anos dá show nas quadras

Vestindo uma camisa com o número 10 às costas e com a bola nos pés, o jovem Felipe Teles Miranda, de 16 anos, dá mostras de que é um daqueles ...

Felipe mostra habilidade com a bola nos pés e no ar

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Vestindo uma camisa com o número 10 às costas e com a bola nos pés, o jovem Felipe Teles Miranda, de 16 anos, dá mostras de que é um daqueles talentos diferenciados que surgem no futebol brasileiro. Diferenciada também é a história do garoto, que segue vivendo o sonho de driblar e marcar gols acompanhado de uma muleta.

Com auxílio de uma muleta, Felipe segue jogando futebol de salão com os amigos, em Cariacica (Foto: Fábio Nunes/AT)

O objeto virou seu “parceiro” de jogo há cerca de dois anos, após nove cirurgias que deixaram, além de marcas, uma sequela.

Diagnosticado com artrite crônica, uma inflamação nas articulações, Felipe sofreu ainda uma fratura no fêmur direito. Durante a recuperação, o baque maior: o osso começou a entortar, limitando os movimentos de um talento promissor.

Por ironia do destino, o “calvário” do jovem, morador do bairro Vista Mar II, em Cariacica, começou justamente jogando bola. Disputando um torneio pelo Atlético Clube Sotelândia, uma equipe amadora de Cariacica, Felipe levou uma pancada no joelho direito, mas seguiu jogando. A dor persistiu, mas o jovem participou dos jogos seguintes. Até que a situação atingiu um ponto extremo.

“No terceiro jogo eu fui forçar, aí que começou a doer mesmo, o técnico me tirou. Pensei que não era nada grave, mas a minha perna começou a inchar, tive febre. Eu não conseguia dormir de tanta dor”, contou o garoto.

As limitações após as cirurgias não foram suficientes para deixá-lo longe das quadras. E não apenas as físicas. Acostumado a driblar com a bola nos pés, ele teve que usar o artifício também para sair da marcação dos pais, que não permitiam que ele se arriscasse a mais uma grave lesão.

“Eu sabia que ficaria muito tempo sem jogar. Quando eu voltei, ia jogando escondido dos meus pais. Até hoje eles reclamam comigo, mas eu não consigo ficar sem jogar”, comentou, sob os olhares do pai:

“Por mim, ele nem brincava. É capaz de um rapaz que não esteja machucado entrar forte nele e piorar”, adverte o pai, Wellington Neves Miranda.

Felipe mostra habilidade com a bola nos pés e no ar (Foto: Fábio Nunes/AT)Mas é na quadra que Felipe se diverte e sonha em um dia voltar a jogar sem qualquer dificuldade, para fazer aquilo que mais gosta.

“Eu não consigo ficar sem jogar não, eu esqueço de tudo quando estou jogando. Não dá vontade de parar. Tenho vontade de ser jogador profissional ainda e sei que vou conseguir, se Deus quiser”.

Inspiração em Messi, CR7 e… no pai

Está na ponta da língua de quase todo jovem que joga futebol: quando perguntados quem são seus ídolos e quais jogadores eles gostam de ver jogar, quase sempre os nomes do argentinos Lionel Messi e do português Cristiano Ronaldo fazem parte da resposta.

Para Felipe Teles Miranda, não é diferente. Fã da habilidade dos dois jogadores, ele admite que sempre buscou se inspirar no talento da dupla.

Mas há um outro craque que serviu de inspiração para Felipe desde pequeno, esse sem ter a fama dos craques de Barcelona e Juventus, respectivamente. Ele atende por Wellington Neves Miranda, o pai do jovem capixaba.

“Sempre a minha inspiração foi o meu pai. Mas os jogadores que eu gosto de ver jogar são Cristiano Ronaldo e o Messi”, conta.

Wellington nunca jogou profissionalmente. Sempre se destacou na várzea, onde estão escondidos vários talentos do futebol brasileiro. E a admiração com a qual Felipe fala do pai, mostra que ele é um desses, mesmo aos 34 anos.

“O meu pai sempre jogou muito. Desde pequeno, a minha vontade era de jogar igual”, explica Felipe, deixando o pai emocionado:

“Se ele não tivesse se machucado, a gente já tinha jogado juntos. Porque o menino é bom mesmo, viu. Iam no campo para ver ele jogar, dava gosto de ver. Só que depois disso…”, lembrou o pai.

O problema na perna direita impediu que Felipe tivesse história bem diferente do pai, saindo da várzea no Estado. Aos 13 anos, ele participou de uma “peneira” do Athlético/PR. Em dois treinos, brilhou, segundo o pai, com três gols na primeira atividade, e foi aprovado no teste.

Porém, o jovem só poderia ser alojado pelo clube após completar 14 anos. Neste meio tempo, veio a reviravolta que adiou o sonho.

“Eu ia para o Athletico depois da viagem, fui aprovado, mas não podia ir por causa da minha idade. Estava esperando a idade certa para ir, mas me machuquei disputando o torneio”, lamenta.

Espera por cirurgia

Mesmo com as dificuldades, Felipe segue jogando e sonha em fazer cirurgia para jogar profissionalmente (Foto: Fábio Nunes/AT)Enquanto o “abusado” Felipe Teles Miranda encara as dificuldades e, com a ajuda da muleta, vai para cima dos rivais para ser feliz com a bola nos pés, a família do garoto vive a apreensão que costuma envolver qualquer torcedor em uma partida de futebol.

Ciente do risco de uma nova lesão, que pode ser até mais grave, o pai chama a atenção do garoto, mas entende que é difícil tirá-lo de quadra. Enquanto isso, a família do garoto aguarda para que ele possa realizar uma nova cirurgia, com objetivo de corrigir o problema na perna direita. O maior adversário, entretanto, é o custo para viabilizar o procedimento.

“Nós levamos ele para consultar no médico, que nos deu encaminhamento para procurar outro hospital, que tenha os aparelhos para seguir com esse processo. Só que tem que pagar pela cirurgia, não é gratuita”, explicou Wellington, o pai do jovem.

Outro problema encontrado, segundo ele, é que os médicos que cuidaram de Felipe quando ele sofreu a lesão, em 2016, já não são mais os mesmos. Quem assume o caso busca entender qual a melhor solução para corrigir o problema.

Mesmo com as dificuldades, Wellington confia que voltará a ver o filho jogar futebol normalmente, até mesmo dividindo o campo e a quadra com ele. E no que depender do jovem, que sonha longe, o futebol seguirá fazendo parte da sua vida durante muito tempo ainda.

“O futebol é a minha vida. Enquanto eu estiver vivo, vou sempre jogar futebol”, projeta.

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