O nadador Márcio Junqueira, 47, quer ser o primeiro capixaba a atravessar o Canal da Mancha, trecho de mar entre o Reino Unido e a França. O desafio pode levar 13 horas e chegar a 40km. A expectativa do atleta é realizar o feito a partir de julho de 2020.
“Essa ideia é um projeto de dois anos e meio. E faltam noves meses para acontecer. A janela de natação será do dia 27 de julho a 3 de agosto, durante o verão europeu”, explica ele.
Segundo Márcio, o projeto surgiu após ele ter concluído o desafio solo a nado do “Leme ao Pontal”, no Rio de Janeiro, de 36km. O feito aconteceu em janeiro de 2018 com o tempo de 11h49min.
Durante o percurso, ele estará acompanhado de um barco com sua equipe, formada pelo técnico e o auxiliar técnico. Um membro da federação inglesa de natação também os acompanhará. Márcio não poderá encostar ou subir na embarcação. Também não poderá usar roupa térmica.
Desafios
Além de um tempo maior, a travessia do Canal da Mancha apresenta outro desafio em relação ao mar do Rio: a temperatura da água. “Ela pode variar de 11ªC a 19ºC”. ressalta Márcio.
Outras questões também costumam dificultar a vida dos nadadores que enfrentam aquelas águas, como a correnteza e a presença de águas-vivas.

E não é exagero quando Márcio expõe o alto número de desistências. O grau de dificuldade é tanto que apenas 10% das tentativas são bem-sucedidas.
Para se ter uma ideia, até 2017, de acordo com a entidade que regulamenta e gerenciar a travessia, foram 1480 nados solos e 746 revezamentos. Desse total, 30 foram brasileiros.
Preparação
Para entrar nessa seleta lista, Márcio tem se preparado forte: tem buscado águas frias para ir se aclimatando, aumentando a carga dos treinos – que podem chegar a 70 km de nado por semana -, fortalecimento mental, entre outros.
Fora a questão física, Junqueira também se prepara financeiramente. Os custos dessa “brincadeira” vão custar para ele cerca de R$ 100 mil. E para que tudo isso se realize, ele criou uma vaquinha virtual.
O objetivo é pagar os custos envolvendo treinamentos e também os gastos da viagem. Só o barco que o atleta capixaba precisa para que o auxiliar na travessia custa R$ 20 mil.
“É um barco de apoio. Só há 7 barqueiros credenciados na associação inglesa de natação. Ele acompanha toda a travessia e dentro do barco vai a minha equipe e uma pessoa da federação para validar o feito”, diz ele que quer levar o nome do Estado fora do País.
“Esse feito seria importante porque valoriza o esporte capixaba. Ter o nome de um capixaba dentro de um grupo seleto de brasileiros mostra que temos valores aqui no esporte que precisam ser olhados com outros olhos”, conclui Márcio.
