Quem olha a tabela da Segundinha Capixaba não imagina a situação deplorável que o líder São Mateus enfrenta. Jogadores e comissão técnica trabalham em condições precárias, com salários atrasados, água sem tratamento e precisando da doação de torcedores para se alimentar.
As dificuldades foram reveladas pelo técnico Maurício Rodrigues em vídeo enviado para a torcida na última segunda-feira.
“Não recebemos desde o início, não temos alimentação, não temos água decente. Nossa água é da torneira. Nosso goleiro Richard já perdeu 10 quilos por causa dessa situação. Ontem nossos jogadores comeram arroz, feijão e metade de um ovo para cada um, e não tinha para todo mundo”, disse emocionado no vídeo.
Procurado, Maurício confirmou as denúncias. Ele disse ainda que o teto do vestiário do estádio Sernambi está na eminência de cair e que 15 atletas dividem duas kitnets. Mas o presidente Marcello Fundão Júnior garante que são dois apartamentos, com dois quartos cada, e que a água utilizada é de um poço, mas não tem tratamento.
Segundo Maurício, as condições melhoraram um pouco após o vídeo. Os torcedores passaram a apoiar, com doação de carne, cestas bácias e dinheiro. A diretoria também começou a usar a renda das partidas para pagar parte dos salários atrasados.
“Os jogadores estavam sem forças para correr porque não estavam se alimentando. Mas não culpo o presidente, ele está ali há quatro meses só. Toda porta que ele bate está fechada. Ele corre atrás, mas está sozinho”, pondera o treinador, que sofreu cusparadas da torcida após a derrota em casa para o Sport/ES, por 1 a 0, no último dia 27, antes da produção do vídeo.
Porém, na última quarta-feira o São Mateus venceu o Vilavelhense fora de casa, por 3 a 1, e segue na liderança com 13 pontos. Antes do campeonato, o clube perdeu quatro jogadores por falta de dinheiro para pagar inscrições e salários, como o zagueiro Fabiano Eller, campeão mundial com o Internacional, em 2006, que chegou a ser anunciado como reforço.
Segundo o presidente, a folha salarial é de cerca de R$ 15 mil, já que metade do elenco é formado por jogadores amadores, que não recebem.
“A gente esperava apoio da Prefeitura e de empresários, que não veio. São Mateus deve açougue, lojas…Não tem credibilidade. A dívida gira em torno de R$ 700 mil. A diretoria está trabalhando com foco de pagar os salários, com rifa, bingo, vaquinhas, mas o São Mateus não vai sair devendo niguém. Isso é palavra do presidente!”, garante Marcello.
