Uma das novas promessas do caratê capixaba, Thaís Muglia, de apenas 14 anos, tem metas bem definidas de até onde deseja chegar. Tornar-se campeã brasileira e se destacar na categoria adulta são passos que a jovem espera dar e, para isso, o novo talento do esporte mira em alguém que já percorreu essa trajetória.
Thaís tem como companheira de treinos a carateca Tamillis Pimenta, de 21 anos, atleta da seleção brasileira olímpica.
No convívio, a caçula tenta aprender ao máximo para, com as próprias pernas, se desenvolver e alcançar seus objetivos. O próximo passo da dupla será fora do Brasil.
As caratecas, que são contempladas pelo programa Bolsa Atleta, vão competir a partir desta sexta (19) no Open Internacional de Las Vegas, nos Estados Unidos, uma das competições mais tradicionais do calendário da modalidade que será disputada até domingo.
“Estou muito ansiosa, treinei muito para fazer o meu melhor. Penso em ganhar experiência e conquistar uma medalha lá. Não conheço bem os árbitros de lá, as meninas da minha categoria também são uma novidade”, comentou a jovem carateca.
O bom início de ano mostra que a “tática” vem dando certo. Thaís vem de uma medalha de bronze no estilo kumitê (+ 54kg) na etapa de Brasília do Campeonato Brasileiro — na categoria cadete.
Antes disso, a nova promessa do caratê acumulou medalhas de ouro nos estilos kata (movimentos) e kumitê, quatro no total, tanto no Estadual quanto no Open de Venda Nova do Imigrante, em março.
Experiência
Vivendo mais uma experiência internacional — já disputou dois Opens no Uruguai —, Thaís espera voltar com a bagagem cheia de conhecimento para dar sequência ao bom momento.
Para Tamillis, a fonte de inspiração de Thaís, a jovem carateca está no caminho certo.
“Thaís é uma atleta nova e que tem uma visão grande, ela quer chegar na categoria sênior com experiência. Acho que ela tem muito futuro no caratê e eu tento ajudar o máximo que eu posso”, comentou Tamillis, por quem a mais nova é agradecida:
“É muito bom ter a oportunidade de treinar com alguém que luta na categoria sênior, principalmente com a Tamillis, por ela já ter muitas conquistas e ser boa no que faz”, frisou Thaís.
Sapatilhas do balé trocadas por luvas, chutes e socos
A trajetória de Thaís Muglia poderia ter sido muito diferente do que ela vivencia hoje. Antes de ser carateca, a jovem praticava balé, realizando um sonho que a mãe, Katia, tinha. Porém, Thaís não era das alunas mais disciplinadas e largou as sapatilhas. Por ideia do pai, Alexandre, entrou para o caratê em 2013.
No início, Thaís enfrentou a resistência da mãe, que considerava o esporte, de chutes e socos violento, para a filha, mas logo mudou de ideia.
“Minha mãe foi para a primeira aula experimental comigo, e lá ela percebeu que não era tão violento assim. No caratê eles pregam respeito, não pode ter um contato físico muito forte. Então, a minha mãe acabou aceitando”, contou Thaís.
Na primeira competição, mesmo entre meninas mais velhas — por conta de um erro na inscrição —, Thaís conquistou uma medalha de bronze, no kata.
A partir daí, a dedicação se tornou ainda maior. Tanto que passou a treinar em duas academias. Decidida a focar mais na carreira, ela seguiu treinando com o sensei Carlinhos, que é técnico da seleção brasileira.
“Eu sigo evoluindo, já sou tricampeã estadual e agora quero ser campeã brasileira”, comentou.
Tamillis luta de olho no topo do ranking e na corrida olímpica
Apesar de ter mais experiência que a parceira de treinos Thaís, de 14 anos, Tamillis Pimenta, de 21, também viverá uma sensação inédita no Open Internacional de Las Vegas de caratê, nos EUA.
Será a primeira vez que a atleta da seleção brasileira olímpica competirá em um dos torneios mais tradicionais do esporte.
Tamillis pretende colecionar mais um bom resultado de olho na liderança do ranking brasileiro. Com a corrida olímpica para os Jogos de Tóquio/2020 cada vez mais acelerada, ela sabe que acumular vitórias e pódios poderá fazer a diferença no sonho de disputar sua primeira Olimpíada.
“Meu objetivo de terminar como primeira do ranking é porque a primeira colocada é a titular nos principais campeonatos. E é uma competição que pontua relativamente bem para o ranking nacional e eu sou a única atleta da minha categoria”, explicou.
Tamillis sabe que a competição trará contato com as principais adversárias em competições internacionais. Rivais que poderá ter pela frente em uma eventual participação na Olimpíada do ano que vem.
“Eu terei a oportunidade de lutar com algumas adversárias com quem disputo o Circuito Mundial”.


